Novo estudo revela que para combater o desmatamento na Amazônia é necessário mais de R$10 bilhões

O relatório elabora quais são as atividades necessárias e que podem contribuir decisivamente para o combate efetivo do desmatamento na Amazônia, dando também o gasto necessário para sua concretização

Para assegurar a conservação da Amazônia e combater o desmatamento, seria preciso investir anualmente um valor entre US$ 1,9 bilhão (aproximadamente R$ 9,5 bilhões) e US$ 2,3 bilhões (em torno de R$ 11,5 bilhões), conforme aponta um estudo da Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono. Este investimento representa uma fração menor que 1% do valor econômico anual produzido pela floresta, estimado em cerca de US$ 317 bilhões (R$ 1,6 trilhão) pelo Banco Mundial.

O Estado de S. Paulo ressalta que essa estimativa surge da proposta de estabelecer zonas de amortecimento, incentivando financeiramente os detentores de terras a preservarem a floresta. A soma do custo de conservação com o custo de oportunidade por não explorar economicamente essas terras resulta em um valor de US$ 12,40 (R$ 62,24) por hectare.

Novo estudo revela que para combater o desmatamento na Amazônia é necessário mais de R$10 bilhões
Para mais informações, acesso o estudo na íntegra

O papel do Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia, instituído em 2008 pelo governo do Brasil, é apresentado como um dos principais mecanismos para financiar a luta contra o desmatamento. Este fundo, que opera sob o mecanismo REDD+, tem como objetivo captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, promovendo também a conservação e o uso sustentável da Amazônia brasileira.

Atualmente, o Fundo Amazônia conta com uma reserva de US$ 820 milhões (R$ 4,1 bilhões) e espera-se que receba adicionalmente US$ 660 milhões (R$ 3,3 bilhões) provenientes de doações de países como Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Reino Unido.

Desmamento Amazonia Careiro da Varzea Amazonas Foto Alberto Cesar Araujo Amazonia Real
foto: Alberto Cesar Araujo

Desafios e potenciais do mercado de carbono

A Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono observa que, apesar dos recursos significativos, a capacidade de investimento efetiva do fundo foi de cerca de US$ 104 milhões (R$ 522 milhões) em 2022, podendo alcançar aproximadamente US$ 170 milhões (R$ 853,3 milhões) com a adição de novos recursos. Isso corresponde a cerca de 7% do total necessário por ano para a preservação das áreas de amortecimento.

Adicionalmente, destaca-se a importância do mercado voluntário de carbono como um elemento crucial na conservação da floresta. Este mercado opera sob a lógica de que empresas podem compensar suas emissões de gases de efeito estufa, seja reduzindo-as ou neutralizando-as através de ações como a regeneração de áreas florestais, e posteriormente vender esses créditos de carbono a outras empresas que excederam suas emissões permitidas, conforme explicado pelo Estadão.

Tero Carbon Projeto Carbono Aruana I

Estratégias integradas para a conservação da Amazônia

O relatório enfatiza a necessidade de uma estratégia diversificada para prevenir o desmatamento na Amazônia, envolvendo a colaboração de governos federal e estaduais, comunidades locais, organizações não governamentais, governos internacionais e o setor privado.

“Um cenário bem-sucedido poderia envolver uma abordagem tripartite com ajuda estadual, mercados de carbono jurisdicionais e projetos que mantenham a integridade jurisdicional”, destaca o documento.

Para alcançar esse objetivo, é essencial a coordenação entre diferentes atores em várias frentes:

  • A regularização fundiária é crucial para diminuir ou eliminar o desmatamento ilegal causado por invasões de terras e fraudes.
  • É necessário acelerar o desenvolvimento de metodologias e mecanismos que direcionem investimentos privados para a conservação. Isso inclui a implementação de estruturas que permitam a operacionalização de mercados de carbono jurisdicionais, evoluindo as práticas de conservação do simples combate ao desmatamento para o efetivo armazenamento de carbono.
  • Fortalecer a integridade dos projetos privados de REDD+ é outra medida importante.
  • Garantir um aumento no financiamento público internacional e do setor privado para a conservação florestal é vital, considerando que os benefícios da conservação ultrapassam fronteiras nacionais.
  • Desenvolver um framework comum que aborde o impacto socioeconômico da conservação e restauração florestal, adaptado às especificidades sociais e legais da região, é fundamental.
  • É necessário estabelecer diretrizes claras para facilitar projetos de restauração florestal e a venda internacional de serviços de sequestro de carbono, expandindo as zonas de amortecimento existentes e promovendo uma economia de carbono como alternativa ao desmatamento.

O relatório conclui alertando para as graves consequências da inação no combate ao desmatamento global. A perda contínua de florestas ameaça não apenas a biodiversidade, destruindo habitats e levando à extinção de espécies, mas também pode empurrar ecossistemas inteiros para um ponto de não retorno, onde a restauração ao seu estado original se torna impraticável.

Com informações do Estadão

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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