BR-319, protagonismo e gestão participativa

Trocando em miúdos, nosso pensamento e propostas exige protagonismo, gestão compartilhada dos recursos do setor produtivo, redução da burocracia, infraestrutura adequada para a região e qualificação dos nossos jovens. Daí pra frente, é só trabalhar com a mesma filosofia amazônica, na promoção da prosperidade geral e a favor de nossa gente.

Nelson Azevedo
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Envolver a governança local foi o espírito da reunião entre Tarcísio Freitas, ministro da Infraestrutura, com os 4 governadores da Amazônia Ocidental, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, para discutir agendas, cronogramas da recuperação da BR-319. Um encontro de caráter administrativo e político que deveria ter sido a rotina na gestão da Amazônia desde sempre. Para completar, que se convoquem as entidades representativas do setor produtivo. Falta-nos mobilização permanente para debater os gargalos regionais e remover a indiferença atávica da União. A iniciativa do ministro ilustra o que devemos fazer, por iniciativa do setor privado, com todos os estados amazônicos. Aliás, era essa a ideia visionária do visionário Eliezer Baptista quando criou o projeto RADAM, que fez inventário mineral da Amazônia, há 50 anos, e o Programa Norte Competitivo em 2010, para mapear os gargalos de infraestrutura na região.

Redução das desigualdades

A indústria do Amazonas, através de suas entidades de classe, ensaiou com muito acerto e bons resultados, essa obviedade operacional, segundo a qual juntos somos mais fortes. Somente assim, poderemos avançar com mais velocidade na redução das diferenças entre o Norte e o Sul do país. Conectando entidades do setor produtivo, representação parlamentar e governos locais/ regionais, poderemos até reduzir a zero nossas missões individualizadas a Brasília para pedir a benção e passar o chapéu das contribuições para nossa região. Poderemos, também, formulando bons projetos, demonstrados por generosas taxas de retorno, utilizar as verbas aqui geradas em favor de nossa gente. Afinal, é inaceitável ter na Amazônia tantas riquezas naturais e Indicadores de Desenvolvimento Humano tão constrangedores.

Já estivemos mais longe

Voltemos, a propósito, à possibilidade real de retomar nossa conexão rodoviária com o resto do Brasil. Começa, em outubro, a temporada de chuva, tecnicamente incompatível com as atividades de asfaltamento e urbanização viária. Isso significa que teremos o início das obras de recuperação da BR-319, Manaus-Porto Velho, a partir de 2021. Mais longe já tivemos. Esse intervalo vai permitir a finalização do projeto e, tomara, o detalhamento de diretrizes de gestão do território. Que os órgãos ambientais não ressuscitem a conversa furada das gralhas e dos macacos da região que estariam ameaçados de extinção por causa de estrada. Ora, o melhor jeito de proteger os estoques naturais é atribuir-lhe uma função econômica.

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Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, e vice presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

Formatação de um pensamento amazônico

É importante, em todo esse vaivém, criarmos um pensamento amazônico sólido. Afinal, nós que aqui atuamos na geração de riquezas, temos que compartilhar e comungar princípios e propostas amazônicas muito bem costuradas. Dentro da Lei, por exemplo, temos uma área de 80% de reserva legal a preservar e o restante para manejar. Com relação a área preservada, vamos exercitar o ensaio científico, tecnológico e inovador para consolidar a economia do conhecimento do nosso Bioma, em lugar do desmatamento. Não precisamos depredar, apenas copiar as informações genéticas e de biologia molecular para levar ao laboratório e propagar, por clonagem, aquilo que o mercado precisa. A área restante pode se destinar ao manejo florestal, que extrai e repõe as espécies de alto valor comercial, fortalece a floresta e é recomendada pela ONU. A produção de alimentos, poderá ser viabilizada nas áreas degradas e mal utilizadas pelo desmatamento. Isso equivale a 15% da Amazônia, uma área muito maior do que alguns países europeus. Trocando em miúdos, nosso pensamento e propostas exige protagonismo, gestão compartilhada dos recursos do setor produtivo, redução da burocracia, infraestrutura adequada para a região e qualificação dos nossos jovens. Daí pra frente, é só trabalhar com a mesma filosofia amazônica, na promoção da prosperidade geral e a favor de nossa gente.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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