O Brasil precisa de um Norte competitivo

Wilson Perico (*)
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WP
(*) Wilson é economista, empresário e presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas. [email protected]

Temos sobrevivido todos estes anos com uma infraestrutura precária e onerosa na planilha de custos das empresas. Algo que nos confisca a competitividade e atrasa nosso propósito de redução gradativa da dependência fiscal que ampara os investimentos numa região remota como a nossa. Como implantar novas modulações econômicas, complementares ao Polo Industrial com uma infraestrutura de Terceiro Mundo?

Investimento zero em competitividade

Aqui não há acesso rodoviário para o Sudeste/Sul que consome os produtos aqui fabricados. O modal fluvial/cabotagem não recebe um centavo de investimento público há décadas. E o mais grave é que essa omissão padece de propósito relevante. É descaso, mesmo! Para quem precisa, urgentemente, reavaliar a cadeia de suprimentos, hoje dependente da Ásia, ou investimos em infraestrutura ou regredimos.

Contrapartida inadiável

Há décadas reivindicamos esse direito. Quem recolhe R$14,5 bi aos cofres federais a cada ano, como o Amazonas, precisa da justa contrapartida portuária, de transportes, energia e comunicação. Além de justa, essa contrapartida é inteligente – vamos arrecadar mais – inadiável e deve alcançar toda a região, pois os estados da Amazônia Ocidental, além do Amapá, sob gestão da Suframa, teriam condições de competitividade – cada Estado com sua vocação de negócios – neste desafio constitucional de redução das desigualdades regionais.

Pra poder gerenciar a Pandemia

E não é preciso esperar a Pandemia sumir. Sem medidas arrojadas, além de não enfrentarmos a concorrência, não teremos condições de sobrevivência econômica e social. Hoje, não produzimos itens de primeira necessidade, mas podemos fazê-lo. Além da indústria de EPIs, equipamentos hospitalares, e para o agronegócio, temos no Polo Industrial de Manaus expertise para industrializar medicamentos, dermocosméticos e alimentos, como o pescado, a fruticultura, que reuniriam os estados, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, além do Amapá, e muitas divisas de um mundo que é carente de proteínas. Ninguém consegue governar um povo faminto.

Regionalização do desenvolvimento

E aqui não postulamos fechar a economia por baixa competitividade como sempre fizemos. Pelo contrário, é hora de investir em arranjos competitivos e, com isso, atrair novos investimentos. A indústria aqui instalada tem gerado recursos para adensar e diversificar novas cadeias produtivas, agregando valor ao que já produzimos e para a regionalização do desenvolvimento.
O mundo está muito interessado em redesenhar a cadeia global de suprimentos, a começar pelas Américas, a região mais arrasada com a quebradeira da economia a partir da Ásia. Todos os países sofrerão quedas dos respectivos PIBs, incluindo os asiáticos, e se formos capazes de resgatar os arranjos produtivos que colocaram a indústria brasileira contribuindo com 25% do PIB, há mais de duas décadas. Hoje, é menos da metade disso nossa participação.

Pró-Amazônia

E não há tempo a perder. Se já tínhamos 13 milhões de desempregados, é fácil imaginar o efeito dramático de protelar iniciativas de combate ao desemprego. A CNI já iniciou uma ofensiva de revisão da política industrial. Nós temos o Pró-Amazônia para reunir um bloco político-parlamentar de peso, capaz de substituir a politicagem paroquial/eleitoreira vigente por uma discussão urgente de uma nova economia para nossa região, a formatação verdadeira de um arco Norte, decididamente, abrangente, inclusivo e competitivo.

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