“A Amazônia não é um problema a resolver. É a solução que o mundo ainda não soube compreender e assumir .” – Paulo Haddad
Em um tempo em que o desenvolvimento da Amazônia exige mais do que diagnósticos – exige visão, coragem e compromisso com a floresta em pé – a contribuição do economista Paulo Haddad se eleva como uma bússola ética e técnica rumo à sustentabilidade real. Professor, pensador e gestor público, ele deixou um legado que inspira os rumos da bioeconomia e da governança inteligente dos recursos amazônicos.
No ensaio “Amazônia: entre o subdesenvolvimento planejado e o desenvolvimento sustentável possível”
Haddad não apenas denuncia o ciclo histórico de exploração predatória da região, como propõe um novo projeto civilizatório, em que o Brasil assume a Amazônia como um bem estratégico da humanidade – mas sob governança nacional, valorizando o conhecimento local, os povos originários e os recursos naturais como ativos do futuro.
Sua abordagem vai além da crítica
Haddad propõe instrumentos de planejamento regional com base em ecossistemas e convida o Brasil a liderar a transição global para uma economia verde a partir da Amazônia. Ele recusa a lógica da dependência e aponta caminhos concretos: políticas públicas integradas, articulação entre ciência e tradição, e financiamento climático com justiça territorial.
Foi um dos primeiros economistas brasileiros a enxergar a Amazônia não como obstáculo ao desenvolvimento
Mas como a nova fronteira de inovação, tecnologia e sustentabilidade. Sua influência alcança desde o Plano Amazônia Sustentável até os debates contemporâneos sobre bioeconomia, justiça climática e nova industrialização verde.
“É, pois, no contexto do atual estágio do capitalismo natural que as inovações científicas e tecnológicas de Bioeconomia adquirem elevada prioridade e levando a acelerar o crescimento da economia brasileira, abrindo um campo de oportunidades para as micro e pequenas empresas. Particularmente, dada a imensa biodiversidade da Amazônia, é possível afirmar que estamos no momento histórico privilegiado para mobilizar o potencial de desenvolvimento sustentável da Região.
SISTEMA DE PROMOÇÃO INDUSTRIAL DA BIOECONOMIA NA AMAZÔNIA
Quando se deseja mobilizar o potencial de desenvolvimento de uma região, é preciso transformar as ideias sobre as oportunidades de novos negócios em projetos de investimentos, os quais quase sempre precisam ser promovidos. Minas Gerais e o Ceará tiveram grande sucesso em atrair novos investimentos graças à institucionalização de um eficaz sistema de promoção industrial nos anos 1970 e 1980, respectivamente. Há diversas experiências em estados e municípios brasileiros para se estruturar na administração pública um sistema de promoção industrial.
Há casos em que os governantes preferem organizar um Gabinete de Incentivos Fiscais e localizá-lo na sede principal do governo, junto ao prefeito ou ao governador. Há casos em que os governantes preferem organizar uma Agência de Desenvolvimento para realizar a promoção industrial na Amazônia. E há casos em que a promoção se processa ad hoc, caso a caso.
De qualquer forma, o processo de promoção industrial passa por algumas etapas indispensáveis:
1ª) elaborar um conjunto de pré-projetos relativos às oportunidades de investimentos em Bioeconomia a serem promovidos, sendo que os projetos a serem promovidos devem atender aos seguintes critérios:
• sustentabilidade ambiental,
• avaliação econômica e financeira;
• avaliação socioambiental.
2ª) a construção de dois Centros Industriais de Bioeconomia na Amazônia que permitem localizar as inovações científicas e tecnológicas, sendo um na Amazônia Ocidental e outra na Amazônia Oriental;
3ª) criação de um sistema de incentivos fiscais e financeiros para a atração dos projetos de investimentos;
4ª) comunicação social e programação do processo de promoção dos projetos, exposições, esclarecimentos e negociações com associações empresariais, road show, organizações especializadas, etc.
A estrutura administrativa de uma instituição para a promoção das oportunidades de investimento na Amazônia não precisa repetir as experiências do passado, que eram muito complexas e pesadas burocraticamente. Estamos na Era da informática quando soluções inovadoras e criativas são viáveis. Essa estrutura deveria seguir os valores das “Seis Propostas para o Próximo Milênio” de Ítalo”