Cientistas desenvolvem concreto vivo que se autorregenera e repara rachaduras

Inspirado em líquens, o concreto vivo desenvolvido na Universidade Texas A&M combina fungos e cianobactérias para criar um sistema autossuficiente de reparo que pode aumentar a sustentabilidade e reduzir custos das construções.

Pesquisadores da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, desenvolveram um concreto inovador capaz de regenerar suas próprias rachaduras sem necessidade de manutenção humana. A solução utiliza uma comunidade microbiana inspirada nos líquens, organismos simbióticos formados por fungos e cianobactérias e que são conhecidos por sua elevada capacidade de sobrevivência e autorregulação. 

Coordenado pela engenheira mecânica e pesquisadora Congrui Grace Jin, o estudo combinou as cianobactérias Anabaena inaequalis e Nostoc punctiforme, que fixam carbono e nitrogênio da atmosfera, com o fungo Trichoderma reesei, que atrai cálcio e induz a formação de carbonato de cálcio, o mesmo composto presente em conchas e cascas de ovos. O material de síntese da interação dos organismos age como um “cimento natural” ao ser depositado nas fissuras, colando as rachaduras e impedindo seu avanço.

Gráfico presente no artigo explica o funcionamento do concreto autorregenerador. Foto: Jin et.al.
Diagrama presente no artigo, publicado na revista Materials Today Communications, ilustra o funcionamento do concreto autorreparador. Foto: Jin et.al.

Diferente de técnicas anteriores, que exigem a intervenção humana externa para borrifar as bactérias sobre as fissuras, o novo sistema é autossuficiente. Os testes em laboratório demonstraram a eficácia da solução, que agora será testada em diferentes tipos de danos e condições ambientais para avaliar sua capacidade de uso em larga escala. 

A pesquisa, publicada na Materials Today Communications, é um exemplo da aplicação da biomimética e abre a possibilidade de uso de um material “vivo” que ao invés de se desgastar passivamente, possui a capacidade de reparação autossuficiente, essa característica pode reduzir custos de manutenção e aumentar a sustentabilidade de construções. 

RPF notas rachaduras verde Leo Ramos Chaves Revista Pesquisa FAPESP
foto: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Energia, o nervo exposto da economia global

"Economia global sob tensão: petróleo, guerras e transição verde...

Amazônia no centro do tabuleiro

"Com “Amazônia no centro”, o mundo voltou os olhos...

A reforma tributária e o Amazonas: a hora de discutir o próximo passo

A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.