Tecnologia inovadora une celulares velhos e IA ao som da floresta para frear o desmatamento ilegal

Atualmente, cerca de 600 desses dispositivos operam em sete países, protegendo aproximadamente 726 mil hectares de florestas com a tecnologia inovadora, incluindo áreas no Brasil

O desmatamento já é responsável por 46% das emissões brutas de gases de efeito estufa no país, número muito superior à média global de 17%. A situação se agrava ainda mais com a constatação de que 99% do desmatamento no Brasil apresenta indícios de ilegalidade, segundo dados do MapBiomas.

Em busca de soluções para mitigar esse cenário, a Rainforest Connection (RFCx), uma ONG internacional, desenvolveu uma tecnologia inovadora para proteger ecossistemas florestais usando tecnologia acústica. Seu sistema chamado “Guardian” emprega microfones de alta sensibilidade instalados no alto das árvores, conectados a celulares reaproveitados e alimentados por energia solar.

Esses dispositivos capturam sons em um raio de até 1 km e os analisam com inteligência artificial. Quando sons característicos de atividades ilegais, como motosserras, tratores ou caminhões, são detectados, o sistema envia alertas em tempo real às equipes de conservação, permitindo uma resposta rápida para conter o desmatamento e outras ameaças.

Os dispositivos Guardians possuem um microfone externo altamente sensível que capta todos os sons ambientes dentro de um raio de 50 a 1.500 metros, dependendo da origem do som.
Os dispositivos Guardians possuem um microfone externo altamente sensível que capta todos os sons ambientes dentro de um raio de 50 a 1.500 metros, dependendo da origem do som | Foto: Divulgação/RFCX

Atualmente, cerca de 600 dispositivos “Guardians” operam em sete países, protegendo aproximadamente 726 mil hectares de florestas, incluindo áreas no Brasil. Uma das beneficiadas é a Terra Indígena Tembé, no Pará, onde, após a retomada de parte do território de posse ilegal, o sistema foi instalado para monitorar e proteger a reserva.

Além de identificar atividades ilícitas, os sons captados também são utilizados para fins de monitoramento bioacústico, contribuindo para a criação do “Audio Ark” — o maior repositório compartilhável e pesquisável do mundo com sons de florestas tropicais e dados ecológicos.

Tecnologia inovadora usa celulares velhos, IA e o som da floresta para frear o desmatamento ilegal.
Tecnologia inovadora usa celulares velhos, IA e o som da floresta para frear o desmatamento ilegal | Foto: Divulgação/RFCX

Cada canto de pássaro, zumbido de inseto ou som animal captado pelos dispositivos da Rainforest Connection representa um valioso dado ecológico. Esses sons permitem identificar novas espécies, rastrear animais em risco de extinção e fornecer informações essenciais para pesquisadores.

A base sonora, integrada ao repositório global “Audio Ark”, permite monitorar mudanças nos ecossistemas — naturais ou causadas por ações humanas — a um custo relativamente baixo. Com isso, a tecnologia não só previne o desmatamento ao identificar rapidamente atividades ilegais, como também fortalece o conhecimento da biodiversidade local e acompanha mais de 4 mil espécies em suas interações com o ambiente, fornecendo subsídios para políticas públicas, gestão territorial e conservação ambiental eficaz.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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