A Constituição do Amazonas não olha para o futuro

”O Amazonas deveria iniciar o processo de revisão constitucional sob uma nova estratégia de longo prazo para ser coerente com os novos desejos”

Juarez Baldoino da Costa
_____________________________

A LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias do Amazonas número 5.558/21 fixa para 2022 um orçamento de cerca de R$ 22 bilhões. Deste valor serão subtraídas as transferências para os municípios e outras parcelas, gerando a Receita Tributária Líquida sobre a qual se aplicariam os 3,4% como limite para repasse ao TCE – Tribunal de Contas do Estado (artigo 5º.), por exemplo.

Em 2020 a LDO previu R$ 18 bilhões de orçamento e o valor de repasse ao TCE atingiu R$ 281 milhões, e em 2021 o repasse está em R$ 237 milhões até agosto devendo chegar a R$ 350 milhões até dezembro.

Por outro lado, a Emenda Constitucional estadual 112/2019 fixou em 3% da Receita Tributária Líquida o repasse para o setor primário do Amazonas, cujo montante deve chegar a R$ 308 milhões em 2021.

Em 2021, portanto, o TCE receberá R$ 350 milhões e o setor primário R$ 308 milhões, números que indicam, sob determinado ponto de vista, magnitudes desproporcionais se forem comparados os aproximadamente 640 funcionários do TCE com os milhares de amazonenses envolvidos com o setor primário.

Numa análise ampliada, como a perspectiva de parte das novas futuras matrizes econômicas do Amazonas aponta para o setor primário, parece desproporcional o valor dos investimentos que estão sendo aportados neste setor.

A Constituição Estadual definiu os valores e percentuais atuais do orçamento ainda numa época cuja estrutura contextual considerava a ZFM – Zona Franca de Manaus e seu Polo Industrial como principal base econômica, senão a única.

Isto enseja que, ao se discutir o futuro da economia do Amazonas para os próximos anos, considerando-se a complementação com as novas matrizes econômicas até a substituição inicialmente gradativa da ZFM e ao final completamente, seria necessário promover uma reforma constitucional do estado coerente com esta nova estratégia política.

Se a constituição não fundamentar e estruturar os recursos, dificilmente se chegará a obter os resultados desejados.

O Amazonas deveria iniciar o processo de revisão constitucional sob uma nova estratégia de longo prazo para ser coerente com os novos desejos.

Caso contrário, continuaremos apenas num desejo retórico.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Juarez-Baldoino-da-Costa-2-630x630.jpeg
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Artigos Relacionados

Amazonas: a hora de somar esforços

Unidade não exige pensamento uniforme. Exige apenas maturidade suficiente para reconhecer que certos desafios são maiores do que qualquer grupo, governo ou instituição.

Trump amplia ofensiva contra regras ambientais da Europa

EUA pressionam pela flexibilização das regras ambientais da União Europeia e alegam impactos sobre empresas e o comércio transatlântico.

Cientistas criam memória com DNA sintético que consome até 100 vezes menos energia

Memória com DNA sintético consome até 100 vezes menos energia e pode tornar sistemas de inteligência artificial mais eficientes.

Duas rodas, novos investimentos e a mobilidade que passa por Manaus

“A expansão das fabricantes no Polo Industrial mostra como...