Decreto válido por 180 dias mobiliza órgãos estaduais diante da previsão de menos chuva. Com a seca no Amazonas, a queda do Solimões já restringe a navegação em comunidades do interior.
O governo estadual decretou situação de emergência diante do risco de agravamento da seca no Amazonas. A medida, publicada no Diário Oficial em 21 de setembro, vale por 180 dias. Segundo o governo, até 648 mil pessoas poderão ser afetadas nos 62 municípios do estado.
A decisão considera a previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas nos próximos meses. Projeções do Painel El Niño 2026-2027 e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam que as condições associadas ao fenômeno podem persistir até, pelo menos, o início de 2027.
A seca no Amazonas preocupa especialmente as localidades que dependem dos rios para transportar moradores, alimentos e outros produtos. Com a descida das águas, embarcações podem enfrentar restrições de acesso a comunidades do interior.
Solimões cai 1,34 metro em uma semana
Em Manacapuru, o nível do Rio Solimões baixou 1,34 metro em sete dias e chegou a 10,48 metros. A medição está 4,16 metros abaixo da registrada no mesmo período do ano passado. Os efeitos da vazante já aparecem em municípios próximos. Em Anamã, algumas comunidades deixaram de receber embarcações de maior porte.
Em trechos de Anori, a navegação passou a ser possível apenas com barcos menores. Produtores rurais também enfrentam dificuldades para escoar alimentos. A queda do Solimões mostra como a seca no Amazonas pode afetar o deslocamento e o abastecimento antes mesmo do fim do período de vazante.
O que permite o decreto
A situação de emergência autoriza o estado a comprar insumos, contratar serviços e executar obras emergenciais voltadas à prevenção, à assistência e à mobilidade da população. Os recursos deverão ser aplicados exclusivamente em ações relacionadas aos efeitos da estiagem.
Intervenções ambientais terão de ser comunicadas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e dependerão do acompanhamento e das autorizações do órgão. O Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais coordenará as medidas durante a vigência do decreto.
O governo já havia declarado, em 1º de junho, uma situação de emergência climática e ambiental preventiva. O novo ato atualiza a mobilização estadual diante das projeções para a seca no Amazonas e das dificuldades que começam a atingir comunidades ribeirinhas.