Novo governo Lula herdará cerca de 5.000 km² de desmatamento do governo Bolsonaro

Amazônia perdeu 555km² de cobertura vegetal pelo desmatamento apenas no último novembro, número 123% maior que o mesmo mês no ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

O desmatamento na Amazônia em novembro alcançou 555 km², uma área equivalente à metade da capital paraense, Belém. O resultado representa um aumento de 123% em relação ao mesmo mês de 2021 e é o segundo pior da série histórica de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (DETER/INPE), só perdendo para o segundo ano do governo Bolsonaro. Os números foram atualizados nesta sexta-feira (9).

Como a taxa anual de desmatamento na Amazônia é sempre medida de agosto de um ano a julho do ano seguinte, o presidente-eleito Lula vai herdar toda a destruição causada nos últimos seis meses do atual governo. E o número não é pequeno. 

O acumulado de alertas somente de agosto a novembro deste ano já chega a 4.574 km², um recorde da série histórica para este período. Faltando ainda um mês para a acabar o ano, é muito provável que a taxa chegue perto de 5 mil km². A média de alertas para dezembro nos últimos sete anos foi de 157 km² de desmatamento.

“Esse governo que está chegando ao fim foi um desastre para a floresta e é culpado pelos últimos quatro anos terem registrado taxas de desmatamento acima de 10 mil km². Estamos cansados de ver, mês após mês, um número enorme de alertas de desmatamento na Amazônia. O próximo governo terá um árduo trabalho pela frente para diminuir esses índices alarmantes”, diz Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

desmatamento Amazônia
Greenpeace realizou sobrevoos no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar desmatamento e queimadas na Amazônia em julho de 2022. Foto: Christian Braga/Greenpeace

Durante o governo Bolsonaro, o desmatamento teve altas constantes. Segundo outro programa do INPE, o Prodes, que mede as taxas anuais de destruição, em 2019 foram 10,1 mil km² de floresta amazônica perdida; em 2020, 10,9 mil km²; em 2021, a cifra chegou a 13 mil km² e, em 2022, a 11,5 mil km². 

A média anual sob Bolsonaro foi de 11.396 km² , contra 7.145 mil km² no período anterior (2015-2018).

“O que vemos na Amazônia é resultado de um plano de destruição implementado pelo atual governo. Bolsonaro deixará uma herança nefasta para o Brasil, e deve ser responsabilizado legalmente por toda a destruição que causou”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. 

Desmatamento nos estados

Lidera o ranking da destruição da Amazônia o estado do Pará, com 144 km² desmatados (26%), seguido de Rondônia, com 115 km² (21%), Mato Grosso, com 108 km² (19%), Amazonas, com 86 km² (16%), Acre, com 85 km² (15%), Maranhão, com 9 km² (1,6%), Roraima, com 2 km² (0,4%) e Tocantins, com 1 km² de alertas de desmatamento registrado (0,2%).

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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