Criado no Instituto de Química, o reator solar da Unicamp usa energia limpa para descontaminar água e transformar carbono em combustível, fortalecendo a economia circular.
O Instituto de Química da Unicamp desenvolveu dois reatores fotoeletroquímicos que unem inovação científica, sustentabilidade e uso de energia limpa. A tecnologia é capaz de descontaminar efluentes líquidos e, ao mesmo tempo, transformar gás carbônico (CO₂) em etanol, combustível renovável muito utilizado no Brasil.
O impacto da invenção é duplo: além de evitar o despejo de poluentes em rios e estações de tratamento, o sistema ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O CO₂ que seria lançado na atmosfera é reaproveitado na produção de etanol, contribuindo para a descarbonização e fortalecendo a economia circular.

O primeiro protótipo foi construído com um fotocatalisador conectado a uma célula solar. Quando iluminado, removeu resíduos de fármacos, detergentes e corantes da água. A segunda versão incorporou um catodo mais sofisticado, capaz de gerar água oxigenada, aumentar a eficiência do processo e permitir a conversão de CO₂ em etanol.
O diferencial está no uso da energia solar como fonte primária. Diferente de métodos convencionais que dependem de eletricidade da rede ou de reagentes químicos como o cloro, o reator opera de forma autônoma e limpa. Isso reduz custos, evita a geração de resíduos tóxicos e amplia a viabilidade em diferentes contextos industriais.
Segundo a professora Claudia Longo, coordenadora da pesquisa, o reator solar da Unicamp representa uma solução prática para empresas interessadas em metas de ESG, uma vez que seu processo “Atenua a pegada de carbono, ao mesmo tempo que agrega a capacidade de gerar etanol, um componente muito consumido no país, que pode ser coletado e armazenado”. A expectativa é que o reator solar da Unicamp seja incorporado a processos industriais e projetos de descarbonização nos próximos anos.

