O Brasil centralizado quer permanecer de cócoras e de costas para a Amazônia porque não tem projeto de sustentabilidade e gestão inteligente. Aqui seguimos de pé e altivos. Olhamos para o futuro enquanto ousamos enfrentar a interlocução capenga do presente. Está na hora de virar a insensatez deste jogo de cartas viciadas.
A Zona Franca de Manaus é um projeto nacional que resiste, há décadas, ao abandono da infraestrutura, à instabilidade tributária e às visões simplistas sobre o desenvolvimento regional. Quem quiser conhecer de perto nossa realidade, será bem-vindo. Venha ver com os próprios olhos. Venha ouvir as vozes que constroem – com dignidade, ciência e esperança – uma economia que respeita o Brasil profundo e suas florestas vivas.
A ideia de que os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus seriam suficientes para garantir o desenvolvimento da Amazônia é uma falácia cruel. Esses incentivos não são um privilégio, mas a contrapartida institucional mínima diante da distância, dos custos logísticos, da ausência do Estado e das barreiras impostas pelo próprio sistema tributário nacional. Na verdade, a contrapartida fiscal é um contrato com o governo brasileiro no contexto da redução das desigualdades regionais. Então, não há renúncia. Há um amontoado de benefícios de mão única para os cofres da Receita.
Em tempos de narrativas fáceis e números manipulados, ouvir Serafim Corrêa é como reencontrar a razão em meio ao ruído. Sua fala na 314ª reunião do CODAM, nesta terça-feira, foi mais que uma defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM). Foi um chamado à decência federativa.
Porque não se trata apenas de proteger incentivos — mas de afirmar a dignidade de um povo, a soberania de uma região, e a inteligência de um modelo que gera desenvolvimento com floresta em pé.