A conta dos militares na Amazônia: meio bilhão de reais em gastos e desmatamento descontrolado

R$ 550 milhões em quase três anos: este foi o custo das três missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) promovidas pelo governo Bolsonaro desde 2019 para conter o desmatamento e as queimadas na Amazônia. Como é padrão nesta administração, o dinheiro foi pessimamente gasto: nesse período, incêndios florestais e a derrubada de árvores se intensificaram em ritmo inédito na história recente.

Na Folha, Vinicius Sassine fez as contas: o montante gasto pelos militares nesse período equivale a seis vezes o total do orçamento de 2020 do IBAMA para gastos com fiscalização ambiental, licenciamento e gestão da biodiversidade. Ainda assim, o vice-presidente Hamilton Mourão defendia a continuidade da presença dos militares na região, especialmente como resposta às críticas internacionais ao Brasil na COP. Com o orçamento cada vez mais enxuto em Brasília, o Palácio do Planalto preferiu encerrar a GLO mais recente, a Operação Samaúma, na semana retrasada.

Mourão confirmou nesta 2ª feira (25/10) que o Brasil pretende antecipar sua meta para acabar com o desmatamento ilegal de 2030 para 2027 ou 2028. O anúncio deve ser feito durante a Conferência do Clima de Glasgow, na próxima semana. Associated Press e Reuters repercutiram a promessa do general-vice.

Em tempo: Para retomar a confiança de investidores internacionais e aproveitar o potencial do país para a economia verde, o Brasil precisa reduzir o desmatamento para o nível de dez anos atrás. Essa é a recomendação do ex-ministro e ex-presidente do BNDES, Joaquim Levy, que integra atualmente a rede Uma Concertação pela Amazônia. Em entrevista à BBC Brasil, Levy destacou que o Brasil pode se beneficiar com o combate ao desmatamento e com ações climáticas em outras frentes, como a geração de energia renovável e a eletrificação da frota automotiva. “A economia brasileira hoje já é talvez a economia com a pegada de carbono mais baixa do mundo se você considerar emissões fósseis por população ou por PIB. O que a gente tem que fazer é obviamente aproveitar essa vantagem competitiva para investir, criar emprego”, disse Levy.
(P.S.: A emissão brasileira per capita é maior que a média mundial – alguém avisa o Levy?)

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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