Mudança de cor dos oceanos está atrelada a mudanças climáticas, apontam cientistas

As mudanças na cor dos oceanos indicam transformações na saúde do fitoplâncton, organismos vitais para o ecossistema marinho que são diretamente afetados pelo aumento da temperatura global

Os ecossistemas da superfície oceânica cobrem 70% da superfície da Terra e são responsáveis por aproximadamente metade da produção primária global. Entretanto, devido ao impacto e intensificação das mudanças climáticas, eles vivenciam uma série de alterações em sua dinâmica. A mais recente novidade é a mudança de coloração das águas – e a culpa, além da ação humana, é dos fitoplânctons.

Em estudo publicado na revista Nature, pesquisadores do MIT analisaram esse cenário ao longo de duas décadas e concluíram que, muito em breve, o clássico azul dos mares pode deixar de ser o padrão, tornando-se mais esverdeado a cada ano e a cada aumento no aquecimento do planeta. Essas mudanças na cor dos oceanos, por mais que ainda não sejam visíveis a olho nu, refletem diretamente a saúde do fitoplâncton, organismos microscópicos que desempenham funções essenciais para os ecossistemas marinhos e o equilíbrio climático global. Ricos em clorofila, são fundamentais na captura de dióxido de carbono da atmosfera e impactam na cor das águas.

Florescer fitoplâncton na costa da Argentina, evidenciando sua influência na cor dos oceanos
Florescer fitoplâncton na costa da Argentina | Foto: NASA

A questão no momento é que as regiões tropicais, próximas à linha do Equador, vivenciam um aumento progressivo da temperatura das águas, que aquece as camadas superficiais do oceano. Isso dificulta que o fitoplâncton alcance a superfície, onde realiza a fotossíntese necessária para sua alimentação e sobrevivência. Como consequência, a redução da captura de carbono pelos oceanos intensifica o ciclo de aquecimento global, levando à morte de fitoplânctons incapazes de realizar fotossíntese. A redução na população desses organismos desencadeia uma série de impactos na cadeia alimentar marinha, contribuindo para a extinção gradual de peixes e mamíferos que dependem deles como fonte de alimento.

Segundo a pesquisa, aliada a dados de monitoramento da NASA, mais da metade dos oceanos do planeta está passando por essa transformações significativas. Embora pareçam ocorrer lentamente, as mudanças na cor dos oceanos são um indicador rápido e sensível das alterações climáticas em curso, e podem acontecer em paralelo a extinção de espécies.

Espalhamento de algas no Oceano Pacífico Sul, em torno da Nova Zelândia, onde a mudança de cor é mais óbvia.
Espalhamento de algas no Oceano Pacífico Sul, em torno da Nova Zelândia, onde a mudança de cor é mais óbvia (Imagem: MODIS/NASA)

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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