Ajuste-se ao ambiente

Augusto César Barreto Rocha
_____________________________________

“Fico surpreso com tanta gente falando em ciência, mas que não usam a mínima lógica científica para tomar decisões ou apontar rumos.”

prof
*Augusto Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, Coordenador da Comissão de Logística do CIEAM.

Não há um novo mundo pós-pandemia. Há um novo mundo a cada segundo e precisamos nos ajustar a ele. Haverá garantias ou apoio suficiente do Governo para pessoas, empregos ou empresas? Não. Devemos ficar em casa? Não sei. Há pessoas que podem e há pessoas que não podem. Quem pode, fique. Quem não, pode, não fique, pois não há força que lhe dará de graça a água ou o pão, necessários para a sua vida. Institivamente você já deve (ou deveria) saber disso: não teremos suporte, como sempre.

Há nas discussões do presente um conjunto amplo de afirmativas e tentativas de retirada da liberdade de todos nós, com imposições de regras e soluções sem contrapartida de um mínimo raciocínio ou troca que faça sentido. Usa-se o medo, as leis, as polícias, os fiscais, os seguidores, as seitas, e tudo o mais, para nos impor regras que em sua maior parte não fazem sentido com a lógica ampla e sistêmica.

Após ler um documento produzido por professores da Ufam e da UFMG, compreendi algo mais sobre o problema da Covid-19 no Amazonas. Sinto falta de dezenas de documentos como aquele, produzidos por estatísticos e institutos reconhecidos, como o IBGE. Também sinto falta de documentos com forte base matemática, como os que poderiam ser produzidos e divulgados pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Por que este tipo de documento não é amplamente divulgado? Será que é porque afirmações repetitivas são ótimas para criar e tanger manadas?

Fico surpreso com tanta gente falando em ciência, mas que não usam a mínima lógica científica para tomar decisões ou apontar rumos. Não usam sequer uma lógica de aprendizado recente, em quem podem confiar e em quem não pode confiar. Quem lhe ajuda ou quem lhe atrapalha. Seguimos no mundo da fofoca, onde o ruído e força bruta obscurecem a liberdade e a vida.

Em 2019, em uma pesquisa do IBOPE, que mede o Índice de Confiança Social, há uma indicação que 50% das pessoas confiam no Governo Federal e 44% nos Governos Locais. Isso diz bastante, em especial quando se olha o complementar 50% não confiam ou 56% não confiam. A mesma pesquisa diz que confiamos 85% na família.

Não existe crise de liderança. Simplesmente, como bebês, não sabemos o que queremos. Ou criamos o futuro que nos interessa viver ou seremos conduzidos para a escravidão, a morte ou a fome. Faremos isso com o trabalho e os nossos braços ou viveremos na opressão sofrida ou impetrada? Cada um faz suas escolhas a cada dia e, querendo ou não, arcará com os resultados das ações tomadas. Em minha vida adulta nunca vi ninguém me dar nada de graça. É uma pequena amostragem, mas será que com a sua vida foi diferente?

Confira o comentário do articulista.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Idesam transforma 20 anos de atuação na Amazônia em manual para equipes de campo

Idesam reúne 20 anos de atuação na Amazônia em manual para fortalecer diálogo, escuta ativa e segurança jurídica com comunidades.

Desmatamento na Amazônia cai 35% e atinge menor área em 20 anos 

Desmatamento na Amazônia atinge a menor área para junho em 20 anos, com queda de 35% nos alertas registrados pelo Inpe.

El Niño tem 81% de chance de chegar a nível “muito forte” em 2026

El Niño pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, alerta NOAA, elevando riscos de calor, tempestades e mudanças nas chuvas.