O que diria o Barão do Rio Branco sobre o tarifão de Donald Trump?

A amizade entre as nações não se mantém por decreto, mas pela constância de gestos que cultivam respeito mútuo.” José Maria da Silva Paranhos Júnior Advogado e ex-deputado Federal do Brasil – Barão do Rio Branco

Se vivo estivesse, o Barão do Rio Branco, mestre da conciliação e da diplomacia de resultados, talvez erguesse uma sobrancelha irônica, como quem pondera que na política internacional não há eternos amigos nem inimigos, apenas interesses bem ou mal administrados.

Diante do tarifão de Donald Trump e da investigação comercial aberta contra o Brasil, ele lembraria que a função primeira de uma chancelaria é transformar tensões em oportunidades, preservando a soberania e o prestígio nacional — sem perder de vista, numa expressão do século XXI, o ganha-ganha que sustenta relações de longo prazo.

O Brasil, como herdeiro dessa tradição, responde à investigação americana com a serenidade de quem sabe que o Itamaraty é um dos principais orgulhos nacionais, citado na galeria das grandes diplomacias globais. Desde o tempo do Barão, nossa política externa se constrói sobre a arte da argumentação meticulosa, da negociação paciente e da recusa ao improviso.

Sobre o PIX

Ao ouvir que o PIX representaria ameaça às empresas americanas de cartão de crédito, o Barão talvez sorrisse e replicasse: “Senhores, o progresso não é agressão.” Explicaria que o PIX não tira, acrescenta: bancariza milhões, impulsiona o comércio e moderniza o sistema financeiro. Competição, quando justa, é força motriz do desenvolvimento.

Sobre tarifas preferenciais

À acusação de que o Brasil favorece outros parceiros comerciais, o Barão apelaria à prova dos números: nos últimos dez anos, os Estados Unidos acumularam superávit superior a US$ 49,9 bilhões nas trocas com o Brasil. E, como bom articulador, lembraria que a reciprocidade é a base de qualquer tratado duradouro.

Sobre desmatamento

Ao ponto mais sensível — o desmatamento ilegal — responderia com clareza: os alertas subiram levemente, mas o corte raso atinge o menor nível da série histórica. Incêndios florestais, sim, preocupam, mas estão mais ligados ao clima extremo do que à omissão estatal. E completaria: “Quem governa com seriedade não nega problemas, apresenta soluções.”

Sobre o etanol

No tema do etanol, sujeito à tarifa de 18% para países fora do Mercosul, o Barão enxergaria margem para acordo. Defenderia a proteção à indústria nacional, mas abriria espaço para contrapartidas, desde que o resultado beneficie igualmente ambos os povos.

A essência da resposta

Mais do que rebater acusações, a diplomacia brasileira faz o que pratica há mais de 200 anos: dialoga com competência, preserva relações, encontra saídas. O Barão do Rio Branco lembraria que a grandeza de uma nação se mede não apenas por seu poder econômico ou militar, mas pela habilidade de construir pontes em mares revoltos. E talvez encerrasse com uma advertência atemporal: “A amizade entre as nações não se mantém por decreto, mas pela constância de gestos que cultivam respeito mútuo.”

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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