As escolhas eleitorais permitem uma leitura sobre a importância do emprego e da renda para os amazonenses e reforçam a responsabilidade de construir entendimento em defesa da nossa economia.
“Meu partido é o Amazonas e o meu candidato é a Zona Franca de Manaus.” Tenho repetido essa frase ao longo da minha trajetória empresarial porque ela traduz o compromisso que orienta minha participação na vida pública. Nas discussões sobre os rumos do nosso estado, procuro avaliar o que cada decisão representa para quem trabalha, empreende, sustenta uma família e espera encontrar aqui as condições para construir seu futuro.
Essa disposição se acompanha de outro princípio que considero inegociável. Aquilo que nos une importa muito mais do que as diferenças que nos separam. Na convivência empresarial, aprendi quanto custa a incapacidade de conversar e quanto podemos avançar quando pessoas com posições distintas reconhecem uma responsabilidade compartilhada.
É com esse espírito que observo as escolhas eleitorais do Amazonas. Entre as muitas interpretações possíveis, considero que a defesa dos empregos, da renda e das oportunidades ajuda a compreender o posicionamento de uma parcela importante do eleitorado. Quem conhece a presença da Zona Franca na vida das famílias amazonenses sabe o peso que essa preocupação pode assumir na hora do voto.
Cada cidadão chega à urna com sua história, suas convicções e suas expectativas. Seria excessivo atribuir a todos uma mesma motivação. Mas também seria uma leitura incompleta examinar nosso comportamento eleitoral sem considerar a economia que sustenta o cotidiano de tanta gente.
A economia que chega à mesa
O Polo Industrial de Manaus está ligado a uma rede de mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos. Por trás dessa dimensão estão famílias que pagam suas contas, mantêm os filhos na escola, movimentam o comércio e contratam serviços. A renda circula muito além dos portões das fábricas e participa da vida de pessoas que, muitas vezes, sequer se reconhecem como parte dessa cadeia econômica.
Ao longo dos anos, acompanhei a preocupação de trabalhadores e empresários diante de decisões capazes de comprometer a competitividade da produção regional. Uma mudança nas condições de funcionamento do modelo repercute sobre investimentos, encomendas, contratações e planos familiares. Para quem vive dessa economia, a segurança do emprego é uma experiência concreta, avaliada todos os meses.
Por isso, vejo fundamento na hipótese de que muitos eleitores tenham procurado, em suas escolhas, alguma garantia de continuidade e proteção. Candidatos de partidos diferentes podem receber a confiança de um mesmo cidadão quando ele identifica, em suas trajetórias, contribuições para os interesses do estado. As combinações do voto merecem ser examinadas também por esse ângulo.
A população conhece suas necessidades. Pode expressá-las de maneiras diferentes e discordar sobre quem reúne as melhores condições para atendê-las, mas convive diariamente com as consequências da falta de trabalho, da renda insuficiente e da escassez de oportunidades. Essa experiência deve ocupar um lugar central em nossa leitura das urnas.
As diferenças e o trabalho conjunto
Quem recebe um mandato assume responsabilidades sobre toda a população. A partir daí, a capacidade de construir entendimentos passa a ter consequências para o estado inteiro.
Na defesa da Zona Franca, precisamos reunir conhecimento técnico, presença política e disposição permanente para o diálogo. Nossa representação ganha força quando consegue atuar em conjunto, amparada por argumentos consistentes e pela participação das entidades empresariais, dos trabalhadores, das universidades e das demais instituições da sociedade.
Essa convergência exige maturidade. Podemos divergir sobre a política nacional e manter uma agenda comum para o Amazonas. Podemos reconhecer o trabalho de alguém com quem não compartilhamos todas as opiniões. E precisamos ter independência para cobrar pessoas próximas quando suas decisões se afastam dos compromissos assumidos com a nossa população.
É nesse sentido que considero tão importante valorizar aquilo que nos une. A defesa do emprego, a melhoria da educação, a formação profissional e a ampliação das oportunidades oferecem um campo amplo de cooperação. São assuntos que exigem continuidade, enquanto o calendário eleitoral tem seus próprios prazos e urgências.
Nas entidades em que atuo, entendo que devemos cultivar essa capacidade de aproximação. O empresário conhece o custo da incerteza e a importância de planejar. O trabalhador também precisa de perspectivas para organizar sua vida. Ambos têm interesse em instituições capazes de preservar conquistas e enfrentar problemas sem submeter cada decisão ao conflito partidário.
O compromisso que permanece
A defesa da Zona Franca traz consigo a responsabilidade de ampliar os benefícios do desenvolvimento. Temos de preservar a atividade industrial e trabalhar para que sua força se traduza em qualificação, inovação e melhores oportunidades para os jovens.
Também precisamos aproximar essa economia das possibilidades do interior. A produção regional, o conhecimento sobre a biodiversidade e a pesquisa desenvolvida em nossas instituições podem encontrar novas conexões com a indústria. Para isso, são necessários projetos consistentes, infraestrutura, formação de pessoas e cooperação de longo prazo.
Esse é um trabalho que nos interessa compartilhar com quem recebeu a confiança do eleitor. O Amazonas precisa de representantes capazes de compreender suas particularidades e de negociar, com firmeza e preparo, as condições de seu desenvolvimento. Precisa, igualmente, de uma sociedade organizada que acompanhe os mandatos e participe das decisões.
Minha leitura das urnas parte dessa preocupação. Entre as diferenças manifestadas pelo voto, acredito que exista uma expectativa de segurança econômica que merece ser ouvida. Cabe a nós contribuir para que ela encontre resposta no trabalho das instituições e na atuação dos representantes escolhidos.
Continuarei, portanto, a defender os princípios que orientam minha caminhada. Meu partido é o Amazonas e meu candidato é a Zona Franca de Manaus. É a partir desse compromisso que pretendo dialogar com os eleitos, acompanhar suas decisões e colaborar com quem estiver disposto a ampliar as oportunidades de quem vive e trabalha aqui.