Ibama exige novos estudos para discutir exploração na Foz do Amazonas

Novo presidente do órgão, Rodrigo Agostinho cogita exigir Avaliação Ambiental Estratégica para basear decisão sobre projeto de exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que o órgão pode exigir a realização de uma avaliação ambiental estratégica para subsidiar o licenciamento na Foz do Amazonas, bacia onde a Petrobras tenta iniciar sua próxima campanha de perfuração de poços de petróleo e gás.

“Eu não posso antecipar uma decisão, mas uma Avaliação Ambiental Integrada, [ou] uma Avaliação Ambiental Estratégica, é, sim, uma possibilidade”, disse Agostinho em entrevista à agência Sumaúma.

A Foz do Amazonas é uma região de nova fronteira exploratória, que se estende dos limites marítimos com a Guiana Francesa, pela costa dos estados do Amapá e Pará.

“A gente não está falando apenas de um poço de petróleo, estamos falando de abrir uma região inteira do Brasil para a exploração petrolífera. Obviamente que a Avaliação Ambiental Estratégica é uma possibilidade real e está em análise neste exato momento”, completou

Ibama exige novos estudos para discutir exploração na Foz do Amazonas
Rodrigo Agostinho (PSB), novo presidente do Ibama, escolhido por Marina Silva (Rede), discursa na Câmara (Foto: Agência Câmara)

Se de fato a exigência for feita, pode levar à suspensão do licenciamento da Petrobras na região.

Ao contrário do que é feito individualmente pelas empresas, as avaliações integradas são estudos contratados pelo governo federal, para robustecer o conhecimento ambiental de determinadas regiões.

A própria ministra Marina Silva (Rede) já defendeu a realização de uma AAE ou uma AAI, que consistem em avaliações mais amplas do que um Estudo de Impacto Ambiental — pré-requisito a ser apresentado pelas empresas para obter o licenciamento de um projeto, o que já foi feito pela Petrobras.

“[A exploração da Foz do Amazonas] é altamente impactante, e temos instrumentos para lidar com projetos altamente impactantes, que é o instrumento da avaliação ambiental integrada, da avaliação ambiental estratégica”, disse Marina.

Em 2020, a Petrobras assumiu o bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, que seria operado pela BP, que abandonou o projeto — a estatal fez o mesmo com os blocos da TotalEnergies. A expectativa era obter os licenciamentos a partir dos estudos de impacto ambiental apresentados, o que foi descartado pela ministra.

“Não pode ser um licenciamento puramente pontual, é preciso fazer uma avaliação ambiental estratégica e trazer para a mesa todos os elementos, as implicações de um projeto como esse”, disse Marina.

Marina Silva Getty Images
Marina Silva – foto: Getty Images

Sem promessas de prazo para licença na Foz

Atualmente, a Petrobras espera conseguir uma autorização para uma simulação na região, estratégia da companhia para demonstrar os recursos de segurança

Rodrigo Agostinho afirmou que não há nenhuma decisão sobre a emissão da licença nos próximos dias ou semanas, e que todas as recomendações estão sob análise: “Nós ainda não tomamos uma decisão, mas todas as recomendações são, em tese, possíveis de ser atendidas”.

AAAS: Em 11 anos, apenas dois registros

Questionado se seguiria a recomendação de técnicos do Ibama e pediria uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), Rodrigo Agostinho não afirmou se este será o caminho adotado pela pasta.

A AAAS é um instrumento criado em 2012 por meio de uma portaria conjunta do Ministério de Minas e Energia e do Ministério do Meio Ambiente, para subsidiar com informações técnicas o processo de outorga de blocos exploratórios de petróleo e gás natural em bacias marítimas e terrestres. Trata-se de um tipo de Avaliação Ambiental Estratégica.

recifes na foz do amazonas
Ilustração, jornal.usp.br.

O principal objetivo da AAAS é a elaboração de um Estudo Ambiental de Área Sedimentar (EAAS), que vai indicar a aptidão de áreas para a atividade de exploração de óleo e gás e subsidiar o processo de licenciamento ambiental de empreendimentos em determinada região.

“Elas [as AAAS] seriam mais importantes e mais úteis justamente em regiões que ainda são novas para eventual produção de petróleo e gás”, afirma Luis Sánchez, professor da Escola Politécnica da USP.

“Porque elas permitiriam ajudar a tomar decisões lá na frente sobre o licenciamento ambiental. Indicariam áreas não aptas para atividade de perfuração, e então nesses lugares nem caberia uma empresa solicitar uma licença ambiental, ou até mesmo a ANP ofertar”, completa Sánchez.

O instrumento foi criado um ano antes do leilão da bacia no Foz do Amazonas, mas desde então apenas dois estudos foram produzidos: na bacia do Solimões, e na bacia marítima de Sergipe-Alagoas/Jacuípe.

O primeiro, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o segundo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Fonte: EPBR

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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