Racismo não se combate com boas intenções isoladas, mas com políticas consistentes, escuta ativa, educação institucional e corresponsabilidade. Pelo direito de Ser, Pertencer e Crescer é preciso trilhar um caminho coletivo e consciente. O TCE-AM está comprometido com esse caminho. Porque uma instituição só será justa se for, antes de tudo, consciente.
Em tempos de transformação institucional e de exigência crescente por justiça social, o enfrentamento ao racismo não pode mais ser adiado, relativizado ou silenciado. Sabemos que esse mal se manifesta de forma explícita em muitos contextos, mas também de modo velado e disfarçado, inclusive onde menos se espera: no interior de instituições públicas, em espaços de convivência profissional, e, infelizmente, no discurso de pessoas instruídas, religiosas, educadas — onde o preconceito se apresenta travestido de crítica, ironia ou suposta neutralidade.
Estudos contemporâneos da psicologia social revelam que o racismo assumiu novas formas, mais sutis e adaptadas às convenções democráticas. Deixou de se expressar apenas em palavras de ódio e passou a ocupar territórios simbólicos, normas silenciosas, discursos polidos. Essas manifestações — que se escondem sob o riso da “brincadeira”, o verniz do “bom senso” ou a indiferença institucional — são especialmente nocivas. Elas corroem a confiança, violam a dignidade e sabotam o direito à plena cidadania.

Diante dessa realidade, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas decidiu agir com coerência, profundidade e permanência. Instituímos, no âmbito da Corte, a Comissão de Assessoramento Permanente Antirracista, um colegiado técnico e engajado que terá como missão apoiar a formulação de políticas de equidade racial, promover letramento institucional e fomentar um ambiente verdadeiramente inclusivo, respeitoso e plural.
Essa comissão é voluntária, não remunerada, e composta por servidoras que se destacam por sua formação acadêmica e compromisso com a justiça racial:
- • Karolline de Andrade Porto (doutoranda em Antropologia Social e pesquisadora de racismos no Amazonas)
- • Paula Amles Ribeiro Rodrigues Barreiros (mestra em Administração Pública e Políticas Públicas)
- • Cristiane Barbosa Rodrigues e Renata Gama Cavalcante (mestrandas em Administração Pública)
Juntas, essas profissionais conduzem um trabalho técnico e humano, orientado pela Constituição Federal, pela Convenção Interamericana contra o Racismo, pela Lei Estadual nº 7.070/2024 e pelo Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas (MMD-TC), da Atricon.
A proposta não é formular discursos, mas sim orientar atitudes, transformar culturas, rever práticas. Estamos conscientes de que a construção de um ambiente institucional saudável começa pelo reconhecimento da diversidade como potência, e não como obstáculo. A equidade não é apenas um imperativo legal — é um valor de Estado, um princípio civilizatório.

Racismo Institucional
Essa iniciativa está diretamente alinhada ao nosso Plano de Logística Sustentável, especialmente no eixo “Qualidade de vida no ambiente de trabalho”, e visa fortalecer vínculos de confiança, respeito e empatia dentro e fora da instituição. Por isso, conclamamos servidoras e servidores — especialmente aqueles autodeclarados negros e indígenas — a se somarem à comissão, contribuindo com suas experiências para a formulação do Plano Antirracista da Corte.
Racismo não se combate com boas intenções isoladas, mas com políticas consistentes, escuta ativa, educação institucional e corresponsabilidade. O TCE-AM está comprometido com esse caminho. Porque uma instituição só será justa se for, antes de tudo, consciente.
