Aquecimento do Ártico segue em ritmo assustador: média é muito superior ao resto do planeta

Por Suzana Camargo

Não é de hoje que os cientistas alertam sobre os sinais assustadores que vem do Ártico. Em todo o planeta, o polo norte é o que mais tem sofrido com o aquecimento global. O degelo na região atingiu um nível alarmante: uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas.Em março deste ano, por exemplo, os termômetros marcaram 30 graus acima da média esperada para esta época do ano.

E agora, um novo estudo divulgado na publicação Scientific Reports traz ainda mais dados inquietantes. O aumento da temperatura no Ártico, mais especificamente ao norte do Mar de Barents, entre a Noruega e a Rússia, é sete vezes superior ao registrado no resto da Terra.

Ao analisar a temperatura nessa área ao longo dos últimos 20 a 40 anos, os cientistas identificaram um aquecimento anual recorde de até 2,7 °C por década, com um máximo no outono de até 4°C por década. Ainda segundo os pesquisadores, o padrão de aquecimento é consistente com as reduções na cobertura de gelo marinho.

“As mudanças na temperatura do ar da superfície (SAT) e no gelo marinho são os principais impulsionadores da transformação ambiental em curso no Ártico e são um dos principais sinais do aquecimento global. Por mais de quatro décadas, a extensão da cobertura de gelo diminuiu quase continuamente, com as maiores tendências em setembro e as menores em março”, revelam os envolvidos no estudo.

Vale ressaltar que o clima no Mar de Barents tem impacto direto em regiões ao norte da Ásia, Europa e América. Em fevereiro de 2021, milhões de pessoas ficaram sem energia e água no Texas devido à uma intensa nevasca, associadada justamente com o aquecimento do Ártico.

Em fevereiro, cientistas do Painel do Clima das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), fizeram projeções graves em seu mais recente relatório. De acordo com a análise, no curto prazo, até 2040, a mudança climática causará aumentos “substanciais” nos riscos à humanidade e aos ecossistemas do planeta, alguns deles já inevitáveis devido às emissões históricas de gases de efeito estufa. Entre os citados está o Ártico, que pode entrar no chamado “ponto de virada”, a partir dos qual ele se transforma de maneira irreversível (leia mais aqui).

Texto publicado originalmente em Conexão Planeta 16/06/2022

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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