Amazônia registra aumento de 152% de incêndios em florestas maduras devido à seca

Um estudo recente publicado na revista Global Change Biology destacou que, apesar de uma redução de 16% nos focos de incêndio e 22% no desmatamento na Amazônia em 2022, incêndios em florestas maduras não afetadas anteriormente pelo desmatamento aumentaram 152% em comparação ao ano anterior. A análise de imagens de satélite revelou um salto de focos de incêndio de 13.477 para 34.012, com a seca na região sendo a principal causa desse aumento.

Os pesquisadores observam que, com eventos de seca mais frequentes e intensos, a Amazônia enfrenta uma nova estiagem em 2023-2024, agravando a situação. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou um número recorde de focos de calor no primeiro trimestre de 2024, o mais alto em oito anos.

Especialistas do Inpe, como Guilherme Augusto Verola Mataveli, enfatizam a importância de entender a localização dos incêndios para uma resposta ambiental efetiva, destacando a preocupação com a perda de vegetação e a subsequente emissão de carbono. A resiliência da floresta é comprometida quando o fogo atinge áreas maduras, impactando a umidade e a biodiversidade do ecossistema.

Os cientistas também ressaltam o desafio que a inflamabilidade crescente das florestas representa para os agricultores tradicionais, que usam fogo controlado para manejo, e a necessidade de incentivar práticas sustentáveis.

Amazônia
Jader Souza- Roraima

Estudos anteriores já haviam identificado um aumento de incêndios em florestas maduras no sudoeste do Amazonas, particularmente em regiões de expansão do desmatamento como Boca do Acre. Esses incêndios não só ameaçam a biodiversidade, mas também afetam negativamente a qualidade do ar e a vida das populações locais.

O estado de Roraima, com a maior incidência de incêndios, enfrenta emergências declaradas em 14 municípios, afetando severamente as comunidades, especialmente a indígena. Em resposta, o Ibama e outras instituições têm intensificado esforços de prevenção e combate aos incêndios.

Para mitigar futuros incêndios, os pesquisadores recomendam aumentar as operações de combate a incêndios e melhorar o monitoramento, sugerindo até o uso de inteligência artificial para prever e prevenir incêndios de forma mais eficaz.

O artigo Deforestation falls but rise of wildfires continues degrading Brazilian Amazon forests pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.17202.

*Com informações Agência Fapesp

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Amazônia, energia e memória

A história dos pioneiros amazônicos talvez ensine exatamente isso: desenvolvimento regional nunca foi resultado de fórmulas prontas. Sempre foi fruto de adaptação, coragem e compreensão profunda da realidade amazônica.

BR-319: a estrada que pode redefinir o futuro da Amazônia

BR-319 reacende debate sobre logística, desmatamento, governança e o futuro do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Amazônia: potencial desperdiçado também no setor aéreo

"Entre gargalos logísticos e apostas regulatórias, a aviação na...

Expo Amazônia Bio&TIC 2026: a floresta entra definitivamente na era da inteligência

Idealizada por Vania Thaumaturgo, a quarta edição do evento...

Energia, o nervo exposto da economia global

"Economia global sob tensão: petróleo, guerras e transição verde...