Aquecimento dos mares cria condições para proliferação de bactéria carnívora

Em Louisiana, 26 casos de bactéria carnívora foram confirmados em 2025. O aumento está ligado ao aquecimento das águas costeiras do Golfo do México

Cinco pessoas morreram no estado de Louisiana, nos Estados Unidos, após contraírem a bactéria Vibrio vulnificus, microrganismo conhecido como “bactéria carnívora”. Presente em águas costeiras quentes, ela pode provocar infecções graves e fatais em até dois dias.

Ferida na pele provocada por infecção da bactéria carnívora em águas costeiras.
Ferimentos podem evoluir rapidamente em pacientes infectados pela bactéria carnívora, exigindo internação e, em alguns casos, amputação. Foto: Daniel O’Brien.

Segundo o Departamento de Saúde da Louisiana, foram registrados 26 casos apenas em 2025, todos com necessidade de hospitalização. Em 85% das ocorrências, a bactéria entrou no organismo por meio de feridas expostas à água salgada. A taxa de letalidade chega a 20%, e mesmo os sobreviventes podem enfrentar amputações, consequência comum da ação agressiva da bactéria carnívora.

O aumento dos casos preocupa especialistas, que relacionam a proliferação do Vibrio ao aquecimento global. O avanço das temperaturas da superfície do mar cria condições ideais para sua multiplicação, especialmente no Golfo do México. A infecção também pode ocorrer pelo consumo de frutos do mar crus ou mal cozidos, como ostras contaminadas pela bactéria carnívora.

Mapa destacando o Golfo do México, região onde a bactéria carnívora tem maior incidência.
O Golfo do México concentra a maioria dos casos da bactéria carnívora nos EUA, especialmente nos estados de Louisiana e Flórida. Foto: Google Earth.

Entre as vítimas está Basil Kennedy, de 77 anos, que morreu após arranhar a perna em um reboque de barco no Mississippi. Mesmo após limpar o ferimento e evitar contato com a água, seu estado de saúde se deteriorou rapidamente.

As autoridades de saúde recomendam que pessoas com cortes ou feridas evitem entrar no mar durante os meses mais quentes, utilizem proteção adequada e procurem atendimento imediato caso apresentem sintomas como febre, bolhas na pele ou queda de pressão.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Startups da Amazônia entram no radar do SUS digital e projetam o Brasil no mundo

A articulação entre floresta, ciência e tecnologia começa a...

A lição brasileira para regenerar a Caatinga

"A transformação do Cerrado pela ciência brasileira oferece um...

Cientista do Inpa vence maior prêmio do país e destaca ciência na Amazônia

Prêmio reconhece trajetória de pesquisadora e destaca a importância da ciência na Amazônia para o clima e a conservação dos ecossistemas.