Além de estimular a pesquisa aplicada e projetos sustentáveis, a iniciativa se conecta a setores empresariais, impulsionando bioeconomia, inteligência artificial voltada à sustentabilidade e recuperação ambiental
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o CNPq lançaram uma chamada pública com aporte de R$ 33,5 milhões para financiar pesquisas na Amazônia Legal, com foco no desenvolvimento sustentável. O edital visa incentivar inovação científica e tecnológica, promovendo soluções para os desafios regionais e gerando oportunidades para empreendedores e cientistas com projetos sustentáveis.
Além de estimular a pesquisa aplicada, a iniciativa se conecta a setores empresariais, impulsionando bioeconomia, inteligência artificial voltada à sustentabilidade e recuperação ambiental. Com isso, empresas locais poderão se beneficiar por meio de transferência tecnológica, parcerias e cooperação internacional promovidas pelo programa.
O edital do MCTI e CNPq para financiamento de pesquisas exige que os projetos tenham parcerias entre Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do Brasil e de países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) — Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Essa exigência promove o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias adaptadas à realidade amazônica, ampliando o alcance e a efetividade das soluções propostas.
Interessados devem submeter suas propostas até 10 de junho, com resultado preliminar previsto para julho, seguido por período de recursos antes da divulgação final.
Projetos de sucesso na Amazônia
Ampliar oportunidades de startups e empresas inovadoras que buscam desenvolver projetos sustentáveis na Amazônia também é um objetivo fortalecido por organizações como o Idesam, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
Recentemente, esse incentivo trouxe à tona iniciativas de impacto dentro da bioeconomia na quinta edição do edital Elos da Amazônia – Empreendedorismo Científico Indígena. O projeto premiou dois cientistas indígenas por soluções tecnológicas inovadoras que unem sustentabilidade, cultura e negócios: a ManioColor, um corante natural vindo da mandioca, e a IKABEN, uma tecnologia de blockchain na moda indígena, com o objetivo de proteger a propriedade intelectual de grafismos indígenas.
“A Amazônia não precisa apenas ser explorada, ela precisa ser respeitada e reinventada. Quem vive aqui conhece as suas necessidades e potencialidades. Com a IKABEN, estamos desenvolvendo uma tecnologia que valoriza a arte indígena como uma tecnologia ancestral, garantindo inovação com respeito e assegurando que essa essência resista e prospere pelo mundo. Nosso trabalho é criar ferramentas que protejam o patrimônio cultural dos povos indígenas, oferecendo transparência e reconhecimento para cada traço, cada peça e cada história que sobrevive há milênios”, afirma Joeliton Vargas Moraes, da IKABEN.