André Mendonça é o relator da ação do governador Wilson Lima contra Bolsonaro

O ministro André Mendonça foi sorteado, na tarde desta sexta-feira (22), para ser o relator da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) apresentada no STF (Supremo Tribunal Federal) pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), para sustar a redução da alíquota de IPI em relação aos produtos da ZFM (Zona Franca de Manaus).

Na ação, o governador do Amazonas pede que o STF declare a inconstitucionalidade parcial do Decreto Federal 11.047, de 14 de abril de 2022, vedando sua aplicação a quaisquer produtos fabricados na ZFM que tiverem projetos aprovados no Conselho de Administração da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

Após ser protocolada pela PGE-AM (Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas), a ADI recebeu a identificação nº 7147 e foi distribuída ao gabinete de André Mendonça. O relator decidirá sobre o pedido de medida cautelar (medida urgente) para que a redução das alíquotas de IPI não alcance os produtos fabricados na ZFM.

capture 20220422 155239

André Mendonça é ex-AGU (advogado-geral da União) e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) e foi indicado pelo presidente para o Supremo no ano passado. No início deste mês, ele interrompeu o julgamento de duas ações da chamada “pauta ambiental” no STF que questionavam omissões do governo Bolsonaro no combate ao desmatamento da Amazônia.

Diálogo

Nesta sexta-feira (22), ao anunciar a ADI contra Bolsonaro no Supremo, Lima reforçou que insistirá no diálogo com o governo federal. “Acabamos de protocolar a ADI no STF para garantir a competitividade da Zona Franca de Manaus. Por outro lado, mantemos o diálogo com o Governo Federal e acredito que isso trará resultados efetivos”, disse Lima.

A ação no Supremo foi anunciada pelo governador no dia 15 deste mês, após a publicação do Decreto n° 11.047, de 14 de abril de 2022, que aprova a Tabela de Incidência do IPI, com redução do imposto em até 25%, sem excluir os produtos do PIM (Polo Industrial de Manaus). Políticos e empresários afirmam que o decreto ameaça a competitividade da ZFM.

Na terça-feira (19), Lima afirmou que a ação contra o decreto estava pronta, mas tentaria dialogar com o governo federal. Ele disse que terá uma reunião na próxima semana com o presidente Jair Bolsonaro. “Não desistimos da ação. A gente continua lutando. A gente tá encontrando um caminho político para resolver isso”, disse o governador.

Após a manifestação de Lima, senadores e deputados federais do Amazonas se reuniram na quarta-feira (20), em Manaus, e anunciaram uma ação no Supremo para contestar o decreto de Bolsonaro. A bancada amazonense informou que o partido Solidariedade se dispôs a ajuizar a ADI em até 10 dias.

Os parlamentares que participaram da reunião reclamaram da inércia do Governo do Amazonas e da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), que detêm legitimidade para contestar no Supremo os atos do governo federal que prejudicam a ZFM. “Tivemos que recorrer a um partido, que tem legitimidade, para fazer isso”, disseram os parlamentares.

A reportagem questionou o Governo do Amazonas se a PGE-AM vai pedir a suspeição de André Mendonça na ADI, mas nenhuma resposta foi enviada até a publicação desta matéria.

Fonte: Amazonas Atual

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Setor produtivo apresenta a Lula e Flávio uma agenda de compromissos com o Amazonas

Cartas de oito entidades cobram preservação da Zona Franca, segurança para investir, infraestrutura e oportunidades no interior, com manifestação expressa dos candidatos e plano de encaminhamento nos primeiros cem dias de governo

Flávio Bolsonaro apoiou ao menos 17 iniciativas contra proteção ambiental, aponta levantamento

Flávio Bolsonaro propôs ou apoiou ao menos 17 iniciativas contra a proteção ambiental desde 2019, aponta levantamento do Observatório do Clima.

Entre a sakura e o pau-d’arco, uma história de acolhimento

"Nos 50 anos da Honda em Manaus, a contratação...