Idealizada por Vania Thaumaturgo, a quarta edição do evento Expo Amazônia Bio&TIC 2026 propõe uma aliança inédita entre bioeconomia, tecnologia da informação, indústria, ciência e novos empreendedores da Amazônia para transformar biodiversidade em inovação, riqueza sustentável e protagonismo global
Entrevistas Exclusiva ao Portal Brasil Amazônia Agora
A Amazônia vive um daqueles momentos raros em que ciência, economia, tecnologia e urgência climática começam a ocupar a mesma mesa. É nesse ambiente de transição que a Expo Amazônia Bio&TIC chega à sua quarta edição propondo mais do que um evento. A iniciativa se consolida como uma plataforma de articulação entre os atores históricos da economia regional e uma nova geração de empreendedores, pesquisadores, desenvolvedores, startups e formuladores de soluções tecnológicas voltadas à floresta em pé.
Idealizada por Vania Thaumaturgo, a Expo amplia este ano sua vocação de convergência entre bioeconomia e tecnologia da informação, reunindo representantes da indústria, universidades, centros de pesquisa, ecossistemas de inovação, comunidades criativas e instituições públicas em torno de uma pergunta cada vez mais estratégica: como transformar a biodiversidade amazônica em inteligência econômica de alto valor agregado?
A proposta é aproximar mundos que durante muito tempo caminharam paralelamente. De um lado, a experiência industrial acumulada no Polo Industrial de Manaus. De outro, a emergência de uma economia intensiva em biotecnologia, dados, rastreabilidade, inteligência artificial, conectividade e inovação aplicada aos ativos naturais da região.
Num cenário em que os fatos aproximam os olhos do mundo na direção da Amazônia, a Expo Amazônia Bio&TIC 2026 pretende demonstrar que a região não quer ser apenas pauta ambiental global. Quer disputar centralidade tecnológica, econômica e científica no debate sobre o futuro do planeta.
CONFIRA!
Por Alfredo Lopes BrasilAmazoniaAgora
1. A Expo Amazônia Bio&TIC chega à sua quarta edição em um momento em que bioeconomia e transformação digital parecem finalmente caminhar de forma mais integrada. O que essa convergência representa para a Amazônia?
A Amazônia deixou de ser observada apenas como reserva de recursos naturais e passou a ser percebida como território de inteligência estratégica. A convergência entre bioeconomia e tecnologia da informação cria as condições para transformar biodiversidade em conhecimento, rastreabilidade, inovação, propriedade intelectual e negócios de valor agregado.
A Expo Amazônia Bio&TIC nasce exatamente para estimular esse encontro entre cientistas, startups, indústrias, investidores, povos da floresta, universidades e desenvolvedores de tecnologia. É uma agenda de futuro, mas também uma necessidade imediata diante das mudanças climáticas e da disputa global por soluções sustentáveis.
2. Você costuma destacar que a Expo Bio & TIC é um ambiente de articulação entre “atores antigos e novos” da Amazônia. Quem são esses atores e qual o papel deles nesta edição?
Os atores antigos são aqueles que há décadas sustentam a economia regional, como a indústria instalada no Polo Industrial de Manaus, as instituições de pesquisa, universidades, centros tecnológicos e organizações que resistiram defendendo a floresta em pé quando esse tema ainda era marginal.
Os novos atores são as startups de bioeconomia e de TIC, hubs de inovação, comunidades tecnológicas, juventudes empreendedoras, desenvolvedores de IA, especialistas em blockchain, em inteligência artificial, economia criativa e negócios de impacto. A quarta edição da Expo Bio & TIC quer justamente aproximar essas gerações e experiências. O conhecimento tradicional da Amazônia precisa dialogar com a inteligência artificial, com a conectividade e com a nova economia digital.

3. Qual é a importância da presença da indústria da Zona Franca de Manaus nesse debate sobre bioeconomia e tecnologia?
A indústria do Amazonas possui uma experiência acumulada em engenharia, gestão, logística, produção em escala e integração global que pode acelerar a bioeconomia amazônica. Muitas vezes existe uma falsa separação entre floresta e indústria, quando o desafio contemporâneo é justamente construir uma indústria da floresta, intensiva em ciência, tecnologia e sustentabilidade. O Polo Industrial de Manaus pode contribuir com infraestrutura tecnológica, investimento em P&D, formação profissional e integração com cadeias globais de valor. A Expo Amazônia Bio&TIC reconhece esse papel estratégico.
4. A tecnologia da informação passa a ocupar um espaço central na discussão sobre desenvolvimento amazônico?
Sem dúvida. Hoje não existe bioeconomia competitiva sem dados, conectividade, inteligência computacional, rastreabilidade e proteção digital dos ativos da biodiversidade. A tecnologia da informação permite mapear cadeias produtivas, monitorar carbono, conectar comunidades isoladas, desenvolver plataformas de mercado, proteger conhecimento tradicional e ampliar acesso a financiamento climático.
A Amazônia precisa deixar de ser apenas exportadora de matéria-prima e se tornar também exportadora de inteligência biotecnológica e soluções digitais. Além disso a tecnologia pode tornar os diversos mercados amazônicos, mais eficientes e produtivos, e as soluções podem ser encontradas aqui mesmo.

5. O evento também busca mobilizar juventudes e novos empreendedores da região?
Esse é um dos grandes objetivos. A Amazônia possui uma juventude extremamente criativa, mas que muitas vezes não encontra ecossistemas capazes de absorver seu potencial. Queremos mostrar que é possível empreender na região sem reproduzir modelos predatórios. A combinação entre bioeconomia, inovação e TIC abre espaço para novos negócios ligados à saúde, alimentos, cosméticos, serviços ambientais, games, softwares, monitoramento climático e educação tecnológica. Precisamos criar pertencimento e perspectiva para os jovens amazônidas.
Vania é Presidente do Conselho de Administração do Polo Digital de Manaus, e Head de Relações Institucionais na Amazônia na Bertha Capital.

6. Como a Expo Amazônia Bio&TIC pretende dialogar com o cenário internacional, especialmente diante da COP30 que se estende até novembro próximo?
A Amazônia está no centro das discussões globais sobre clima, biodiversidade e transição econômica. A COP30 ampliou ainda mais essa visibilidade. A Expo Bio & TIC quer demonstrar que a região não deseja apenas ser tema de debates internacionais, mas protagonista de soluções. Temos ciência, conhecimento tradicional, capacidade industrial e criatividade para contribuir com uma nova economia de baixo carbono. O mundo busca alternativas sustentáveis, e a Amazônia pode oferecer muito mais do que discursos simbólicos.
7. O que diferencia a Expo Amazônia Bio&TIC de outros eventos voltados à inovação e sustentabilidade?
A diferença está justamente no território e na identidade amazônica. Não se trata de importar modelos prontos. A Expo Bio & TIC nasce da realidade regional e procura conectar desenvolvimento econômico, inclusão social, floresta em pé e soberania tecnológica. O evento reúne desde pesquisadores e investidores até comunidades tradicionais e empresários da indústria. É um espaço de construção coletiva, onde a Amazônia é tratada como centro de inteligência e não como periferia do debate nacional.
8. Qual é a principal mensagem que você deseja deixar para os setores produtivos, governos, academia e sociedade nesta quarta edição?
A Amazônia não pode continuar fragmentada entre setores que pouco dialogam entre si. Precisamos construir convergência. A bioeconomia depende da ciência. A ciência depende da conectividade. A conectividade depende de infraestrutura. A infraestrutura depende de visão estratégica e cooperação institucional.
A Expo Amazônia Bio&TIC é um convite para essa construção conjunta. O futuro da região passa pela capacidade de unir floresta, conhecimento, indústria, tecnologia e pessoas em torno de um projeto comum de desenvolvimento sustentável. Nesta edição a ExpoAmazônia Bio & TIC estará juntamente com a Conferência ANPROTEC debaixo do Amazônia Innovation Summit, será um encontro imperdível.
