O fenômeno de deslocamento da poeira do Saara ocorre quando ventos intensos e secos que atuam sobre o deserto levantam partículas de poeira, que viajam a altitudes entre 2 km e 5 km
Pesquisadores detectaram a presença de poeira vinda do deserto do Saara em plena floresta amazônica, após uma jornada de mais de 5 mil quilômetros impulsionada por correntes de vento.
Segundo o g1, a descoberta foi realizada pelo Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), que mantém uma estrutura de 325 metros de altura dedicada à análise contínua da qualidade do ar. Entre janeiro e março deste ano, a torre registrou três episódios distintos de chegada das partículas, embora os dados só tenham sido divulgados agora.

O fenômeno ocorre quando ventos intensos e secos que atuam sobre o deserto do Saara levantam partículas de poeira, que viajam a altitudes entre 2 km e 5 km. Essas correntes atmosféricas conseguem transportar os sedimentos por milhares de quilômetros até a América do Sul.
A travessia do Atlântico acontece, principalmente, durante o verão do hemisfério sul, período em que a Zona de Convergência Intertropical se desloca mais ao sul. O trajeto pode durar de uma semana a duas, dependendo da velocidade dos ventos responsáveis pelo deslocamento da poeira.

Os cientistas ainda investigam os efeitos diretos do fenômeno no meio ambiente. “O que já se sabe é que o potássio e o fósforo da poeira mineral contribuem, no longo prazo, para a manutenção da fertilidade do solo, que em geral é muito pobre”, afirma o pesquisador do INPA e coordenador do ATTO pelo lado brasileiro, Carlos Alberto Quesada.
