“Brasil Amazônia Agora presta homenagem e agradece ao professor e pesquisador Adalberto Luís Val, agraciado com a Medalha Le Cren, uma das mais importantes distinções internacionais na área de biologia de peixes”
Há homenagens que celebram uma conquista. Outras permitem enxergar, de uma só vez, a dimensão de uma caminhada.
A homenagem prestada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ao professor e pesquisador Adalberto Luís Val, por ocasião do recebimento da Medalha Le Cren, pertence à categoria da justiça e da dignidade. O reconhecimento internacional recebido em Southampton, na Inglaterra, distingue uma contribuição científica extraordinária à compreensão da biologia dos peixes e de suas respostas às condições ambientais extremas. Para quem acompanha sua trajetória, porém, a medalha ilumina algo ainda maior: quase cinco décadas dedicadas à ciência brasileira e à Amazônia.
O Brasil Amazônia Agora tem razões muito próprias para participar deste momento.
Adalberto Luís Val é parte da história intelectual que ajudou a dar sentido ao nosso projeto editorial. Como um dos fundadores do BAA, trouxe para este espaço uma convicção que atravessa sua própria vida acadêmica: a Amazônia precisa ser conhecida para ser defendida, e o conhecimento produzido aqui precisa chegar à sociedade.
Essa contribuição merece nosso agradecimento.
Pesquisador sênior do INPA, membro da Academia Brasileira de Ciências e da The World Academy of Sciences (TWAS), Adalberto construiu uma carreira científica reconhecida dentro e fora do Brasil. Mas sua obra não cabe apenas na bibliografia acadêmica, nos laboratórios, nas citações científicas ou nas distinções recebidas.
Ela está também nas pessoas.
Está nos estudantes que orientou, nos pesquisadores que ajudou a formar, nos grupos de pesquisa que fortaleceu, nos colegas com quem dividiu perguntas e descobertas e nas gerações que aprenderam com ele a observar os organismos amazônicos como parte de sistemas ecológicos extraordinariamente complexos.
Certamente por isso, suas próprias palavras, depois da homenagem recebida no INPA, sejam tão reveladoras. Ao recordar os ex-alunos, colegas, técnicos, amigos e familiares presentes em sua caminhada, Adalberto resumiu uma concepção de ciência que conhecemos de perto: “a ciência é construída por pessoas”.
É uma frase simples, mas contém a essência de sua trajetória.
A Amazônia que Adalberto Luís Val ajudou a revelar ao mundo é uma Amazônia investigada em seus mecanismos mais delicados. Seus estudos sobre a fisiologia dos peixes amazônicos mostraram como espécies submetidas a condições ambientais extremas desenvolveram extraordinárias estratégias de adaptação. Por esse caminho, sua pesquisa ajudou a ampliar a compreensão internacional sobre a biodiversidade tropical e sobre a sofisticada engenharia da vida que opera nos rios e ecossistemas amazônicos.
Esse conhecimento ganhou importância ainda maior diante das mudanças climáticas. Compreender como os organismos respondem às alterações de temperatura, oxigenação, qualidade da água e demais pressões ambientais significa também compreender os limites de resistência dos ecossistemas que sustentam a maior biodiversidade de água doce do planeta.
Há, portanto, uma dimensão profundamente contemporânea em uma carreira iniciada décadas atrás. Para o Brasil Amazônia Agora, existe ainda outra dimensão.
Desde sua origem, nosso portal procura aproximar ciência, desenvolvimento regional, indústria, bioeconomia, conservação e políticas públicas. Essa conversa muitas vezes difícil encontra em Adalberto uma referência permanente. Sua trajetória mostra que a defesa da floresta em pé depende de conhecimento, instituições científicas fortes, formação de pesquisadores e capacidade de transformar aquilo que aprendemos sobre a Amazônia em decisões capazes de assegurar seu futuro.
Por isso, neste momento, queremos dizer algo que às vezes a rotina do jornalismo deixa para depois.
Obrigado, professor Adalberto.
Obrigado pela ciência produzida. Pelos estudantes formados. Pelo INPA que ajudou a engrandecer. Pela defesa persistente da pesquisa brasileira. Pela Amazônia levada aos laboratórios, universidades e fóruns científicos do mundo.
E obrigado também por ajudar a construir o Brasil Amazônia Agora, emprestando a este projeto algo muito mais valioso do que um nome ou um currículo: uma maneira de compreender a Amazônia.
Ao receber a Medalha Le Cren, Adalberto escreveu que saiu da homenagem convencido de que “o maior legado de uma vida” está nas pessoas que caminham conosco e que são transformadas por essa caminhada.
Nós podemos acrescentar apenas um dado decisivo e definitivo. O Brasil Amazônia Agora está entre os projetos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.
Nossa homenagem, nosso reconhecimento e, sobretudo, nossa gratidão.
Brasil Amazônia Agora – BAA
- Adalberto Luís Val
- Adrian Pohlit
- Alberto Morelli
- Alfredo Lopes
- Arthur Lopes
- Augusto César Barreto Rocha
- Claudio Ruy Vasconcelos da Fonseca
- Cristy Ellen Farias Lopes
- Denis Minev
- Efrem Jorge Gondim Ferreira
- Estevão Vicente Cavalcanti Monteiro de Paula
- Igor Lopes
- Ilana Minev
- Jacques Marcovitch
- Jaime Benchimol
- Lúcio Flavio Morais de Oliveira
- Mariano Cenamo
- Nelson Azevedo
- Niro Higuchi
- Paulo Artaxo
- Sandro Breval
- Tiago Paiva
- Vanessa Pinsky