Planos para Mato Grosso prometem inovação verde e proteção dos biomas, mas deixam questões sobre desmatamento, territórios indígenas e adaptação climática.
Mato Grosso chega às eleições de 2026 no centro de uma disputa sobre desenvolvimento. Potência agropecuária, o Mato Grosso reúne áreas de Amazônia, Cerrado e Pantanal. A expansão da produção, da infraestrutura e da indústria de biocombustíveis divide espaço com pressões sobre a vegetação nativa e os territórios tradicionais.
O saldo da gestão iniciada por Mauro Mendes e continuada por Otaviano Pivetta também entra no debate. O governo apresenta a modernização da fiscalização e os investimentos em baixo carbono como avanços. Desmatamento, conflitos fundiários e disputas sobre áreas protegidas expõem os limites da promessa de conciliar produção e conservação.
Na pesquisa do Paraná Pesquisas, divulgada em 18 de setembro, Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece com 42,4% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno, seguido por Wellington Fagundes (PL), com 29,6%, e Doutora Natasha (PSD), com 13,5%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais. Também disputam o governo Sargento Laudicério (Agir), Maurício Coelho (Mobiliza) e Rafaell Milas (Missão).
A reportagem examinará os planos de governo dos três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, publicados no TSE, em cinco temas: bioeconomia, transição energética, desmatamento e queimadas, povos originários e adaptação climática. Conheça as propostas de cada candidato.
Otaviano Pivetta (Republicanos)
Empresário e produtor rural, foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e deputado estadual. Eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes em 2018 e 2022, assumiu o governo do Mato Grosso em março de 2026 e disputa a reeleição com Gisela Simona (União Brasil) como candidata a vice. Sua candidatura está ligada à continuidade da atual gestão estadual.
Bioeconomia e desenvolvimento sustentável
- Pesquisa aplicada: criar pós-graduação profissional em biotecnologia e agregação de valor à produção primária.
- Programa Estadual de Bioeconomia e Clima: articular instituições de pesquisa, setor produtivo e órgãos ambientais em iniciativas integradas, como o Programa REM MT.
- Proteção dos biomas: apoiar a biotecnologia voltada ao uso sustentável dos recursos do Cerrado, do Pantanal e da Amazônia mato-grossense.
- Floresta em pé e ecoturismo: uso sustentável da floresta e ecoturismo em unidades de conservação.
- Bionegócios: fomentar pesquisas em agronegócio de precisão, biotecnologia e bioeconomia, com transferência de tecnologia e apoio a negócios verdes e comunitários.
- Made in Mato Grosso: projetar o estado internacionalmente como referência de rastreabilidade, tecnologias verdes e créditos de carbono sob a marca Made in Mato Grosso.
Contradições e lacunas: O plano busca projetar a marca Made in Mato Grosso e atrair recursos do mercado de carbono, mas concentra a bioeconomia no processamento de commodities, como soja e milho. Embora mencione pesquisa e inovação, não define metas, financiamento ou canais de comercialização para fortalecer cadeias extrativistas e comunitárias baseadas na floresta em pé.
Transição energética
- Formação em energias renováveis: oferecer especializações e projetos de extensão sobre energia solar, biomassa e biogás para áreas rurais e distritos industriais.
- Tecnologias de baixo carbono: incentivar bioinsumos, energias renováveis, eficiência energética e sistemas produtivos sustentáveis.
- Biocombustíveis: ampliar a transformação de milho e soja em etanol, biogás, óleo e coprodutos para alimentação animal, como o DDGS.
- Programa MT Trifásico: substituir redes monofásicas por linhas trifásicas no campo para atender à irrigação, à refrigeração e à secagem de grãos.
Contradições e lacunas: O plano apresenta o etanol de milho como eixo da transição energética, mas não detalha salvaguardas para seus impactos sobre o uso da água, de insumos agrícolas e do solo. Também concentra as propostas no campo e na indústria, sem definir medidas de energia limpa para famílias de baixa renda ou para o transporte público e o meio urbano de forma geral.
Desmatamento e queimadas
- Uso sustentável da floresta: incentivar atividades econômicas sustentáveis como parte da estratégia de redução do desmatamento.
- Prevenção e combate a incêndios: ampliar o monitoramento, o uso de inteligência e a capacidade operacional, com atuação integrada entre órgãos públicos, municípios e produtores rurais.
- Plano Pantanal Resiliente ao Fogo: estruturar o manejo integrado do fogo, a manutenção permanente de aceiros e brigadas de pronta resposta.
Contradições e lacunas: O plano associa a autorização legal da supressão vegetal à sustentabilidade, embora a conversão de áreas nativas possa afetar a biodiversidade e os regimes hídricos. As medidas se concentram na fiscalização após o desmatamento e no combate a incêndios, sem detalhar ações contra causas estruturais, como a grilagem e a pressão sobre reservas legais, nem estabelecer metas relacionadas ao desmatamento zero.
Povos originários
- Educação superior: ampliar a formação específica de professores indígenas e a oferta de cursos de graduação dedicados.
- Esporte e cultura: incentivar festivais e competições esportivas, além de programas de fomento e proteção das manifestações culturais indígenas.
- Programa SER Família Indígena: manter e aprimorar a assistência social com abordagem intercultural.
- Atendimento itinerante: levar equipes multidisciplinares e serviços de documentação, assistência e cidadania a populações rurais e indígenas, com apoio da Van Rosa.
- Pesquisa e repartição de benefícios: criar linha de fomento da FAPEMAT para pesquisas com povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, com repartição dos benefícios.
Contradições e lacunas: O plano prevê assistência e valorização cultural para povos indígenas, mas prioriza obras de transporte com possíveis impactos sobre territórios tradicionais sem mencionar a consulta prévia, livre e informada. Nesse tema, as propostas se limitam a repasses assistenciais, ações de cidadania e bolsas de pesquisa, sem detalhar medidas de proteção contra invasões e garimpo ilegal ou de apoio à gestão territorial e ambiental pelas comunidades.
Adaptação climática
- Plano Pantanal Resiliente ao Fogo: adotar o manejo integrado do fogo para enfrentar secas extremas e incêndios severos.
- Pontes mais resistentes: substituir pontes de madeira por estruturas de concreto e aduelas pré-moldadas para manter a circulação em condições climáticas adversas.
- Drenagem e saneamento: financiar obras de drenagem pluvial, saneamento e aterros sanitários para reduzir alagamentos e ampliar a resiliência urbana.
Contradições e lacunas: O plano prioriza a adaptação da infraestrutura produtiva, como a expansão da rede elétrica para irrigação, enquanto mantém o incentivo à conversão legal de vegetação nativa, que pode reduzir a resiliência dos ecossistemas. Não apresenta um plano estadual de adaptação voltado às populações vulneráveis nem detalha medidas para periferias expostas a alagamentos e calor extremo, para a segurança hídrica e alimentar ou para pequenos agricultores sem recursos para irrigação.
Resumo
O plano propõe criar um Programa Estadual de Bioeconomia e Clima que reúna instituições de pesquisa, setor produtivo e órgãos ambientais. Prevê formação e pesquisa em biotecnologia, agronegócio de precisão e agregação de valor à produção, além de apoio a negócios verdes e comunitários. Também incentiva o uso sustentável dos recursos da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal, o ecoturismo em unidades de conservação e a projeção internacional da marca Made in Mato Grosso, associada à rastreabilidade, às tecnologias verdes e aos créditos de carbono.
Na transição energética, propõe formação em energia solar, biomassa e biogás, adoção de bioinsumos e eficiência energética e ampliação da cadeia de biocombustíveis derivados de milho e soja. O Programa MT Trifásico prevê expandir a rede elétrica no campo para atender à irrigação, à refrigeração e à secagem de grãos. Para enfrentar o desmatamento e os incêndios, o plano aposta no uso sustentável da floresta, no monitoramento e na atuação conjunta de órgãos públicos, municípios e produtores. No Pantanal, prevê manejo integrado do fogo, aceiros permanentes e brigadas de pronta resposta.
Para os povos originários, apresenta ações de formação de professores, acesso ao ensino superior, valorização cultural e assistência social intercultural, além de atendimento itinerante e fomento a pesquisas com repartição de benefícios. Na adaptação climática, propõe substituir pontes de madeira por estruturas mais resistentes e financiar drenagem pluvial e saneamento urbano, além das ações de prevenção ao fogo no Pantanal.
Wellington Fagundes (PL)
Natural de Rondonópolis, foi deputado federal por seis mandatos e é senador desde 2015. Sua atuação se concentra em logística e infraestrutura, com apoio a projetos ferroviários, rodoviários e de navegação em Mato Grosso. Alinhado ao bolsonarismo, concorre com o empresário Reinaldo Morais (Novo), ligado à suinocultura, como vice.
Bioeconomia e desenvolvimento sustentável
- Hub de Bioeconomia e Economia Verde: Criar núcleo estadual para conectar os diversos atores da cadeia da bioeconomia.
- Capacitação e Inovação na Bioeconomia: Fomentar a formação de empreendedores, pesquisadores e técnicos em bioeconomia
- Mercado de Carbono: Estruturar o Mato Grosso como plataforma de acesso a mercados de carbono e ativos ambientais.
- Selo de Sustentabilidade: Criar certificação ambiental estadual para propriedades que cumprem rigorosos padrões de preservação, regularização e boas práticas.
- Centro no Pantanal: Consolidar centro de inovação, pesquisa e extensão ambiental no Pantanal.
Contradições e lacunas: O plano propõe um Hub de Bioeconomia e a participação no mercado de carbono, mas também aposta na expansão do agronegócio e de obras de transporte com possíveis impactos sobre o Pantanal, como a Hidrovia Paraguai–Paraná. Não define financiamento direto nem metas de inclusão para cadeias extrativistas e comunitárias conduzidas por quem já vive do manejo sustentável da floresta e do Cerrado.
Transição energética
- Incentivo à Economia Verde: Ampliar a geração de energia sustentável no estado para posicionar Mato Grosso como protagonista da transição energética nacional e apoiar a pesquisa aplicada ao meio ambiente.
- Biocombustíveis Avançados: Posicionar Mato Grosso como polo atrativo de investimentos em biocombustíveis avançados.
- Programa MT Energia Limpa e Renovável: Conceder incentivos tributários para a instalação de parques solares e usinas de biomassa.
- Infraestrutura Elétrica no Campo: Dar continuidade e ampliar o programa de expansão da rede trifásica de energia elétrica para regiões rurais e turísticas.
- Energia em Prédios Públicos e PCHs: Instalar painéis fotovoltaicos em prédios públicos e dar celeridade ao licenciamento ambiental de Micro e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) sustentáveis com baixo impacto.
Contradições e lacunas: O plano incentiva biocombustíveis e propõe acelerar o licenciamento de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), mas não detalha como avaliar os efeitos acumulados dessas atividades sobre rios, biodiversidade aquática e segurança hídrica. Também deixa de prever medidas para ampliar o acesso à energia solar distribuída entre famílias de baixa renda, moradores de periferias e assentamentos rurais.
Desmatamento e queimadas
- Monitoramento Ambiental Inteligente: Desenvolver centro estadual de inteligência ambiental integrando dados de satélites, drones e inteligência artificial para detectar desmatamento e focos de incêndio em tempo real.
- Combate às Queimadas no Pantanal: Criar sistema integrado de prevenção de riscos ambientais (satélites, drones, IA, sensores, brigadas locais e centro de comando) com adoção de protocolos unificados do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.
- Preservação de Biomas: Desenvolver o Programa Pantanal Sustentável 2030 para execução do Estatuto do Pantanal, com foco na restauração de áreas degradadas, monitoramento em tempo real e harmonização entre produção e conservação.
- Estrutura dos Bombeiros: Renovar e padronizar a frota de salvamento/combate a incêndio e expandir a presença do Corpo de Bombeiros para municípios estratégicos do interior.
- Educação Ambiental: Implementar campanhas educativas contínuas voltadas a produtores rurais, escolas e comunidades locais formando multiplicadores de práticas sustentáveis.
Contradições e lacunas: O plano prevê inteligência artificial para detectar o desmatamento, mas também propõe acelerar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e simplificar licenças, sem explicar como manter o rigor das verificações. Não estabelece meta de redução do desmatamento nem detalha ações contra a grilagem de terras públicas e a conversão legal de vegetação nativa no Cerrado e na Amazônia.
Povos originários
- Cuidado na Saúde: Organizar fluxos de regulação e ampliar o acesso da população indígena e quilombola aos serviços na rede estadual de saúde (consultas, exames, internações e tratamentos).
- Educação Escolar Indígena: Fortalecer a educação escolar dos povos originários e quilombolas.
- Combate aos Ilícitos Territoriais: Implementar programa estadual de combate ao garimpo ilegal, com fiscalização intensiva, repressão ao crime organizado e proteção dos territórios indígenas.
- Mediação de Conflitos Fundiários: Instituir canal permanente de diálogo e mediação entre os povos originários, o setor produtivo e os órgãos públicos envolvidos na regularização territorial.
- Segurança Hídrica: Fomentar a implantação de estruturas de captação e tratamento de água para comunidades rurais e tradicionais vulneráveis.
Contradições e lacunas: O plano prevê combate ao garimpo ilegal e mediação de conflitos, mas também prioriza hidrovias, ferrovias e projetos na ZPE de Cáceres sem explicitar como garantirá a consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas. Na proteção territorial, não detalha ações estaduais para prevenir invasões, fiscalizar áreas sob pressão e apoiar a gestão dos territórios indígenas e quilombolas.
Adaptação climática
- Sistema Estadual de Resiliência Climática: Apoiar os municípios na elaboração de planos de prevenção e resposta a secas, enchentes, queimadas e ondas de calor.
- Saúde Climática: Implantar política de saúde climática com protocolos específicos para ondas de calor e doenças respiratórias associadas a queimadas, com prioridade para populações vulneráveis, idosos e crianças.
- Cidades Resilientes: Desenvolver programas de drenagem urbana, arborização adaptativa (corredores verdes) e contenção de enchentes com apoio técnico e financeiro aos municípios.
- Segurança Hídrica Urbana e Rural: Fortalecer ações de proteção e recuperação de mananciais, monitoramento de bacias hidrográficas e ampliação da capacidade dos municípios para enfrentar períodos de estiagem e eventos climáticos extremos.
- Gestão de Emergências Ambientais: Reestruturar e fortalecer o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para resposta integrada a riscos ambientais e emergências.
Contradições e lacunas: O plano propõe um Sistema Estadual de Resiliência Climática, mas também incentiva obras hidroviárias, o licenciamento acelerado de pequenas centrais hidrelétricas e a expansão agrícola, sem detalhar como avaliar seus efeitos conjuntos sobre rios, vegetação e segurança hídrica. Para as ações de adaptação, faltam metas, prazos e financiamento definidos, além de medidas específicas para periferias expostas a enchentes e calor extremo e para agricultores familiares e assentamentos com poucos recursos.
Resumo
O plano de Wellington Fagundes propõe criar um Hub de Bioeconomia para conectar pesquisadores, empreendedores e setor produtivo, além de oferecer capacitação na área. Também prevê ampliar o acesso ao mercado de carbono, criar um selo estadual de sustentabilidade para propriedades rurais e consolidar um centro de pesquisa e inovação ambiental no Pantanal.
Na transição energética, propõe atrair investimentos em biocombustíveis avançados, conceder incentivos tributários a parques solares e usinas de biomassa e ampliar a rede elétrica trifásica no campo. Prevê ainda painéis solares em prédios públicos e maior rapidez no licenciamento de micro e pequenas centrais hidrelétricas. Para enfrentar o desmatamento e as queimadas, apresenta um centro de inteligência ambiental com dados de satélites, drones e inteligência artificial, brigadas locais, reforço do Corpo de Bombeiros e ações de restauração no Pantanal.
Para os povos originários, o plano prevê ampliar o acesso à saúde e fortalecer a educação escolar indígena, além de combater o garimpo ilegal, criar um canal de mediação de conflitos fundiários e apoiar estruturas de abastecimento de água em comunidades vulneráveis. Na adaptação climática, propõe auxiliar municípios a planejar respostas a secas, enchentes e ondas de calor, com medidas de drenagem, arborização, proteção de mananciais e fortalecimento da Defesa Civil e dos serviços de saúde.
Doutora Natasha Slhessarenko (PSD)
Médica pediatra, professora da Universidade Federal de Mato Grosso e empresária, disputa seu primeiro cargo eletivo. É filha de Serys Slhessarenko, primeira mulher eleita senadora pelo Mato Grosso. Foi conselheira federal titular por Mato Grosso no Conselho Federal de Medicina (CFM). Sua candidatura foi construída no PSD sob a liderança do senador Carlos Fávaro, com apoio do PT, e tem Diogo Botelho (PDT) como vice.
Bioeconomia e desenvolvimento sustentável
- Estratégias de Ensino e Bionegócios: Alinhamento da expansão da educação profissional aos arranjos produtivos locais, bioeconomia, agricultura familiar, agroecologia e economia verde.
- Incentivo Industrial e Recursos Naturais: Incentivo à indústria de transformação e à bioeconomia. Abertura de linha de crédito e assistência técnica para a agricultura familiar com estímulo aos cultivos sustentáveis de maior valor agregado adaptados ao clima do estado (ex.: sistemas semi-hidropônicos).
- Desenvolvimento e Soluções Tecnológicas: Polo ou incubadora dedicado a soluções tecnológicas inteligentes para a produção e otimização do agronegócio, conectado a universidades e institutos de pesquisa.
Contradições e lacunas: O plano defende a bioeconomia, a agroecologia e a agricultura familiar, mas mantém o apoio à produção de commodities em grande escala sem explicar como equilibrará incentivos e infraestrutura entre esses modelos. Também não define metas, orçamento ou financiamento para a bioeconomia comunitária, nem detalha como polos de inovação atenderão pequenos produtores, extrativistas e comunidades tradicionais.
Transição energética
- Mobilidade Urbana e Logística Verde: Retomada da mobilidade estruturante sobre trilhos em Cuiabá e Várzea Grande (transporte elétrico/BRT/VLT) sob cronograma público e metas trimestrais.
- Infraestrutura Energética Rural: Programa de eletrificação rural tratado como infraestrutura básica pré-condição para o desenvolvimento nos municípios do interior.
- Compromisso com Carbono Neutro: Emissões de carbono mensuradas, auditadas e verificadas por instituição independente, vinculadas ao avanço da meta de carbono neutro do estado.
Contradições e lacunas: O plano prioriza a retomada do transporte elétrico e sobre trilhos em Cuiabá e Várzea Grande, mas apresenta propostas genéricas para a transição energética no campo, na indústria e no transporte de cargas. Não define metas para ampliar fontes renováveis e eficiência energética nem medidas para substituir combustíveis fósseis nesses setores.
Desmatamento e queimadas
- Força-Tarefa contra a Ilegalidade: Integração entre a Secretaria de Meio Ambiente e a Segurança Pública no combate ao desmatamento criminoso, garimpo e extração ilegal de minérios. Universalização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) digital e revisão do ICMS Ecológico para premiar a preservação do território.
- Adequação Orçamentária e Fiscalização: Recomposição do orçamento ambiental e do efetivo de fiscalização dimensionados pela área territorial.
- Adesão ao Cumprimento da Lei: Apoio ao agronegócio regularizado que atua em conformidade com compromissos socioambientais, incluindo acordos privados de rastreabilidade como a Moratória da Soja.
Contradições e lacunas: O plano critica a alta do desmatamento em Mato Grosso, mas concentra as respostas na fiscalização, no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e na recomposição orçamentária, sem estabelecer metas relacionadas ao desmatamento zero ou enfrentar a conversão legal de vegetação nativa. Também não detalha medidas de prevenção de grandes incêndios, como brigadas comunitárias permanentes e planos específicos para o Pantanal e o Cerrado.
Povos originários
- Estrutura Própria de Governo: Criação de uma estrutura específica de governo para os povos indígenas de Mato Grosso, dotada de orçamento próprio e equipe técnica. Coordenação direta das áreas de educação escolar indígena, saúde, proteção territorial e desenvolvimento econômico.
- Representação e Direitos Deliberativos: Participação garantida de lideranças indígenas em todas as decisões que afetem seus territórios, além de assistência técnica/extensão rural desenhadas para práticas produtivas tradicionais, artesanato, extrativismo sustentável e turismo de base comunitária.
- Acesso a Mercado e Educação Intercultural: Garantia de acesso da produção indígena e quilombola às compras públicas do Estado; ampliação da formação intercultural de professores indígenas com elaboração de material didático específico por povo e por língua; bolsas e suporte à permanência no ensino técnico e superior.
- Saúde e Práticas Culturais: Protocolo de parto humanizado com respeito integral às práticas culturais de mulheres indígenas e do campo na rede de saúde.
Contradições e lacunas: O plano promete ampliar a participação indígena nas decisões territoriais, mas também apoia grandes obras de infraestrutura sem detalhar como prevenir conflitos com os territórios afetados. Embora proponha educação, saúde intercultural e assistência técnica, não esclarece como o governo estadual atuaria na proteção contra invasões e no apoio à gestão desses territórios.
Adaptação climática
- Educação Ambiental e Biomas: Inclusão da educação ambiental como eixo formativo permanente ligado aos 3 biomas de Mato Grosso (Cerrado, Pantanal e Amazônia).
- Segurança Hídrica e Recuperação de Nascentes: Monitoramento público contínuo da qualidade da água e programa de recuperação de nascentes e matas ciliares em parceria com produtores rurais.
- Saneamento e Drenagem em Cidades Resilientes: Universalização do saneamento básico (água, esgoto e drenagem) com metas escalonadas regionalmente.
Contradições e lacunas: O plano propõe auditar emissões e alcançar a neutralidade de carbono, mas não integra essas metas a medidas de adaptação para setores expostos a secas e à escassez de água. Embora cite saneamento e monitoramento de rios, não apresenta um plano estadual com ações específicas para proteger periferias e pequenos agricultores de enchentes, calor extremo e insegurança hídrica.
Resumo
O plano de Doutora Natasha propõe vincular a educação profissional à bioeconomia, à agricultura familiar, à agroecologia e aos arranjos produtivos locais. Prevê crédito e assistência técnica para cultivos sustentáveis de maior valor agregado, incentivos à indústria de transformação e a criação de um polo de soluções tecnológicas ligado a universidades e institutos de pesquisa.
Na transição energética, apresenta a retomada de um projeto de transporte elétrico sobre trilhos entre Cuiabá e Várzea Grande, a ampliação da eletrificação rural e a verificação independente das emissões associadas à meta estadual de carbono neutro. Para enfrentar o desmatamento, propõe integrar os órgãos ambientais e de segurança pública, ampliar a fiscalização, digitalizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e rever o ICMS Ecológico para incentivar a preservação.
Para os povos originários, o plano prevê uma estrutura específica de governo, com orçamento e equipe técnica, além da participação de lideranças indígenas nas decisões que afetem seus territórios. Inclui apoio às atividades produtivas tradicionais, acesso às compras públicas, educação intercultural e atendimento de saúde que respeite práticas culturais. Na adaptação climática, propõe educação ambiental nos três biomas, monitoramento da qualidade da água, recuperação de nascentes e matas ciliares e ampliação do saneamento e da drenagem urbana.