Pesquisas mostram que a absorção de carbono pelos oceanos funciona como um amortecedor climático, mas a acidificação e o aumento da temperatura podem limitar essa capacidade nas próximas décadas.
Os oceanos exercem um papel central na estabilidade do clima do planeta. Responsáveis por mais de 96% da água existente na Terra, eles funcionam como um gigantesco regulador térmico, absorvendo mais de 90% do calor excedente gerado pelo efeito estufa. Além disso, a absorção de carbono (CO₂) pelos oceanos retira da atmosfera uma parcela significativa de CO₂, ajudando a conter o avanço do aquecimento global.
O aumento da concentração de CO₂ no ar está diretamente ligado às atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e mudanças no uso da terra. Atualmente, os oceanos absorvem cerca de um quarto do CO₂ emitido anualmente. Esse mecanismo natural atua como um “amortecedor” climático, reduzindo a velocidade do aquecimento global. No entanto, essa capacidade não é ilimitada e depende de processos físicos, químicos e biológicos que sustentam a absorção de carbono pelos oceanos.
Um dos principais mecanismos é a absorção química. O CO₂ atmosférico se dissolve na água do mar e reage com moléculas de água, formando ácido carbônico (H₂CO₃). Esse composto libera íons hidrogênio (H⁺), o que diminui o pH da água e reduz a disponibilidade de íons carbonato (CO₃²⁻). Esse processo está no centro da chamada acidificação oceânica. À medida que o pH cai, organismos marinhos que dependem do carbonato para formar conchas e esqueletos, como corais e moluscos, enfrentam maiores dificuldades para sobreviver.
A eficiência dessa absorção varia conforme as condições ambientais. A temperatura é um fator decisivo: águas frias dissolvem mais CO₂ do que águas quentes. Por isso, regiões polares desempenham papel relevante como sumidouros de carbono. No entanto, o aquecimento global reduz a solubilidade do gás, criando um ciclo preocupante; quanto mais quente o oceano, menor sua capacidade de absorver CO₂.
Além do processo químico, existe a chamada “bomba biológica de carbono”. Organismos microscópicos chamados fitoplânctons realizam fotossíntese e removem CO₂ da água. Parte desse carbono é incorporada à cadeia alimentar marinha. Quando organismos morrem, o carbono pode afundar para camadas profundas, onde permanece armazenado por longos períodos, em alguns casos, por milênios.
Entretanto, a ação humana ameaça essa dinâmica. O aquecimento das águas diminui a capacidade de absorção de carbono pelos oceanos e acelera a acidificação, especialmente em áreas polares. Se as emissões permanecerem elevadas, os oceanos podem se aproximar de um ponto crítico de saturação, reduzindo drasticamente sua função de sumidouro. Preservar a estabilidade climática depende, portanto, da redução consistente das emissões e da proteção dos ecossistemas marinhos que sustentam esse equilíbrio planetário.