Para além do mercúrio do garimpo, rios da Amazônia recebem 182 mil toneladas de plástico por ano

Rios da Amazônia sofrem com mercúrio do garimpo ilegal e agrotóxicos do agronegócio, agora novo estudo detalha que pássaros estão construindo seus ninhos com plástico devido a enorme quantia do material

A Amazônia, conhecida por abrigar um quinto da água potável do planeta e por sua vasta biodiversidade, enfrenta uma crise silenciosa e crescente: a poluição hídrica. Essa realidade não apenas compromete o ecossistema aquático, mas também ameaça a saúde das populações locais e a biodiversidade da região.

Poluição Visível e Invisível

A poluição hídrica na Amazônia é um fenômeno preocupante que altera as propriedades químicas, físicas e biológicas dos corpos d’água. Essa contaminação resulta em crises de abastecimento e desencadeia doenças como diarreia, cólera e febre tifoide. A situação se agrava com o garimpo ilegal, que lança mercúrio nos rios, e a expansão do agronegócio irresponsável, que utiliza agrotóxicos perigosos, deteriorando ainda mais o equilíbrio socioambiental.

Garimpo amazonia Foto Bruno Kelly Greenpeace
foto: Bruno Kelly

Além disso, a poluição por plástico também é uma ameaça crescente na Amazônia. Estudos mostram que esses poluentes afetam o solo e a fauna local, destacando a gravidade da poluição invisível. Uma pesquisa (ainda não publicada) da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que 66,6% dos ninhos do pássaro japu, encontrado nas matas sul-americanas, contêm fibras plásticas. Esse dado ilustra como o descarte inadequado do plástico afeta diretamente a fauna da região.

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O Japu, ave originária da Amazônia

José Eduardo Martinelli Filho, professor da UFPA, estima que 182 mil toneladas de plástico são despejadas anualmente nas águas da Amazônia, tornando-a a segunda bacia hidrográfica mais poluída do mundo. Esse plástico provém não apenas das cidades amazônicas, mas também de países como Colômbia e Peru.

O ciclo de contaminação

Estudos da UFPA mostram que plantas macrófitas aquáticas no rio Amazonas retêm microplásticos, contaminando a cadeia alimentar. Espécies que se alimentam dessas plantas, assim como peixes que ingerem diretamente as micropartículas presentes na água, estão cada vez mais expostos a esses poluentes.

A 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Belém, debateu extensivamente a questão do plástico na Amazônia. Os pesquisadores destacaram a gravidade do problema, exacerbado pelo saneamento inadequado, pelas vastas dimensões da região e pela escassez de estudos.

Para além do mercúrio do garimpo, rios da Amazônia recebem 182 mil toneladas de plástico por ano
Foto: Raphael Alves Amazônia Real

Desafios de saneamento na Amazônia

A situação do saneamento básico na Amazônia é crítica. Martinelli Filho apresentou dados alarmantes: 70% das cidades da Amazônia brasileira não possuem tratamento de água, e apenas 2,6% dos municípios têm condições adequadas de saneamento. Cidades como Altamira, no Pará, possuem uma única estação de tratamento de água, incapaz de atender a demanda da população.

A pesquisa limitada, a falta de recursos e as dificuldades metodológicas tornam a avaliação dos impactos e a implementação de medidas de mitigação um desafio hercúleo. Sem uma padronização e um conhecimento sólido, é quase impossível enfrentar efetivamente a poluição hídrica na Amazônia.

Com informações d’O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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