Estudante brasileiro cria produto biodegradável para substituir isopor com resíduos de mandioca e araucária

As novas bandejas feitas com resíduos de mandioca se destacam por sua rápida degradação: levam apenas um mês para desaparecer completamente na natureza

Uma mistura de casca de mandioca com grimpa de araucária, que são os galhos da tradicional árvore símbolo do Paraná, resultou na criação de bandejas biodegradáveis. O responsável pela invenção é Lucas Tadao Sugahara Wernick, estudante do nono ano do Colégio Bom Jesus Centro, em Curitiba. A ideia surgiu em 2024, durante as aulas de Iniciação Científica, quando o aluno começou a investigar o destino de resíduos industriais.

A receita elaborada por Lucas usa a grimpa de araucária triturada e cozida com água em combinação com o resíduo da mandioca. Após um ano de desenvolvimento e aperfeiçoamento, o resultado foi uma alternativa sustentável às tradicionais bandejas de isopor ou plástico, que podem levar até 700 anos para se decompor.

Já a nova bandeja biodegradável se destaca por sua rápida decomposição: leva apenas um mês para que ela desapareça completamente na natureza.

Bandeja biodegradável de resíduos de mandioca é uma alternativa sustentável às bandejas de isopor ou plástico.
Bandeja biodegradável de resíduos de mandioca é uma alternativa sustentável às bandejas de isopor ou plástico. Foto: Divulgação

A inspiração de Lucas para criar as bandejas biodegradáveis surgiu após visitas a indústrias processadoras de mandioca. O estudante ficou impressionado com o volume de resíduos gerados nesses locais e seu impacto no meio ambiente. Em uma das unidades visitadas, por exemplo, a moagem mensal alcança cerca de 140 mil toneladas de mandioca, resultando em aproximadamente 105 mil toneladas de resíduos sólidos e líquidos, sendo que 25% desse total, cerca de 26 mil toneladas por mês, correspondem a bagaço ou massa residual.

Diante desse cenário, Lucas questionou: “Se há sobras, por que não transformá-las em algo útil?”. Inicialmente, o jovem utilizou cola para dar consistência ao material das bandejas. No entanto, com o avanço das pesquisas, descobriu que a própria fécula da mandioca poderia cumprir essa função de aglutinação, tornando o processo ainda mais sustentável.

As bandejas criadas pelo estudante levam apenas um mês para desaparecer completamente.
As bandejas criadas pelo estudante levam apenas um mês para desaparecer completamente. | Foto: Divulgação

Até o momento, Lucas já produziu mais de 30 unidades das bandejas biodegradáveis. O projeto segue em expansão, e o estudante recebeu uma bolsa de estudos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) durante uma feira científica, o que lhe permitirá continuar as pesquisas e explorar novas aplicações para a mistura sustentável. “Eu vou continuar estudando e aproveitar a mistura para fazer placas de revestimentos sustentáveis para arquitetura, decoração e design”, afirma ele, segundo matéria do CicloVivo.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Quando a seca vira gargalo, a logística vira destino

A Amazônia já paga caro pela distância, pela dependência hidroviária e pela instabilidade histórica de investimentos estruturantes. Agora, paga também pela volatilidade climática. Ignorar essa soma é condenar a região à desvantagem permanente.

Milhões de espécies invisíveis: fatos e curiosidades sobre a biodiversidade amazônica

A biodiversidade amazônica abriga milhões de espécies ainda desconhecidas. Conheça fatos, curiosidades, riscos e o potencial oculto da floresta.

III Fórum ESG Amazônia: o ensaio geral do Acordo UE–Mercosul — e a chance de o PIM chegar primeiro

Há momentos em que um evento deixa de ser evento e vira instrumento com metodologia. A preparação do III Fórum ESG Amazônia, conduzida por CIEAM e Suframa, pode ser esse raro intervalo em que o Polo Industrial de Manaus decide fazer o que o Brasil costuma adiar: antecipar-se. E antecipar-se, agora, não é virtude abstrata. É estratégia de sobrevivência e de disputa.

O Acordo União Europeia–Mercosul e o novo mapa das exigências: o que muda na prática para a ZFM

O acordo União Europeia–Mercosul não inaugura apenas um novo corredor de oportunidades comerciais. Ele inaugura, sobretudo, um novo mapa de exigências — um conjunto de filtros técnicos, ambientais, reputacionais e regulatórios que passa a funcionar como “alfândega invisível” do século XXI. A Zona Franca de Manaus, que historicamente se construiu como solução nacional para um problema regional, precisa agora se preparar como solução regional para um problema global.