Pesquisa aponta que o uso intensivo de carvão na produção chinesa anula vantagens ambientais atribuídas ao papel higiênico de bambu.
Apesar da crescente popularidade do papel higiênico de bambu como alternativa ecológica, um novo estudo da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos EUA, revela que esse tipo de produto pode não ser tão sustentável quanto muitos acreditam — especialmente quando fabricado na China.
A pesquisa comparou o impacto ambiental do papel higiênico de bambu produzido na China com o do papel convencional à base de madeira feito nos Estados Unidos e Canadá. Embora o bambu, como matéria-prima, não gere mais emissões que a madeira, o problema está na matriz energética usada durante o processo de fabricação.

Na China, grande parte da energia vem do carvão, o que eleva significativamente as emissões de gases de efeito estufa durante a produção. O estudo mostra que a fabricação de uma tonelada de papel higiênico de bambu na China emite cerca de 2.400 kg de CO₂ equivalente a quase 32% a mais do que os 1.824 kgCO₂eq emitidos na produção do papel de madeira nos EUA, que se beneficia de fontes de energia mais limpas.

Além das emissões, esse tipo de papel também teve pior desempenho em outras categorias ambientais, como formação de poluentes atmosféricos, efeitos respiratórios e ecotoxicidade. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que esses impactos podem ser significativamente reduzidos quando a produção ocorre em locais com matriz energética menos poluente.
Segundo Naycari Forfora, autora principal do estudo, o tipo de energia e a tecnologia empregada nas fábricas têm mais peso na pegada ambiental do produto do que a fibra usada. Ronalds Gonzalez, coautor da pesquisa, alerta que o papel higiênico de bambu não deve ser automaticamente tratado como opção mais verde. “Bambu é uma cultura agrícola como qualquer outra, e passa por processos similares aos da madeira”, destaca.
O estudo faz parte da iniciativa Sustainable & Alternative Fibers Initiative (SAFI), uma rede global dedicada à pesquisa de fibras sustentáveis. Os resultados foram publicados na revista científica Cleaner Environmental Systems.
