“Há uma oportunidade nacional de sair do maniqueísmo que coloca empreendedores amazônicos como vilões. Podemos entregar maior abundância e prosperidade ao mesmo tempo que entregamos mais Amazônia à próxima geração.”
Na 2ª carta como Enviado Especial da COP30 ao Setor Privado da Amazônia, o CEO da Bemol convoca o país e o mundo a apostarem no empreendedor amazônida como vetor da transformação do território.
Um Plano para Vencer Corações, Votos e Narrativas
A proposta de Minev é direta: investir R$ 50 mil por hectare em sistemas agroflorestais, durante um período de 3 a 5 anos, começando por agricultores que já têm posse da terra. A ideia é clara: substituir modelos predatórios por arranjos produtivos de cacau, açaí, banana e madeira sustentável, que geram receitas superiores a R$ 60 mil anuais por hectare e meio emprego direto por hectare cultivado.
Com essa metodologia, dez mil novos empreendedores regenerativos por ano — cerca de 20 por município amazônico — poderiam, segundo ele, produzir uma mudança irreversível em 5 a 10 anos. Seriam 50 mil hectares reflorestados anualmente, com armazenamento de mais de 12 milhões de toneladas de carbono, 25 mil empregos diretos criados por ano, segurança alimentar e consolidação de uma base política pró-sustentabilidade.
A COP30 como Trampolim de um Novo Pacto
A proposta dialoga diretamente com oito dos 30 objetivos oficiais da COP30, reforçando seu potencial transformador. Estão ali o combate à pobreza (Objetivo 5), a criação de empregos verdes (8), a inclusão das juventudes (6), o estímulo à economia regenerativa (9), a valorização do conhecimento local e tradicional (18), o fortalecimento da governança e da segurança territorial (23), o uso de tecnologias e dados para a transição verde (28) e o engajamento empresarial com metas climáticas e de sustentabilidade (29). Minev mostra, assim, que a Amazônia pode estar no centro da solução global — não como expectadora, mas como protagonista da mudança.

O Círculo Virtuoso da Regeneração
A carta também traz o argumento político e econômico que dá musculatura à proposta. O modelo, segundo Minev, é um poderoso instrumento para dissolver o ciclo do desmatamento ilegal: à medida que a população prospera com a floresta em pé, aumenta o respaldo social às ações de fiscalização e combate ao crime ambiental.
Do ponto de vista econômico, ele convoca o país a entender que a bioeconomia não se fará com romantismo extrativista, mas com ciência, apoio técnico, e aprendizado produtivo — o “learning by doing” descrito por Kenneth Arrow, Nobel de Economia. A experiência das fazendas experimentais da EMBRAPA, por exemplo, é apontada como base concreta para o mutirão. E mais: se o carbono for precificado a R$ 250 por tonelada, o retorno ambiental cobre 120% do investimento público e privado necessário. “Alguns falharão por má gestão ou seca, mas ainda assim não parecem existir alternativas melhores”, afirma.
Oportunidade Histórica
Minev defende que a COP30, marcada para Belém, é o momento-chave para essa virada de chave. Sua proposta está alinhada a objetivos ambientais, sociais, políticos e econômicos, oferecendo ao Brasil a chance de liderar um novo modelo de desenvolvimento baseado na floresta viva, na regeneração e no conhecimento. “Há uma oportunidade nacional de sair do maniqueísmo que coloca empreendedores amazônicos como vilões. Podemos entregar maior abundância e prosperidade ao mesmo tempo que entregamos mais Amazônia à próxima geração.”

Resumo da Proposta de Denis Minev
- Objetivo: criar um mutirão regenerativo com base em sistemas agroflorestais;
- Investimento: R$ 50 mil por hectare ao longo de 3 a 5 anos;
- Meta: formar 10 mil empreendedores por ano;
- Impacto anual:
- 50 mil hectares regenerados;
- 25 mil novos empregos;
- 12 milhões de toneladas de carbono armazenado;
- Renda de R$ 60 mil por hectare/ano;
- Custo anual: R$ 2,5 bilhões (5 a 10 anos);
- Retorno estimado (carbono): 120% do investimento;
- Alinhamento com a COP30: objetivos 5, 6, 8, 9, 18, 23, 28 e 29.
