Brasil resiste a acordo global para redução de emissões de metano pela pecuária

Estima-se que as emissões de metano aumentaram em 0,5°C a temperatura média global desde a Revolução Industrial, um pouco menos da metade do aumento total já transcorrido. Mas o gás ganhou destaque neste ano porque pode ser muito mais fácil controlar essas emissões do que as da queima de combustíveis fósseis.

No mês passado, a Europa e os EUA assumiram o compromisso conjunto de, até 2030, reduzir em pelo menos 30% as emissões deste gás, com base 2020. Segundo o Valor, essa é uma das bandeiras que serão levadas a Glasgow, onde se espera atrair outros países e blocos para o compromisso, Brasil incluso.

Interessante uma certa dissonância governamental. Na 3ª feira, o Valor informou que o governo não pretende aderir ao compromisso UE-EUA. Disse uma fonte ao jornal que “nós temos um setor agropecuário que é emissor de metano, não resta a menor dúvida. Mas, se conseguirmos conter as emissões de outros gases, nós já teremos cumprido as nossas metas de emissão. É uma escolha que nós fizemos e não vejo por que nós devamos aderir a essa declaração sobre o metano. Não é do nosso interesse.” Mas ontem, o governo anunciou o novo Plano da Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC+) citando explicitamente a ampliação do tratamento de resíduos animais e do abate gado em terminação intensiva (encurtar sua vida reduz as emissões por cabeça).

Enquanto globalmente as emissões de metano da agropecuária e do setor de energia diferem pouco, aqui, segundo o SEEG, as primeiras respondem por 70% do nosso total.

Em tempo 1: O Senado alterou ontem a Política Nacional sobre Mudança do Clima, antecipando para 2025 a meta de redução de 43% e elevando para 50% a meta para 2030, tudo com base “no mais recente Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, usando como referência o ano de 2005”. O texto do PL 1.539/2021 segue agora para a Câmara dos Deputados.

Em tempo 2: O Turcomenistão, uma ex-república soviética da Ásia Central, é um dos maiores emissores de metano do mundo. No entanto, peculiaridades políticas locais e conveniências econômicas regionais fazem com que o país, governado de maneira ditatorial pelo excêntrico Gurbanguly Berdymukhamedov, passe ileso às cobranças internacionais para o controle das emissões desse poderoso gás com efeito estufa. Politicamente, há pouca margem para pressão internacional contra o governo turcomeno, já que o país é isolado do resto do mundo. Economicamente, o fornecimento de gás para mercados como a China garante ao país uma fonte de renda quase permanente para manter um regime repressor de culto à personalidade de Berdymukhamedov. Vale a pena ler a reportagem especial da Bloomberg sobre o “buraco negro” do metano turcomeno.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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