Pesquisa científica aponta que secas intensas das últimas décadas reduzem o crescimento das árvores da Amazônia e aumentam a mortalidade de espécies tropicais. Esse cenário provoca emissões de gases de efeito estufa comparáveis as de um país inteiro.
Uma pesquisa científica que analisou mais de 10 mil árvores tropicais revelou que as secas intensas das últimas décadas já afetam o crescimento e a mortalidade das espécies amazônicas. Publicado na revista Science, o estudo mostra que, apesar da resiliência das árvores ao longo do último século, períodos de estiagem severa reduziram o crescimento anual dos troncos em 2,5% e aumentaram em 10% as taxas de mortalidade. Essa redução é suficiente para gerar emissões de gases de efeito estufa comparáveis às de um país do tamanho da Alemanha.
A pesquisa foi coordenada por 150 cientistas da rede TTRNetwork e analisou os anéis de crescimento de 163 espécies tropicais. Esses anéis revelam o impacto das variações climáticas no crescimento das árvores. Embora as árvores consigam retomar o crescimento após as secas, o aumento da temperatura e a intensificação da variabilidade climática tornam essa recuperação cada vez mais difícil.
Na Amazônia, a precipitação não diminuiu, mas o clima se tornou mais extremo, com chuvas torrenciais no verão e invernos mais secos. Esse cenário aumenta o risco de colapso no transporte de água nas espécies tropicais, o que pode levar à morte de árvores mais velhas. O estudo destaca que, com o agravamento das mudanças climáticas, a capacidade de absorção de carbono das florestas tropicais pode ser comprometida, aumentando a emissão de gases de efeito estufa e afetando o equilíbrio climático global.

