Desmatamento em Terras Indígenas da Amazônia cai 25%, mas crimes seguem concentrados

Mesmo com redução de 25%, o desmatamento em terras indígenas segue concentrado em poucos territórios, pressionados por garimpo, grilagem e agropecuária.

O desmatamento em terras indígenas da Amazônia Legal registrou queda em 2025, mas os dados indicam que a pressão ilegal sobre esses territórios segue elevada e concentrada em áreas específicas. Segundo balanço da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), foram identificados 30.128 hectares de corte raso no ano passado, redução de 25% em relação a 2024, quando a área desmatada chegou a 40.178 hectares.

O corte raso é considerado uma das formas mais graves de destruição da floresta, pois remove toda a vegetação de uma determinada área. Em geral, esse tipo de desmate está associado à abertura de pastagens, à expansão agropecuária e, posteriormente, ao avanço de lavouras como a soja.

Apesar da queda, o relatório mostra que a devastação não ocorre de forma homogênea. Metade de todo o desmatamento em terras indígenas registrado em 2025 ficou concentrada em apenas 13 das 395 Terras Indígenas demarcadas e monitoradas pela FUNAI na Amazônia Legal. Juntas, essas áreas somaram 15,3 mil hectares desmatados.

Os territórios mais pressionados estão localizados nos estados do Maranhão, Pará, Mato Grosso, Amazonas e Roraima, em regiões próximas ao chamado arco da devastação. Essa faixa, que avança principalmente pelo sul e leste da Amazônia Legal, é marcada pela presença de atividades ilegais como grilagem, garimpo, extração clandestina de madeira, ocupação irregular de terras públicas, além da expansão da agropecuária.

Ao todo, 324 Terras Indígenas apresentaram algum registro de corte raso em 2025, o equivalente a 82% dos territórios monitorados pela autarquia. O dado reforça que, embora a área total desmatada tenha diminuído, a pressão sobre as TIs continua.

Além do corte raso, o levantamento da FUNAI também contabiliza outras formas de crime ambiental. A degradação florestal, que ocorre quando há retirada seletiva de árvores ou exploração irregular de madeira sem derrubada completa da vegetação, atingiu 43 mil hectares. Já os danos a áreas em regeneração, onde a floresta estava em processo de recuperação, somaram 8,5 mil hectares.

Considerando as três categorias, corte raso, degradação e danos à regeneração, a área total afetada em Terras Indígenas da Amazônia Legal chegou a 82 mil hectares em 2025. O número representa uma queda de 36% em comparação com 2024, quando os impactos somaram 128 mil hectares.

O monitoramento também aponta que as queimadas seguem como outro fator de risco para os territórios indígenas. Em 2025, o Centro de Monitoramento Remoto da FUNAI identificou focos de incêndio em 195 Terras Indígenas da Amazônia Legal.

Assim como ocorre com o desmatamento em terras indígenas, os incêndios também se concentraram em poucos territórios. Seis áreas responderam por metade do total queimado: Parque do Araguaia, em Mato Grosso; Raposa Serra do Sol e São Marcos, em Roraima; Parabubure, em Mato Grosso; Parque do Tumucumaque, no Amapá e Pará; e Kraolândia, entre Tocantins e Maranhão.

Os dados indicam avanço na redução da área total atingida, mas também revelam que a proteção das Terras Indígenas ainda depende de ações contínuas de fiscalização, combate a crimes ambientais e controle das pressões econômicas sobre a floresta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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