Amazônia: Florestas perderam 974 toneladas de carbono entre 2011 e 2015

As florestas da Amazônia perderam 974 toneladas de carbono entre 2011 e 2015, sendo que um terço deste prejuízo sendo causado pelo desmatamento, mostra estudo publicado nesta quarta-feira, 30, pela revista “Science Advances”. “O desmatamento é a causa principal das perdas de carbono nas florestas tropicais, mas não atua sozinho”, diz o texto, que tem como principal autor Celso Henrique Leite Silva Júnior, do Laboratório de Ecossistemas Tropicais e Ciências Ambientais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), localizado em São José dos Campos (SP). A fragmentação das florestas, característica do processo de desmatamento, “promove perdas indiretas de carbono, induzidas por um efeito nas bordas da floresta”, o que não leva em conta as políticas para redução das emissões de carbono nos trópicos, segundo os pesquisadores.

Na Amazônia, maior floresta tropical contínua do mundo, o desmatamento transformou o que eram florestas de crescimento antigo em áreas destinadas à agricultura e à pecuária, o que fragmentou a paisagem. Segundo o estudo, o processo contribui para o aumento do número de áreas de florestas separadas, e como resultado há um crescimento dos perímetros e a extensão das bordas florestais. As mudanças provocam perdas diretas de carbono pelo efeito das bordas e pelas queimadas, realizadas para abrir novas áreas de plantio e pastagem. “A exposição das florestas da Terra ao efeito das bordas está muito extensa. Globalmente, 70% das florestas estavam dentro de um quilômetro das bordas florestais, em 2000. No entanto, só 5,2% das florestas da Amazônia brasileira estava dentro dessa mesma zona de bordas, em 2014”, indica o estudo. As conclusões da pesquisa apontam as frágeis bordas desmatadas como uma fonte significativa, e até agora não mensurável, de perda de carbono.

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EFE/ Joédson Alves

Os pesquisadores observaram que enquanto a perda de carbono devido ao desmatamento na Amazônia diminuiu em aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano, entre 2001 e 2015, as perdas de carbono nas bordas da floresta permaneceram inalteradas. As florestas tropicais, que armazenam mais da metade do carbono na superfície do planeta, diminuíram cerca de 10% entre 1990 e 2015 pelas ações humanas, menciona os autores do estudo. No entanto, não é apenas a redução das florestas que preocupa os pesquisadores, mas também a fragmentação resultante de quando as queimadas e as atividades agrícolas deixam “manchas” de floresta isoladas umas das outras, com as árvores nas bordas expostas a ventos turbulentos e ao aumento dos riscos de incêndio.

Para a realização do estudo, foi aplicado modelo em mapas que documentam a idade das bordas da floresta, registrados por monitoramento remoto entre 2000 e 2015 para visualizar a perda de carbono induzida pelas bordas na região. Os pesquisadores concluíram que esforços como o planejamento paisagístico poderiam ajudar a explicar a enorme perda de carbono nas margens das florestas fragmentadas, observando que esta fonte de emissões dificulta o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris.

Fonte: EFE e Jovem Pan

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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