Nova técnica usou engenharia genética para criar bactéria que transforma plástico em insumo farmacêutico, oferecendo alternativa sustentável à produção com combustíveis fósseis e ao descarte de resíduos.
Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, fizeram modificações genéticas que criaram uma bactéria que transforma plástico em um composto químico usado na produção de analgésicos como o paracetamol.
A partir de engenharia genética, bactérias da espécie Escherichia coli foram modificadas para converter tereftalato de polietileno (PET), plástico comum em garrafas e embalagens, no ácido para-aminobenzóico (PABA), um dos compostos básicos do paracetamol.
Em testes laboratoriais, o processo foi realizado em temperatura ambiente e, em 48 horas, cerca de 92% do plástico foi convertido em PABA. Além de ser base para o paracetamol, o composto também é utilizado na síntese da vitamina B9.
Atualmente, as indústrias fabricantes do paracetamol utilizam combustíveis fósseis. A nova técnica propõe uma alternativa mais sustentável, tanto para a produção do fármaco quanto para o reaproveitamento de resíduos plásticos. Estima-se que mais de 350 milhões de toneladas de PET sejam descartadas anualmente no mundo.
Segundo os pesquisadores, o processo não gera emissões de carbono e pode representar uma nova abordagem para o uso de microrganismos na transformação de resíduos em insumos químicos. Embora ainda não seja viável em escala industrial, o estudo abre caminho para integrar biotecnologia e reciclagem na fabricação de medicamentos.