Eleições 2026: Conheça as propostas dos candidatos à presidência

Eleições 2026 colocam em disputa projetos distintos para a Amazônia, com divergências sobre bioeconomia, petróleo, desmatamento, povos indígenas e adaptação climática.

A disputa pela Presidência ocorre em meio à reconfiguração da política socioambiental brasileira: o desmatamento recuou nos últimos anos, garimpo, grilagem e outras atividades ilegais continuam pressionando a Amazônia e as terras indígenas. O próximo governo terá de enfrentar ainda os efeitos do novo marco do licenciamento ambiental, a expansão da mineração de terras raras e minerais críticos, e a contradição entre o avanço de renováveis e a exploração de petróleo e gás.

Nesse cenário, a bioeconomia ganhou espaço no debate eleitoral como alternativa de renda a partir da floresta em pé, mas ainda esbarra na falta de crédito, infraestrutura e acesso a mercados, um entrave à inclusão das comunidades locais nas etapas mais rentáveis das cadeias produtivas.

A pesquisa CNT/MDA, divulgada em 15 de setembro, mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança, com 40,6% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30,4%, seguido por Augusto Cury (Avante), com 6%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 4%. Renan Santos (Missão) tem 2,7%; os demais ficam abaixo de 2%. Brancos e nulos somam 6%, e 7,5% permanecem indecisos. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Com a conclusão dos julgamentos pela Justiça Eleitoral, foram validadas 12 chapas para a Presidência. Além dos candidatos mais bem posicionados, concorrem Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Romeu Zema (Novo), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Renan Santos (Missão), Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC).

A reportagem compara os planos de governo registrados no TSE pelos quatro candidatos mais bem colocados na pesquisa CNT/MDA, com foco em bioeconomia e desenvolvimento sustentável, transição energética, combate ao desmatamento e às queimadas, povos originários e adaptação climática. Confira os projetos apresentados por cada candidatura.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi metalúrgico, é ex-líder sindical e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, participou da criação da Central Única dos Trabalhadores e foi eleito deputado federal constituinte em 1986. Depois de disputar a Presidência em 1989, 1994 e 1998, venceu as eleições e governou o país de 2003 a 2010 e retornou ao cargo em 2023. Identificado com políticas de redução das desigualdades, fortalecimento do Estado e ampliação de programas sociais, concorre a um quarto mandato presidencial, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Neoindustrialização verde: Propõe inserir a bioeconomia na estratégia de neoindustrialização verde, aproveitando economicamente a biodiversidade e estruturando cadeias produtivas sustentáveis.
  • Financiamento climático: Prevê mobilizar recursos do Fundo Amazônia, do Eco Invest e do Fundo Florestas Tropicais para Sempre para financiar atividades produtivas de baixo carbono.
  • Inclusão produtiva: Busca direcionar investimentos, geração de renda e oportunidades econômicas às populações das regiões Norte e Nordeste.
  • Integração amazônica: Pretende consolidar a Amazônia como eixo estratégico de integração regional, fortalecendo a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica em áreas como a bioeconomia.
  • Aproveitamento de resíduos: Propõe utilizar subprodutos da agroindústria como matérias-primas para novas cadeias da bioeconomia, reduzindo desperdícios e ampliando a agregação de valor.

Contradições e lacunas: Embora apresente a bioeconomia como eixo da neoindustrialização verde e da valorização da floresta em pé, o plano mantém incentivos ao agronegócio de commodities e a grandes projetos de infraestrutura, que podem ampliar a pressão sobre os biomas. Faltam mecanismos detalhados para direcionar recursos do Fundo Amazônia, do Fundo Florestas Tropicais para Sempre e de outros instrumentos às iniciativas comunitárias, além de regras claras para a repartição de benefícios e a prevenção de contratos abusivos e greenwashing no mercado de carbono. As propostas também permanecem concentradas na Amazônia e nos biocombustíveis do Centro-Sul, com menor atenção às potencialidades de outros biomas.

Transição energética

  • Fontes renováveis: Propõe ampliar a geração de energia solar, eólica e de biomassa, além de fomentar o hidrogênio de baixa emissão com recursos do Fundo Clima.
  • Mercado de carbono: Prevê fortalecer o mercado regulado de carbono e utilizar a transição energética como instrumento de atração de investimentos internacionais.
  • Continuidade dos combustíveis fósseis: Defende a manutenção dos investimentos da Petrobras e da exploração de petróleo e gás durante a transição, sob o argumento de preservar a segurança energética e gerar receitas para o país.

Contradições e lacunas: A promessa de liderar a transição para uma economia de baixo carbono convive com a ampliação da exploração de petróleo e gás, inclusive em novas fronteiras, além do aumento da produção, do refino e da infraestrutura fóssil. O gás natural também aparece como fonte de segurança para compensar a variabilidade da geração solar e eólica, sem metas suficientes para armazenamento, biomassa e outras alternativas. O plano não estabelece uma trajetória de redução dos combustíveis fósseis nem prazos para seu abandono gradual.

Desmatamento e queimadas

  • Meta de desmatamento: Propõe alcançar o desmatamento líquido zero – o desmatamento líquido zero ocorre quando a área de vegetação nativa desmatada é compensada pela recuperação ou regeneração de uma área equivalente – até 2030 em todos os biomas brasileiros.
  • Planos de prevenção e controle: Prevê manter a atuação integrada dos órgãos federais na execução do PPCDAm, do PPCerrado e dos demais planos de prevenção e controle do desmatamento.
  • Fiscalização ambiental: Promete reforçar a capacidade operacional e orçamentária do Ibama e do ICMBio, além de utilizar inteligência financeira e dados para identificar e responsabilizar infratores ambientais.
  • Manejo integrado do fogo: Propõe implementar plenamente o Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo, associando o combate às queimadas à prevenção de secas e à redução dos riscos de incêndios florestais.
  • Legislação ambiental: Prevê assegurar a aplicação do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica como instrumentos de proteção da vegetação nativa.
  • Destinação de terras públicas: Pretende destinar terras públicas não alocadas à criação de unidades de conservação, terras indígenas, territórios quilombolas e assentamentos, além de reforçar a regularização fundiária.
  • Monitoramento tecnológico: Propõe ampliar os investimentos em radares, drones, sensores, imagens de satélite e centros integrados de comando e controle.
  • Combate ao crime ambiental: Prevê integrar a detecção do desmatamento às ações de segurança pública e incorporar o monitoramento das rotas fluviais ao sistema nacional de enfrentamento aos crimes ambientais.

Contradições e lacunas: A meta de alcançar o desmatamento líquido zero até 2030 convive com a expansão agropecuária e da produção de biocombustíveis sem limites explícitos para a abertura de novas áreas. Na regularização fundiária, faltam critérios rigorosos e mecanismos para impedir que ocupações recentes de terras públicas sejam legalizadas, o que deixa em aberto a ocorrência de novos ciclos de grilagem. Apesar do uso previsto de satélites, drones e inteligência financeira, o plano não detalha orçamento, concursos ou recomposição permanente do Ibama e do ICMBio. Também não define prazos para a rastreabilidade obrigatória da pecuária, da soja e de outras cadeias associadas ao desmatamento, nem apresenta estrutura específica e permanente de prevenção e combate aos incêndios no Cerrado e no Pantanal.

Povos originários e territórios

  • Demarcação de terras indígenas: Propõe dar continuidade aos processos de demarcação e homologação dos territórios indígenas.
  • Proteção territorial: Prevê consolidar políticas de proteção e sustentabilidade destinadas aos povos indígenas e às comunidades quilombolas.
  • Desintrusão e fiscalização: Promete intensificar as operações de retirada de invasores e o combate ao garimpo ilegal, ao desmatamento e a outros ilícitos ambientais em territórios protegidos.
  • Destinação territorial: Inclui terras indígenas e territórios quilombolas entre as prioridades para a destinação de áreas públicas ainda não alocadas.

Contradições e lacunas: O compromisso com a demarcação, homologação e desintrusão de terras indígenas (TIs) não vem acompanhado de uma estratégia para enfrentar as barreiras políticas, legislativas e orçamentárias relacionadas ao marco temporal e às possíveis indenizações de ocupantes privados. A defesa da autonomia territorial também entra em tensão com a falta de menções à proteção contra obras de grande impacto e o avanço da mineração. Faltam também medidas para assegurar a presença permanente do Estado nas TIs, impedir a reocupação e oferecer serviços públicos e alternativas econômicas duradouras. O plano ainda não estabelece regras vinculantes para a consulta prévia, livre e informada, salvaguardas para os mercados de carbono nem fontes permanentes de financiamento para a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas.

Adaptação climática

  • Infraestrutura urbana resiliente: Propõe ampliar obras de contenção de encostas e drenagem urbana sustentável, priorizando áreas classificadas como de risco alto ou muito alto em municípios afetados por deslizamentos e inundações.
  • Infraestrutura verde: Prevê fomentar a adaptação por meio da recuperação de bacias hidrográficas, proteção de mananciais, infraestrutura verde e ocupação resiliente do território.
  • Defesa Civil: Propõe aperfeiçoar a capacidade de prevenção e resposta a desastres, com fortalecimento da Defesa Civil e ampliação das políticas de redução de riscos.
  • Planejamento permanente: Pretende institucionalizar a adaptação climática como eixo permanente do planejamento público e dar continuidade ao Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima.
  • Planos estaduais e municipais: Prevê estimular estados e municípios a elaborarem planos de enfrentamento ao calor extremo e de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
  • Proteção às populações atingidas: Propõe aprimorar protocolos de atendimento e oferta de políticas públicas às pessoas afetadas ou deslocadas por desastres climáticos, tomando como referência a resposta às enchentes no Rio Grande do Sul.
  • Caatinga e Semiárido: Pretende reconhecer a Caatinga como ativo estratégico para adaptação, mitigação de emissões, combate à desertificação e restauração ecológica.
  • Financiamento climático regional: Propõe estruturar mecanismos permanentes de financiamento climático para o Semiárido brasileiro.
  • Compromissos internacionais: Prevê alinhar as políticas nacionais de adaptação e mitigação à NDC brasileira para 2035 e ao Acordo de Paris.

Contradições e Lacunas: Embora priorize infraestrutura verde, drenagem, contenção de encostas e prevenção de desastres, o plano não demonstra como essas medidas serão articuladas a um modelo de desenvolvimento que continua ampliando atividades responsáveis pelas emissões e pela degradação dos ecossistemas. A promessa de justiça climática também carece de indicações de investimentos em grandes obras de mobilidade e habitação sem prioridade claramente definida para adaptar periferias consolidadas, reassentar famílias e evitar novas ocupações em áreas de risco. Faltam ainda transferências permanentes para municípios com baixa capacidade fiscal e técnica, direitos e apoio de longo prazo para pessoas deslocadas por desastres e metas mensuráveis, como o número de municípios com planos de adaptação, moradias retiradas de áreas de risco, encostas protegidas e sistemas de drenagem implantados.

Resumo

O plano de Lula apresenta a agenda socioambiental como parte de uma estratégia de desenvolvimento baseada na neoindustrialização verde, na bioeconomia e na transição para atividades de menor emissão. Entre as principais propostas estão o fortalecimento das cadeias produtivas da biodiversidade, a inclusão econômica das populações do Norte e do Nordeste e a mobilização de recursos do Fundo Amazônia, do Eco Invest, do Fundo Clima e do Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Na área energética, prevê ampliar fontes solar, eólica, biomassa e hidrogênio de baixa emissão, fortalecer o mercado regulado de carbono e manter a exploração de petróleo e gás durante a transição.

Para enfrentar o desmatamento e as queimadas, o programa estabelece a meta de desmatamento líquido zero até 2030 e propõe reforçar o PPCDAm, o PPCerrado, o Ibama e o ICMBio. Também prevê ampliar o monitoramento por satélites, radares, drones e sensores, integrar a fiscalização ambiental às ações de segurança pública e intensificar o combate ao garimpo, à grilagem e a outros crimes ambientais. A destinação de terras públicas para unidades de conservação, terras indígenas, territórios quilombolas e assentamentos completa essa estratégia.

O plano ainda propõe avançar na demarcação de terras indígenas, ampliar as operações de desintrusão e consolidar políticas de proteção territorial para povos originários e comunidades quilombolas. Na adaptação climática, prioriza obras de drenagem e contenção de encostas, recuperação de bacias hidrográficas, proteção de mananciais e fortalecimento da Defesa Civil. Também pretende tornar a adaptação um eixo permanente do planejamento público, apoiar planos estaduais e municipais, estruturar financiamento climático para o Semiárido e aprimorar a proteção às populações afetadas ou deslocadas por eventos extremos.

Flávio Bolsonaro (PL)

Flávio Bolsonaro (PL) é advogado, empresário e senador pelo Rio de Janeiro. Iniciou a trajetória eleitoral em 2002 e exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual, entre 2003 e 2019. Em 2018, foi eleito senador com 4,37 milhões de votos, equivalentes a 31,3% dos votos válidos no estado. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, representa a continuidade política do bolsonarismo e mantém um perfil conservador, com atuação concentrada em segurança pública, endurecimento penal, defesa do armamento civil e pautas econômicas liberais. Disputa pela primeira vez a presidência, com Alfredo Gaspar (PL) como vice. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Renda com a floresta preservada: Propõe ampliar alternativas de renda por meio de cadeias produtivas sustentáveis, manejo responsável, bioeconomia e agregação de valor aos produtos da biodiversidade.
  • Livre iniciativa: Trata a bioeconomia sob uma lógica de mercado, sem apresentar mecanismos estatais claros de repartição dos benefícios com povos indígenas, comunidades tradicionais e populações locais.
  • Financiamento de organizações: Propõe exigir transparência sobre financiadores, projetos e aplicação dos recursos recebidos do exterior por organizações não governamentais.

Contradições e lacunas: A proposta de gerar renda com a floresta preservada convive com a defesa da flexibilização do licenciamento ambiental, a aprovação tácita de licenças e a redução de normas, medidas que podem ampliar grandes obras, mineração e agropecuária sobre territórios importantes para a bioeconomia. A autonomia econômica de povos e comunidades tradicionais também é defendida sem salvaguardas claras contra a atuação de empresas e terceiros. Faltam mecanismos públicos de repartição de benefícios, proteção dos conhecimentos tradicionais e investimentos detalhados em pesquisa, biotecnologia e desenvolvimento de produtos da biodiversidade.

Transição energética

  • Industrialização dos minerais críticos: Propõe processar e agregar valor aos minerais críticos dentro do Brasil, evitando que o país permaneça apenas como exportador de matérias-primas.
  • Regulação e investimentos: Defende um marco regulatório, um licenciamento ambiental mais ágil e incentivos de mercado para atrair capital, tecnologia e empresas interessadas na verticalização das cadeias minerais.
  • Transferência tecnológica: Pretende atrair investimentos estrangeiros e incorporar tecnologias já utilizadas em outros países.
  • Biocombustíveis: Propõe ampliar a produção de etanol, biodiesel, óleo vegetal hidrotratado, combustível sustentável de aviação e biogás, com aplicação da Lei do Combustível do Futuro e linhas especiais de financiamento.
  • Expansão do gás e do petróleo: Propõe ampliar a exploração de petróleo e gás, aumentar a produção de gás natural no pré-sal para abastecer o mercado interno e desenvolver tecnologias nacionais para o setor.
  • Exploração por fracking: Defende a exploração de gás não convencional por fraturamento hidráulico, técnica conhecida como fracking.
  • Fontes renováveis e armazenamento: Prevê integrar novas fontes renováveis, regulamentar diferentes modalidades de geração com foco na redução do preço da energia e implantar um programa de armazenamento com baterias de grande porte e outras tecnologias.
  • Data centers sustentáveis: Busca transformar o Brasil em polo internacional de data centers, aproveitando a elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica.
  • RenovaBio e mercado de carbono: Pretende fortalecer o RenovaBio e projetar o programa para o mercado internacional, permitindo a comercialização de créditos de descarbonização brasileiros no exterior.

Contradições e lacunas: O incentivo às fontes renováveis, ao armazenamento e aos biocombustíveis convive com a expansão do pré-sal, do gás convencional e do fracking, sem metas ou prazos para reduzir emissões e abandonar os combustíveis fósseis. Além de prolongar a infraestrutura fóssil, o fraturamento hidráulico pode contaminar águas e solos, gerar resíduos tóxicos, emitir metano e provocar abalos sísmicos. O plano também defende um licenciamento ambiental ágil, mas não explica como o modelo funcionaria nem considera os possíveis riscos socioambientais da aceleração das análises. Faltam ainda salvaguardas territoriais e mecanismos de fiscalização para a exploração de gás não convencional e minerais críticos.


Desmatamento e queimadas

  • Proteção da Amazônia: Apresenta a região como área estratégica a ser protegida com soberania, presença estatal e geração de oportunidades para a população local.
  • Meta de desmatamento ilegal: Propõe zerar o desmatamento ilegal até 2029 em todos os biomas.
  • Fiscalização tecnológica: Prevê utilizar inteligência artificial, bancos de dados em tempo real, sensores, drones e imagens de satélite para identificar áreas críticas e orientar as operações.
  • Integração de dados: Propõe reunir sistemas e bases fundiárias e ambientais, combinando informações sobre a propriedade da terra com o monitoramento por satélite.
  • Grilagem e ocupações ilegais: Pretende concentrar as ações na grilagem, na ocupação irregular de áreas públicas e nos responsáveis pelo desmatamento ilegal, sem criar novos custos ou obrigações para produtores que atuam dentro da lei.
  • Áreas prioritárias: Prevê reforçar a fiscalização nos territórios mais pressionados pelo desmatamento e pelas queimadas, com atuação coordenada dos órgãos federais.
  • Crime ambiental organizado: Propõe combater organizações envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira, garimpo e ocupação irregular de terras públicas.
  • Cooperação internacional: Pretende ampliar a articulação com os países vizinhos para enfrentar crimes ambientais transfronteiriços, especialmente na Amazônia.
  • Licenciamento e Código Florestal: Defende rever regras de licenciamento ambiental e parâmetros do Código Florestal relacionados às Áreas de Preservação Permanente e reservas legais.

Contradições e lacunas: A meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029 não vem acompanhada de trajetória anual, metas intermediárias ou indicadores. O plano também não detalha orçamento, pessoal e mecanismos para converter o monitoramento tecnológico em embargos, multas e responsabilização. Faltam medidas contra fraudes fundiárias, desmatamentos autorizados de alto impacto e cadeias produtivas ligadas a áreas irregulares, além de detalhamento das ações contra organizações criminosas. A revisão do licenciamento e do Código Florestal permanece ambígua e pode fragilizar Áreas de Preservação Permanente e reservas legais.



Povos originários e territórios

  • Soberania territorial: Justifica o controle sobre recursos estrangeiros e organizações não governamentais como medida de proteção da soberania nacional e do interesse público na gestão dos territórios.
  • Autonomia produtiva: Propõe conceder a indígenas e quilombolas autonomia formal para decidir sobre atividades produtivas em seus territórios.
  • Compensações e indenizações: Prevê estabelecer regras para compensar ou indenizar comunidades quando restrições ao usufruto dos territórios estiverem relacionadas a grandes projetos ambientais ou de infraestrutura.
  • Obras de infraestrutura: Defende segurança jurídica para hidrovias, ferrovias, rodovias e outras obras que atravessem ou estejam próximas a territórios tradicionais. O plano prevê diálogo e compensações, mas prioriza o interesse público e o desenvolvimento nacional.
  • Mineração e recursos estratégicos: Incentiva pesquisas e exploração de minerais críticos e terras raras, com regulamentação específica e licenciamento ambiental mais ágil.
  • Reestruturação institucional: Propõe eliminar sobreposições de atribuições entre Funai, Ibama e ICMBio, sob o argumento de aumentar a eficiência, a agilidade e a coordenação da atuação estatal.
  • Regularização e orientação: Afirma que moradores da floresta, extrativistas e pequenos produtores não devem ser tratados como criminosos ou suspeitos. Propõe priorizar orientação, regularização e criação de oportunidades em substituição a autuações e medidas punitivas.
  • Fiscalização de ONGs: Prevê exigir transparência sobre financiadores, orçamentos, projetos e atividades de organizações não governamentais, especialmente daquelas que recebem recursos internacionais ou promovem ações judiciais contra a União.

Contradições e lacunas: A promessa de autonomia econômica para povos indígenas e quilombolas convive com a expansão de grandes obras, mineração, fracking e licenciamento acelerado, que podem reduzir o poder de decisão das comunidades sobre seus territórios. A proposta de eliminar sobreposições entre Funai, Ibama e ICMBio também pode fragilizar a proteção territorial, caso reduza as atribuições e a capacidade fiscalizatória desses órgãos. O plano não explica como distinguir pequenos produtores de agentes ligados a crimes ambientais ao priorizar orientação em vez de sanções. A fiscalização sobre ONGs também não apresenta critérios claros, o que pode restringir ou criminalizar a atuação de organizações contrárias aos interesses econômicos do governo. Faltam ainda metas para demarcações, medidas sobre o marco temporal, operações permanentes de desintrusão e protocolos que garantam a consulta prévia, livre e informada, inclusive diante da recusa das comunidades aos projetos.


Adaptação climática

  • Pagamento por Serviços Ambientais: Propõe remunerar proprietários rurais e comunidades que preservem vegetação nativa, protejam nascentes e recursos hídricos ou recuperem solos degradados.
  • Contenção de cheias: Propõe construir e ampliar barragens de usos múltiplos, reservatórios para controle de cheias, diques, canais e sistemas de drenagem e macrodrenagem urbana.
  • Defesa Civil e alertas: Prevê modernizar os sistemas de monitoramento e alertas preventivos e fortalecer a capacidade de resposta da Defesa Civil.
  • Áreas urbanas vulneráveis: Propõe urbanizar áreas degradadas e executar obras de contenção em encostas sujeitas a deslizamentos.
  • Infraestrutura hídrica: Pretende concluir e ampliar obras como os ramais do Apodi, Salgado e Piancó, a Adutora do Seridó, o Canal do Xingó e os canais do Sertão Baiano, Piauiense e Alagoano.
  • Reúso e irrigação: Prevê fomentar o reúso de água, ampliar áreas irrigadas e expandir polos de irrigação no Matopiba e no Semiárido.
  • Seguro Rural: Propõe ampliar e reformular o Seguro Rural, com mecanismos de securitização e reorganização de dívidas para reduzir as perdas financeiras provocadas por quebras de safra.
  • Armazenamento de grãos: Pretende aumentar a capacidade nacional de armazenagem para manter estoques de passagem e reduzir choques de oferta e preços durante secas e períodos de entressafra.

Contradições e lacunas: Um ponto de atenção é a falta de uso do termo “mudança climática” como eixo central, ainda assim o documento apresenta medidas de prevenção e resposta a eventos extremos. No entanto, não prevê ações específicas para populações e municípios vulneráveis, principais afetados pela crise climática. A expansão da irrigação e a concessão mais rápida de outorgas também podem acirrar a disputa pela água entre o agronegócio e o abastecimento humano durante secas. Faltam metas, prazos, protocolos, auxílios permanentes e políticas de reassentamento para pessoas deslocadas por desastres. O foco maior é no seguro de grandes proprietários e produtores rurais. O financiamento proposto depende principalmente de parcerias público-privadas e capital privado, sem um fundo federal contínuo para apoiar municípios com menor capacidade fiscal e técnica.

Resumo

O plano de Flávio Bolsonaro associa o desenvolvimento sustentável à livre iniciativa, à exploração econômica dos recursos naturais e à redução de entraves regulatórios. Na bioeconomia, propõe ampliar a r0enda gerada pela floresta preservada, pelo manejo sustentável e pelos produtos da biodiversidade. Também pretende industrializar minerais críticos no Brasil, atrair investimentos e tecnologia estrangeira, expandir biocombustíveis, fontes renováveis e sistemas de armazenamento de energia.

Na política energética, o programa prevê ampliar a exploração de petróleo e gás, incluindo o pré-sal e o gás não convencional por fracking, além de fortalecer o RenovaBio e a comercialização internacional de créditos de descarbonização. Na área ambiental, estabelece a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, com uso de inteligência artificial, satélites, sensores e drones. Também propõe combater grilagem, garimpo, extração ilegal de madeira e organizações criminosas, integrando dados ambientais e fundiários e ampliando a cooperação com países vizinhos.

Para indígenas e quilombolas, defende autonomia produtiva, compensações por grandes projetos e maior segurança jurídica para obras de infraestrutura e exploração de recursos estratégicos. O plano também propõe reorganizar as atribuições de Funai, Ibama e ICMBio e ampliar a transparência sobre a atuação de ONGs. Na adaptação a eventos extremos, prioriza obras contra cheias e deslizamentos, segurança hídrica, irrigação, fortalecimento da Defesa Civil, ampliação do Seguro Rural e pagamentos por serviços ambientais.

Augusto Cury (Avante)

Augusto Cury (Avante) é médico psiquiatra, escritor e professor. Conhecido pelos livros sobre saúde emocional, comportamento e inteligência, construiu sua trajetória profissional fora da política institucional e estreia em uma disputa eleitoral como candidato à Presidência. Apresenta-se com um discurso de alternativa à polarização, com pautas voltadas à saúde mental, à educação, ao empreendedorismo e à conciliação política. Também defende equilíbrio fiscal e a adoção do semipresidencialismo. Cury concorre com o ex-deputado federal Júlio Delgado (Avante) como vice.


Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Restauração e rastreabilidade: Propõe programas de reflorestamento com rastreabilidade digital e mecanismos de compensação ambiental auditada.
  • Fontes renováveis: Propõe ampliar investimentos em energia solar, eólica em terra e no mar, biomassa, energia das ondas e marés e pequenas centrais hidrelétricas.
  • Hidrogênio verde: Prevê criar o Corredor Nacional do Hidrogênio Verde e instalar polos industriais no Nordeste, com a meta de transformar o Brasil em um dos principais exportadores desse combustível.
  • Pesquisa e bioindústria: Propõe estimular pesquisa científica, biotecnologia e desenvolvimento de produtos industriais derivados da biodiversidade brasileira.
  • Mercado de carbono: Pretende regulamentar e ampliar o mercado de carbono, utilizando-o para incentivar reflorestamento, agricultura regenerativa e tecnologias de baixa emissão.
  • Pagamento por Serviços Ambientais: Prevê remunerar produtores rurais que conservem florestas e vegetação nativa em suas propriedades.
  • Amazônia Viva: Propõe apoiar microempresas de bioeconomia ligadas ao açaí, à castanha, aos óleos naturais, à pesca sustentável e ao ecoturismo, com participação de ribeirinhos e outras populações locais.

Contradições e lacunas: A valorização da biodiversidade convive com a proposta de dobrar a produção agropecuária, instalar 10 mil agroindústrias e implantar 100 usinas de etanol de milho. Mesmo com o uso previsto de áreas degradadas e novas tecnologias, essa expansão pode elevar a demanda por terra, água, energia e fertilizantes, ampliando a pressão sobre a Amazônia e o Cerrado.

Transição energética

  • Matriz de energia limpa: Estabelece a meta de alcançar 90% de energia limpa na matriz até 2040, com expansão da energia solar distribuída e centralizada, eólica em terra e no mar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e energia de ondas e marés.
  • Aproveitamento do Petróleo e Gás: Propõe o desenvolvimento e valorização da cadeia produtiva de petróleo e gás através da Zona Franca do Rio de Janeiro, que será focada em petroquímica, indústria naval e inovação tecnológica voltada para a cadeia fóssil existente.
  • Planejamento com inteligência artificial: Propõe criar uma plataforma nacional com inteligência artificial para mapear, em tempo real, o potencial de geração renovável de cada região.
  • Hidrogênio verde: Prevê implantar o Corredor Nacional do Hidrogênio Verde, com polos industriais em portos do Nordeste voltados à produção e à exportação para Europa, Ásia e Oriente Médio.
  • Meta internacional: Pretende colocar o Brasil entre os 3 maiores exportadores mundiais de hidrogênio verde até 2035.
  • Etanol de milho: Propõe instalar 100 grandes usinas capazes de processar mais de 100 milhões de toneladas de milho por ano, integrando a produção de biocombustíveis, energia, insumos para ração e proteína animal.
  • Indústria nacional: Prevê criar polos industriais e centros de inovação para fabricar equipamentos solares e eólicos no país.
  • Zona Franca de Fortaleza: Propõe instalar uma área industrial dedicada às energias renováveis e ao hidrogênio verde, com incentivos para atrair empresas e investimentos.

Contradições e lacunas: As metas de expansão das energias limpas convivem com o fortalecimento das cadeias de petróleo e gás natural na Zona Franca do Rio de Janeiro, sem prazos para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis ou medidas de transição justa para os trabalhadores do setor. A instalação de polos de hidrogênio verde no Nordeste pode intensificar a disputa pela água em regiões sujeitas ao estresse hídrico, pois o programa não informa a origem do recurso nem estabelece salvaguardas para o abastecimento humano e a agricultura. A expansão de parques solares, eólicos terrestres e marítimos e pequenas hidrelétricas também é proposta sem detalhar os medidas para prevenir impactos sobre comunidades, territórios, pesca artesanal e ecossistemas. Faltam ainda planos para ampliar as redes de transmissão e o armazenamento de energia, mecanismos de acesso à geração distribuída para a população de baixa renda e um marco regulatório para o licenciamento, os leilões e a ocupação de áreas destinadas à energia eólica em alto-mar.

Desmatamento e queimadas

  • Monitoramento permanente: Propõe criar um sistema nacional de monitoramento 24 horas, integrado a inteligência artificial e imagens de satélite, para detectar focos de calor em estágio inicial.
  • Previsão de riscos: Prevê utilizar modelos preditivos para identificar áreas com maior probabilidade de incêndios e orientar previamente a distribuição de equipes e equipamentos.
  • Drones de resposta rápida: Propõe manter frotas regionais de drones operados com inteligência artificial para apoiar as brigadas terrestres e aplicar agentes supressores de baixa toxicidade nos focos de fogo.
  • Comando integrado: Prevê instalar uma sala de comando para articular, em tempo real, órgãos federais e estaduais e coordenar a alocação de recursos de combate aos incêndios.
  • Pagamento por Serviços Ambientais: Propõe remunerar produtores rurais que conservem florestas e vegetação nativa em suas propriedades.
  • Mercado de carbono e restauração: Pretende incentivar projetos de reflorestamento com rastreabilidade digital, compensação ambiental e auditoria dos resultados.
  • Educação ambiental: Prevê campanhas permanentes de conscientização em escolas e meios de comunicação.
  • Controle social: Propõe criar comitês de fiscalização e transparência para acompanhar contratos e recursos destinados às políticas ambientais.

Contradições e lacunas: O combate tecnológico ao desmatamento e a geração de renda sustentável são concomitantes à meta de dobrar a produção agropecuária, instalar 10 mil agroindústrias e implantar 100 grandes usinas de etanol de milho. Mesmo com o uso previsto de áreas degradadas, essa expansão pode elevar a demanda por terra e água e pressionar as fronteiras agrícolas da Amazônia e do Cerrado. O plano também relaciona o desmatamento principalmente à pobreza, sem enfrentar de forma suficiente a atuação de grileiros, garimpeiros, madeireiros e agentes econômicos de maior porte. Faltam metas e prazos para combater o desmatamento, recursos e pessoal para fortalecer Ibama, ICMBio e Funai, além de medidas específicas para o Cerrado, o Pantanal, a Mata Atlântica e o Pampa. O documento não detalha ações policiais, financeiras e jurídicas para responsabilizar infratores, confiscar bens e desarticular as estruturas econômicas ligadas às queimadas e ao desmatamento criminoso.

Adaptação climática

  • Dessalinização: Propõe utilizar tecnologias de dessalinização da água do mar para ampliar a oferta hídrica no Nordeste.
  • Aquíferos subterrâneos: Prevê aproveitar reservas subterrâneas de água como parte da estratégia de enfrentamento às secas recorrentes.
  • Agricultura resiliente: Propõe incentivar culturas adaptadas aos climas árido e semiárido, combinadas a sistemas eficientes de irrigação por gotejamento e microaspersão.
  • Monitoramento climático: Prevê utilizar satélites e algoritmos de inteligência artificial para acompanhar eventos extremos e antecipar riscos de secas e incêndios.
  • Comando integrado: Prevê criar salas unificadas de comando para coordenar equipes, equipamentos e recursos em situações de emergência.
  • Infraestrutura nas periferias: Propõe realizar obras de canalização, contenção de encostas e infraestrutura básica em favelas e comunidades vulneráveis a temporais, inundações e deslizamentos.

Contradições e lacunas: As soluções tecnológicas para prever e responder a eventos extremos recebem mais destaque do que medidas preventivas baseadas na natureza, como a restauração de matas ciliares, manguezais, nascentes e cabeceiras de rios. O documento não apresenta um plano nacional integrado de adaptação nem políticas abrangentes para ilhas de calor, alagamentos urbanos e ocupações em encostas. Faltam ainda medidas de proteção social, moradia e reassentamento para pessoas deslocadas por desastres e mecanismos permanentes de financiamento para prevenção e reconstrução nos municípios.


Resumo


O plano de Augusto Cury associa a bioeconomia à inovação tecnológica, às energias renováveis e ao aproveitamento econômico da biodiversidade. Entre as principais propostas estão o estímulo à pesquisa científica, à biotecnologia e à bioindústria, além do apoio a microempresas amazônicas ligadas ao açaí, à castanha, aos óleos naturais, à pesca sustentável e ao ecoturismo. Também prevê ampliar o mercado de carbono, os pagamentos por serviços ambientais e os programas de reflorestamento com rastreabilidade digital.

Na transição energética, estabelece a meta de alcançar 90% de energia limpa na matriz até 2040 e colocar o Brasil entre os três maiores exportadores de hidrogênio verde até 2035. Para isso, propõe expandir as fontes solar, eólica, biomassa, pequenas hidrelétricas e energia oceânica, criar polos de hidrogênio verde no Nordeste e nacionalizar a fabricação de equipamentos. O programa também inclui uma plataforma de inteligência artificial para mapear o potencial energético e a implantação de 100 usinas de etanol de milho.

No combate ao desmatamento e às queimadas, prioriza monitoramento permanente por satélites, inteligência artificial, sensores e drones, com modelos de previsão de riscos e uma estrutura integrada de comando. A estratégia combina resposta rápida aos incêndios, educação ambiental, controle social e incentivos econômicos à conservação. Na adaptação climática, propõe dessalinização, aproveitamento de aquíferos, irrigação eficiente, culturas adaptadas ao Semiárido e obras de drenagem e contenção de encostas em comunidades vulneráveis.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado (PSD) é médico ortopedista, produtor rural e professor. Fundador e ex-presidente da União Democrática Ruralista, iniciou sua projeção nacional como representante do setor agropecuário e disputou a Presidência pela primeira vez em 1989. Exerceu cinco mandatos como deputado federal, foi senador entre 2015 e 2019 e assumiu o governo de Goiás em 2019, sendo reeleito para um segundo mandato. Conservador e ligado ao agronegócio, construiu sua atuação em torno da segurança pública, da responsabilidade fiscal, da propriedade privada e da modernização da produção rural. Volta a disputar a Presidência em 2026 com Gilberto Kassab (PSD) como vice.

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Mercado de carbono: Propõe estruturar um mercado regulado de carbono, integrado aos mercados voluntários e internacionais, com rastreabilidade das receitas destinadas à infraestrutura verde e à inclusão social.
  • Pagamento por Serviços Ambientais: Prevê remunerar proprietários rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais pela conservação da água, do solo, da biodiversidade e dos estoques de carbono.
  • Cadeias da biodiversidade: Propõe fortalecer atividades ligadas a fármacos, cosméticos, fibras, alimentos, óleos, sementes, madeira manejada e turismo de natureza, com agregação de valor próxima aos territórios produtores.
  • Rede Amazônica de Biotecnologia: Prevê articular universidades, empresas e comunidades em projetos de biotecnologia, nanotecnologia, propriedade intelectual e repartição de benefícios.
  • Programa Origens da Amazônia: Propõe ampliar indicações geográficas, marcas coletivas e sistemas de rastreabilidade para produtos amazônicos.
  • Agricultura de baixo carbono: Pretende incentivar a recuperação de pastagens degradadas e ampliar os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.
  • Bioinsumos e fertilizantes: Propõe fortalecer o Plano Nacional de Fertilizantes e estimular a produção nacional de insumos biológicos para a agropecuária.
  • Regularização ambiental: Pretende concluir a validação do Cadastro Ambiental Rural e ampliar a implementação do Código Florestal.

Contradições e lacunas: A promessa de rigor ambiental convive com a adoção do licenciamento por risco, de procedimentos simplificados e de prazos fixos, que podem limitar a análise de impactos cumulativos ou de projetos em territórios sensíveis. A valorização da sociobiodiversidade também contrasta com a prioridade concedida ao agronegócio de grande escala e às infraestruturas de escoamento, enquanto a expansão da bioenergia ocorre ao lado da exploração de petróleo em novas fronteiras. Faltam fontes permanentes para financiar os pagamentos por serviços ambientais e mecanismos de crédito acessível para a transição dos pequenos produtores.

Transição energética

  • Plano Decenal de Bioenergia: Propõe integrar a produção de etanol, biodiesel, biometano, combustível sustentável de aviação e hidrogênio de baixa emissão em um planejamento de dez anos.
  • Certificação dos biocombustíveis: Prevê harmonizar as metodologias brasileiras de análise do ciclo de vida com os padrões internacionais para facilitar certificações e acesso aos mercados externos.
  • Mobilidade de baixa emissão: Propõe incentivar veículos híbridos flex, combinando biocombustíveis e eletrificação.
  • Transporte coletivo e cargas: Pretende ampliar a eletrificação do transporte público e o uso de biometano e biodiesel em veículos pesados.
  • Armazenamento de energia: Prevê realizar leilões específicos para baterias e outros sistemas integrados às usinas renováveis.
  • Modernização hidrelétrica: Propõe atualizar o parque hidrelétrico para que os reservatórios contribuam para a estabilidade do sistema diante da variação da geração solar e eólica.
  • Transmissão elétrica: Pretende integrar o planejamento da geração às redes de transmissão para reduzir os cortes e o desperdício de energia renovável.
  • Indústria verde: Busca utilizar a oferta de energia limpa e competitiva para atrair indústrias intensivas em eletricidade, centros de dados de baixo carbono e projetos destinados à exportação de produtos descarbonizados.
  • Cadeias produtivas nacionais: Propõe incentivar a fabricação no Brasil de equipamentos de transmissão, baterias, eletrolisadores e componentes de eletrônica de potência.
  • Gás natural: Defende o uso do gás como combustível de transição para a indústria, com redução dos preços, aproveitamento do volume atualmente reinjetado, produção de fertilizantes e substituição do óleo diesel.
  • Petróleo: Mantém a exploração petrolífera como pilar da matriz energética e fonte de recursos para financiar redes, inovação e investimentos de longo prazo na transição.

Contradições e lacunas: A expansão da bioenergia, do armazenamento e da indústria de baixo carbono contrasta com a abertura de novas fronteiras de petróleo e o uso do gás natural como combustível de transição, sem metas ou prazos para reduzir a participação das fontes fósseis ou alcançar emissões líquidas zero. A execução das propostas também depende da ampliação das redes de transmissão, da capacidade de armazenamento, da infraestrutura de transporte de gás e da atração de grandes volumes de capital privado. O plano não esclarece como serão distribuídos os custos da modernização do sistema elétrico nem como protegerá consumidores de baixa renda de aumentos tarifários. A ampliação dos biocombustíveis também não vem acompanhada de salvaguardas para evitar maior pressão sobre a terra, a água e a produção de alimentos.

Desmatamento e queimadas

  • Monitoramento tecnológico: Propõe utilizar satélites com tecnologia de radar, drones e inteligência artificial para acompanhar o desmatamento em tempo real.
  • Inteligência financeira: Pretende direcionar as investigações não apenas aos executores, mas também aos financiadores, intermediários e compradores de produtos provenientes de áreas ilegais.
  • Crime organizado: Propõe tratar o desmatamento, o garimpo e outras atividades ilegais na Amazônia como ramificações de organizações criminosas.
  • Presença permanente do Estado: Prevê manter forças policiais e serviços públicos nos territórios retomados para impedir a reorganização das atividades ilegais.
  • Previsão de queimadas: Propõe integrar inteligência artificial, dados meteorológicos e monitoramento de focos de calor para antecipar riscos e acelerar a resposta aos incêndios.
  • Brigadas permanentes: Pretende apoiar brigadas profissionais e comunitárias de prevenção e combate ao fogo.
  • Infraestrutura de resposta: Prevê instalar e fortalecer bases aéreas e fluviais para ampliar a capacidade de deslocamento das equipes e equipamentos.
  • Manejo do fogo: Propõe desenvolver ações de manejo responsável em parceria com estados, municípios, comunidades e propriedades rurais.
  • Planos regionais: Prevê elaborar planos de contingência para secas extremas e incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
  • Regularização ambiental: Pretende acelerar a validação do Cadastro Ambiental Rural e a implementação dos Programas de Regularização Ambiental previstos no Código Florestal.
  • Produção em áreas abertas: Propõe recuperar pastagens degradadas e elevar a produtividade agropecuária para reduzir a pressão pela abertura de novas áreas.

Contradições e lacunas: O rigor prometido contra os crimes ambientais convive com o licenciamento por risco, os prazos reduzidos e os procedimentos simplificados, que podem limitar a avaliação dos impactos de grandes obras em áreas vulneráveis ao desmatamento. A abordagem centrada na segurança pública pode ampliar a repressão às organizações criminosas, mas também reduzir o espaço das funções técnicas, preventivas e administrativas do Ibama e do ICMBio. O plano não estabelece metas quantitativas ou prazos para reduzir ou zerar o desmatamento, nem define fontes permanentes de financiamento para fiscalização, brigadas e bases operacionais. Também faltam medidas para recompor os quadros de fiscais e brigadistas, além de crédito acessível, assistência técnica e apoio financeiro para que pequenos produtores recuperem passivos ambientais sem ampliar o endividamento.

Povos originários e territórios

  • Proteção dos territórios: Propõe combater invasões, garimpo ilegal, desmatamento, extração clandestina de madeira, narcotráfico e atuação de organizações criminosas em terras indígenas e unidades de conservação.
  • Inteligência integrada: Prevê articular Polícia Federal, Forças Armadas, forças estaduais e órgãos de fiscalização ambiental em operações conjuntas.
  • Monitoramento tecnológico: Propõe utilizar satélites com tecnologia de radar, drones e inteligência artificial para acompanhar atividades ilegais em áreas protegidas e regiões de fronteira.
  • Presença do Estado: Pretende retomar e manter o controle estatal em áreas da Amazônia Legal afetadas pelo crime organizado.
  • Saúde fluvial e itinerante: Prevê ampliar equipes móveis e embarcações de atenção primária para atender comunidades indígenas em regiões de difícil acesso.
  • Atendimento intercultural: Propõe formar e contratar profissionais preparados para atuar de acordo com as particularidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos indígenas.
  • Telessaúde: Pretende ampliar o atendimento remoto e o apoio especializado às equipes que atuam nos territórios.
  • Saúde indígena: Propõe fortalecer os Distritos Sanitários Especiais Indígenas e integrar as Casas de Saúde Indígena às redes de média e alta complexidade do SUS.
  • Transporte sanitário: Prevê cooperação logística com as Forças Armadas para remoções médicas e resgates em localidades remotas.
  • Pagamento por Serviços Ambientais: Propõe incluir povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais nos programas de remuneração pela conservação ambiental.
  • Mercado de carbono: Prevê garantir a participação das comunidades na repartição dos benefícios provenientes de créditos de carbono considerados de alta integridade.
  • Atividades sustentáveis: Propõe apoiar iniciativas econômicas baseadas na sociobiodiversidade e escolhidas pelas próprias comunidades, com preservação dos modos de vida tradicionais.
  • Proteção social: Pretende priorizar famílias indígenas vulneráveis em políticas de segurança alimentar, primeira infância e transferência de renda.
  • Consulta às comunidades: Prevê consultar povos indígenas e comunidades tradicionais sobre medidas e projetos que afetem seus territórios, conforme a Constituição e a legislação aplicável.

Contradições e lacunas: A política de proteção territorial é centrada em operações policiais e segurança pública, o que pode limitar a participação das comunidades na formulação das ações. A defesa dos territórios também contrasta com a expansão de ferrovias, rodovias e mineração estratégica, associada ao licenciamento ambiental simplificado. O plano não detalha como garantirá a consulta prévia, livre e informada sobre empreendimentos dentro ou no entorno das terras indígenas, nem estabelece metas e prazos para novas demarcações ou se posiciona sobre o marco temporal. Faltam ainda previsão orçamentária, concursos e medidas de fortalecimento institucional para a Funai, o Ministério dos Povos Indígenas e o ICMBio.

Adaptação climática

  • Planos de adaptação: Propõe atualizar os planos nacionais, estaduais e municipais, com definição de responsabilidades e integração entre os diferentes níveis de governo.
  • Mapeamento de riscos: Prevê acompanhar continuamente áreas vulneráveis a enchentes, deslizamentos, secas, erosão costeira e outros eventos extremos.
  • Alertas precoces: Propõe utilizar inteligência artificial e dados meteorológicos para antecipar riscos e emitir avisos à população.
  • Infraestrutura urbana: Pretende ampliar obras de drenagem, contenção de encostas, controle de alagamentos e proteção contra erosão costeira e elevação do nível do mar.
  • Ilhas de calor: Prevê intervenções urbanas para reduzir temperaturas elevadas e ampliar o conforto térmico nas cidades.
  • Soluções baseadas na natureza: Propõe utilizar vegetação, áreas permeáveis e ecossistemas urbanos para reter, infiltrar e filtrar a água das chuvas.
  • Repasse de recursos: Pretende condicionar parte do financiamento federal à existência de planejamento municipal e manutenção das infraestruturas executadas.
  • Água para o Futuro: Propõe proteger nascentes, recuperar matas ciliares, favorecer a recarga de aquíferos, ampliar a reservação e incentivar o reúso da água.
  • Eficiência hídrica: Prevê modernizar redes de distribuição para reduzir perdas e melhorar o abastecimento durante secas.
  • Governança das bacias: Propõe fortalecer os comitês de bacia hidrográfica e estabelecer regras transparentes para distribuir a água em períodos de escassez.
  • Semiárido: Pretende fortalecer o Instituto Nacional do Semiárido, a Embrapa e os serviços de extensão rural.
  • Agricultura adaptada: Propõe disseminar sementes resistentes ao calor e à escassez de água, manejo sustentável do solo, sistemas agroflorestais e práticas de pecuária resiliente.
  • Seguro climático: Prevê expandir seguros paramétricos baseados em índices meteorológicos e monitoramento por satélite.
  • Fundo de Catástrofe: Propõe reestruturar o instrumento para proteger produtores rurais contra perdas provocadas por secas e outros eventos extremos.
  • Proteção social: Pretende criar um protocolo nacional no Sistema Único de Assistência Social para transferência rápida de renda, abrigo, fornecimento de água e alimentos e apoio à reconstrução das famílias atingidas.

Contradições e lacunas: A proposta de adaptar cidades e infraestruturas a eventos extremos convive com o licenciamento ambiental simplificado por critérios de risco, que pode acelerar obras sem incorporar adequadamente projeções climáticas de longo prazo. A prioridade dada à expansão e à pavimentação de rodovias também contrasta com a resiliência anunciada, devido à vulnerabilidade a enchentes, erosões e deslizamentos. O plano não define recursos orçamentários permanentes para a adaptação e depende de parcerias privadas e títulos verdes para financiar parte das intervenções. Também faltam fundos, critérios e procedimentos para retirar e reassentar definitivamente famílias que vivem em encostas, várzeas e outras áreas de risco nas quais não seja possível garantir uma ocupação segura.

Resumo

O plano de Ronaldo Caiado associa sustentabilidade, competitividade econômica e modernização do agronegócio. Na bioeconomia, propõe fortalecer cadeias da biodiversidade, ampliar a agregação de valor nos territórios e criar uma rede amazônica de biotecnologia. Também prevê estruturar o mercado de carbono, remunerar produtores e comunidades por serviços ambientais, recuperar pastagens degradadas, ampliar sistemas integrados de produção e estimular bioinsumos e biocombustíveis.

Na transição energética, prioriza bioenergia, veículos híbridos, eletrificação do transporte público, armazenamento e modernização das redes de transmissão e hidrelétricas. O programa pretende atrair indústrias de baixo carbono e desenvolver cadeias nacionais de baterias, eletrolisadores e equipamentos elétricos, mantendo o gás natural e o petróleo como componentes da política energética. Para enfrentar o desmatamento e as queimadas, propõe monitoramento por satélites, drones e inteligência artificial, rastreabilidade das cadeias produtivas, investigação financeira, brigadas permanentes e presença contínua do Estado em áreas retomadas do crime organizado.

Para povos indígenas e quilombolas, o plano prevê proteção territorial, saúde itinerante e intercultural, inclusão em programas de conservação e apoio a atividades econômicas da sociobiodiversidade. Na adaptação climática, propõe atualizar planos governamentais, mapear áreas de risco, ampliar alertas precoces e executar obras de drenagem, contenção de encostas e proteção costeira. Também inclui recuperação de bacias hidrográficas, segurança hídrica, agricultura adaptada, seguros climáticos e protocolos de assistência social para famílias atingidas por desastres.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

O BRASIL PRECISA SE PREPARAR PARA O PIOR

“Relatório da Abin aponta nível crítico de pressão dos...

A fumaça chegou antes da prevenção

"O Amazonas conhecia o calendário do fogo, os municípios...

A vida pede passagem

Na Semana Nacional de Trânsito, o BAA adere à...

O clima fora da campanha, a conta dentro de casa

Enquanto a eleição se ocupa do próximo mandato, o El Niño, o desmatamento e os eventos extremos já cobram do país uma fatura bilionária em alimentos, saúde, transporte, energia, educação e infraestrutura

Inteligência Artificial em conversa com Mariana Leite — Episódio 5

“Ninguém aprende Inteligência Artificial inteira de uma vez. O...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Digite seu nome aqui