Quem manda no orçamento? a quem serve o ajuste fiscal?

“A pergunta é legítima: se o mercado é quem mais cobra ajuste fiscal, por que não se coloca à mesa para discutir sua parte no sacrifício nacional? Não é racional exigir cortes em programas que combatem a fome e a miséria, ou nos incentivos ao setor produtivo, e ao mesmo tempo blindar os ganhos financeiros de quem nada arrisca nem redistribui”

Reduzir o protagonismo do Parlamento brasileiro a uma suposta “chantagem” via emendas parlamentares é um equívoco analítico e político. A nova postura de autonomia do Congresso em relação ao Executivo não se explica apenas por esse fator. Na verdade, essa independência institucional específica convive com uma crescente dependência de forças econômicas muito bem organizadas, sobretudo o mercado financeiro.

O tripé da influência política mudou de peso

Três forças sempre atuaram sobre a política:

🔵 A sociedade organizada
(base cidadã)
▲
│
┌─────────────────┼─────────────────┐
│ │
▼ ▼
🔵 O setor produtivo nacional 🔵 O mercado financeiro
(geração de valor) (fomento e regulação)

Na atual correlação de forças, a sociedade civil perdeu protagonismo. O setor produtivo nacional, especialmente o que gera emprego e opera com políticas de incentivo, passou a ser apontado como culpado pelo desequilíbrio fiscal.

O silêncio cúmplice em torno da dívida pública

É dentro desse cenário que se deve entender a seletividade do debate econômico. Quando a política se senta à mesa para discutir o ajuste fiscal, discute-se o corte de gastos sociais, a redução de incentivos produtivos, a limitação de políticas regionais. Mas não se fala da estrutura da dívida pública.

Os números não mentem

O orçamento da União para 2025 projeta:

AJUSTE FISCAL

A pergunta é legítima: Se o mercado é quem mais cobra austeridade, por que não se coloca à mesa para discutir sua parte no sacrifício nacional? Não é racional exigir cortes em programas que combatem a fome e a miséria, ou nos incentivos ao setor produtivo, e blindar os ganhos financeiros de quem nada arrisca nem redistribui.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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