Resultados, coordenação institucional e o papel do Polo Industrial de Manaus

Uma entrevista de Nelson Azevedo com Bosco Saraiva, titular da SUFRAMA

Os resultados recentes do Polo Industrial de Manaus indicam um período de desempenho econômico consistente, marcado por crescimento do faturamento, ampliação da produção e manutenção de níveis relevantes de emprego industrial. Em 2025, o modelo atingiu R$ 227,7 bilhões em faturamento, com crescimento de 11%, além da operação de 553 fábricas e da média mensal superior a 131 mil empregos diretos, números que ajudam a dimensionar o peso econômico do PIM para o Amazonas e para o país.

Esse desempenho está associado, entre outros fatores, ao funcionamento mais regular da coordenação institucional entre a Suframa, o setor produtivo e as entidades representativas, aspecto central para um modelo industrial que depende de previsibilidade normativa, fluidez decisória e planejamento de longo prazo.

Para analisar esse contexto e seus desdobramentos — tanto do ponto de vista econômico quanto institucional — o Brasil Amazônia Agora entrevistou Nelson Azevedo, que aborda nesta conversa os resultados alcançados, os fatores que contribuíram para esse desempenho e os desafios que permanecem na agenda de competitividade, inovação e desenvolvimento sustentável do Polo Industrial de Manaus.

Nelson Azevedo: Os resultados indicam um ciclo positivo de desempenho do Polo Industrial de Manaus. O faturamento de R$ 227,7 bilhões, o crescimento de 11%, a ampliação das exportações, a operação de 553 fábricas e a manutenção de uma média mensal superior a 131 mil empregos diretos demonstram que o modelo segue ativo e com capacidade de resposta quando há estabilidade institucional e previsibilidade nos processos.

Nelson Azevedo: Um dos fatores centrais foi a melhoria na coordenação institucional. Houve maior regularidade nos fluxos decisórios, atenção aos prazos e uma comunicação mais direta entre a Suframa, as empresas e as entidades representativas. Esse ambiente reduz incertezas e permite que o setor produtivo planeje investimentos e operações com mais segurança.

Bosco Saraiva foto Junio Matos
Bosco Saraiva

Nelson Azevedo: A interlocução se tornou mais frequente e objetiva. As demandas passaram a ser tratadas com maior clareza técnica, o que contribui para soluções mais rápidas e alinhadas à realidade industrial. Esse tipo de diálogo é fundamental para um modelo como o da Zona Franca de Manaus, que depende de decisões coordenadas e de longo prazo.

Nelson Azevedo: O Polo Industrial de Manaus cumpre um papel importante ao concentrar atividade econômica formal, geração de empregos e arrecadação em área urbana. Isso contribui para reduzir pressões sobre atividades ilegais ou predatórias e reforça a ideia de que o desenvolvimento sustentável passa pela existência de uma base econômica estruturada e regular.

Nelson Azevedo: Os desafios estão relacionados à produtividade, à inovação tecnológica, à logística e ao adensamento das cadeias produtivas. Além disso, é importante acompanhar as transformações globais, como a digitalização industrial e as exigências ambientais, sem perder a previsibilidade regulatória que sustenta o modelo.

Nelson Azevedo: O principal aprendizado é que resultados consistentes dependem de continuidade institucional, diálogo técnico e capacidade de execução. Quando essas condições estão presentes, o modelo consegue responder às demandas econômicas e sociais da região de forma mais estável.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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