Orquestra de Câmara da USP retrata a Amazônia em espetáculo imersivo

Com obras de Takashi Yoshimatsu, Villa-Lobos e Tom Jobim, evento inclui projeção de imagens da artista visual paraense Roberta Carvalho

Por Mariana Carneiro

Nos dias 2 e 3 de julho, a Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP apresentará o concerto inédito Sobre Voar, inspirado nos sons e ambientes da Floresta Amazônica. Idealizado com a artista visual paraense Roberta Carvalho, o evento reunirá música, imagens, luzes e movimento no palco do Teatro B32, em São Paulo. Gil Jardim e André Bachur assumem a regência do espetáculo, que ainda conta com três solistas — Jennifer Campbell (harpa), Ji Yon Shim Anderson (violoncelo) e Antonio Carrasqueira (flauta).

Fundada em 1995, a Ocam é um grupo profissionalizante composto de alunos do Departamento de Música da ECA e dirigido por Gil Jardim, docente e maestro que assumiu o cargo há 21 anos. Abraçando um programa acadêmico, a orquestra busca introduzir seus membros em diferentes períodos da história da música clássica, seja ela nacional ou internacional — composições de artistas brasileiros e japoneses, por exemplo, integram o repertório do concerto Sobre Voar.  

Maestro Gil Jardim
O professor Gil Jardim, maestro da Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

“O primeiro compositor que escolhemos para a apresentação é o contemporâneo Takashi Yoshimatsu, japonês. Boa parte da produção dele é inspirada no canto dos pássaros, o que me remeteu ao Brasil”, conta o maestro Gil Jardim. “A música japonesa traz um alto grau de contemplação, além de ser extremamente visual — isso nos ligou ao desejo que já tínhamos de trabalhar com a Roberta Carvalho”, continua. 

Natural de Belém do Pará, Roberta desenvolve projetos audiovisuais utilizando a técnica video mapping, também conhecida como projeção mapeada. Desde 2013, a artista promove o festival Amazônia Mapping, espetáculo que envolve a projeção de imagens na arquitetura, vegetação e rios da capital paraense. 

Durante a performance com a Ocam, as paisagens visuais características da obra da artista serão exibidas em múltiplas telas ao redor do palco. “Esse espetáculo vai aguçar não apenas a percepção sensorial do público, mas também a sua percepção do Brasil. O trabalho da Roberta tem uma identidade própria, que naturalmente engloba a população local, a mata, os pássaros e todos os outros seres vivos que convivem na Amazônia. Foi um vínculo perfeito”, revela Jardim.

Composições de dois artistas brasileiros, Heitor Villa-Lobos e Tom Jobim, complementam a seleção musical da apresentação. “Existe um trânsito muito bom entre esses dois compositores, em termos de identidade brasileira. Um se dedicou à música clássica, e o outro, um pouco mais à música popular”, conta o maestro Jardim. “Quando decidimos trabalhar com Villa-Lobos e Jobim, o nosso círculo para o concerto se fechou. Partimos do Takashi Yoshimatsu, abraçamos toda a natureza brasileira através de Roberta Carvalho e chegamos, enfim, à música nacional.”

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Folheto de divulgação do espetáculo. Foto: Divulgação/Ocam

Para Jardim, os casos frequentes de exploração dos recursos naturais e invasão às terras indígenas amazônicas — que ocupam 23% do território do bioma, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) — reforçam a urgência de uma conscientização ambiental no País. “Além de buscar qualidade técnica, eu sempre procurei relacionar minhas apresentações com aquilo que acontece fora dos palcos. Atualmente, a sociedade brasileira vivencia um período histórico em que existem muitas liberdades em jogo — não só a liberdade do ser, mas também a da floresta, a dos animais, a dos rios —, e isso vem sendo naturalizado”, reflete o músico. “É inadmissível que os organismos de cultura estejam desatrelados dessa realidade. Só há um caminho, que é a conexão profunda e o respeito profundo pela natureza”, completa.

O concerto Sobre Voar, da Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, acontece neste sábado, dia 2, às 20 horas, e no domingo, dia 3, às 18 horas, no Teatro B32 (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.732, Itaim Bibi, em São Paulo). Entrada: R$ 80,00 (inteira). Mais informações estão disponíveis no site da Ocam.

Texto publicado originalmente em Jornal da USP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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