“No Brasil Amazônia Agora, Mariano Cenamo ocupou um lugar que ultrapassa a condição de colaborador. Ele foi um dos fundadores desta iniciativa editorial, ajudando a consolidar uma linha de pensamento que continua orientando nosso trabalho diário: defender uma Amazônia que produz riqueza preservando sua floresta, reduz desigualdades por meio do conhecimento, da tecnologia e da inovação, e oferece ao mundo um modelo próprio de desenvolvimento“
Em nossas vidas surgem pessoas que defendem uma causa. Outras conseguem nos ensinar a forma como essa causa passa a ser compreendida. Mariano Colini Cenamo nos deixa o Mapa dessa jornada.
Sua trajetória foi dedicada a demonstrar, com rigor técnico e capacidade de realização, que a floresta amazônica em pé não representa um obstáculo ao desenvolvimento. Ela constitui uma das maiores oportunidades econômicas, sociais e ambientais do século XXI.
Essa convicção deixou de ser apenas um discurso e ganhou território, pessoas, instituições e resultados concretos. Mais de 10,8 milhões de hectares de floresta passaram a ser protegidos por iniciativas que ajudou a criar ou fortalecer. Milhares de famílias ribeirinhas, indígenas e produtores rurais encontraram novas possibilidades de renda associadas à conservação. Durante mais de duas décadas, Mariano trabalhou para aproximar ciência, comunidades, empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas em torno de uma mesma visão de futuro.
Em 2004, participou da fundação do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), organização que se tornaria uma das principais referências brasileiras em desenvolvimento sustentável. Mais tarde, liderou iniciativas pioneiras como o programa Carbono Neutro Idesam, mostrando que a restauração florestal e os sistemas agroflorestais poderiam gerar benefícios climáticos, econômicos e sociais ao mesmo tempo.
Também enxergou antes de muitos que a bioeconomia precisava de capital, gestão e inovação para alcançar escala. Dessa percepção nasceu a AMAZ, primeira aceleradora dedicada exclusivamente aos negócios da floresta, aproximando empreendedores amazônicos de investidores nacionais e internacionais. Da mesma forma, tornou-se um dos pioneiros brasileiros na aplicação do blended finance, reunindo recursos filantrópicos e investimentos privados para financiar projetos que, até então, eram vistos como economicamente inviáveis.
O reconhecimento internacional veio naturalmente. Instituições como a Fundação Schwab e o Fórum Econômico Mundial identificaram nele uma liderança capaz de conectar conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inovação financeira. Ainda assim, quem conviveu com Mariano sabe que seu maior patrimônio nunca esteve nos prêmios recebidos. Estava na serenidade com que dialogava, na capacidade de construir consensos e na confiança permanente de que era possível transformar boas ideias em soluções concretas.
No Brasil Amazônia Agora, Mariano ocupa um lugar que ultrapassa a condição de colaborador. Ele foi um dos fundadores desta iniciativa editorial, ajudando a consolidar uma linha de pensamento que continua orientando nosso trabalho diário: defender uma Amazônia que produz riqueza preservando sua floresta, reduz desigualdades por meio do conhecimento, da tecnologia e da inovação, e oferece ao mundo um modelo próprio de desenvolvimento.
Sua ausência entristece profundamente todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado. Seu legado, entretanto, permanece vivo em cada empreendimento de bioeconomia, em cada comunidade fortalecida, em cada hectare preservado e em cada jovem que hoje acredita ser possível construir prosperidade a partir da floresta.
Mariano Cenamo deixa muito mais que instituições ou projetos. Deixa uma mudança de paradigma.
Demonstrou, com a autoridade de quem fez acontecer, que conservar também é produzir. Que investir na floresta pode ser um excelente negócio. E que o desenvolvimento mais duradouro nasce quando a economia aprende a caminhar junto com a natureza.
Sua vida continuará inspirando todos aqueles que acreditam que o futuro da Amazônia será construído menos pelo que dela se retira e muito mais pelo valor que somos capazes de gerar com ela viva.
Manaus, 11 de julho de 2026