Com apoio do Idesam, moradores da RDS do Uatumã transformam resíduos florestais em incensos naturais, unindo bioeconomia, saber tradicional e renda sustentável.
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas, um projeto coordenado pelo Idesam tem capacitado jovens e adultos ribeirinhos na produção de incensos 100% naturais, feitos a partir de insumos locais e resíduos que antes seriam descartados. A iniciativa faz parte de um esforço maior para promover o uso sustentável dos recursos da floresta e ampliar as oportunidades de geração de renda na região.
Com apoio da plataforma Global Giving e da empresa 3M, o projeto surgiu a partir de um curso técnico em gestão de empreendimentos florestais, realizado em parceria com o Instituto Federal do Amazonas (IFAM).
“O projeto surgiu como desdobramento dos trabalhos apresentados pelos jovens na primeira fase, a qual consistiu na oferta de um curso técnico em gestão de empreendimentos florestais de base comunitária, com foco no desenvolvimento econômico sustentável da região, em parceria com o Instituto Federal do Amazonas (IFAM)”, destaca Aretha Alves, analista de projetos do Idesam.

O curso envolveu 40 jovens e abordou temas como bioeconomia, sustentabilidade e empreendedorismo. Um dos grupos propôs a criação de incensos a partir da resina de breu branco. A proposta evoluiu para um protótipo e, mais tarde, para a criação da marca Essências do Uatumã.
A capacitação técnica foi conduzida pelo aromaterapeuta Roger Consoli, que desenvolveu um protocolo exclusivo de fabricação, adaptado à realidade local. A técnica combina ingredientes como resíduo de breu, serragem de madeira certificada, goma de mandioca, carvão vegetal e tala de bacaba, os incensos são moldados à mão e vendidos em embalagens de quatro ou oito varetas.
Além de estimular a valorização cultural e econômica dos recursos florestais, o projeto também promove autonomia e protagonismo local. “Eu gostei muito, porque é uma coisa inovadora dentro da reserva. Precisamos de mais projetos para engajamento dos jovens. Não imaginava que um dia eu ia fazer incenso”, relata a aluna Francian Pires.
Com resultados já apresentados em eventos, como o Simpósio Brasileiro de Óleos Essenciais, o projeto coordenado pelo Idesam pretende ampliar sua atuação para continuar fortalecendo a associação comunitária local e contribuindo com a bioeconomia amazônica.

