Projeto de lei dá a Bolsonaro poder de liberar mineração em qualquer área do país

PL 571/22 autoriza exploração em terras indígenas e outras áreas protegidas em “momentos de crise”

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 571/2022, que libera a mineração em qualquer área do país, incluindo unidades de conservação, terras indígenas e propriedades particulares.

Pelo texto, projetos minerários poderão ser declarados de “interesse nacional” pelo presidente da República, diante de mudanças no contexto global e interno que possam provocar desabastecimento em momentos de crise. 

O PL 571/2022 é de autoria do deputado José Medeiros (PL-MT). Vice-líder do governo de Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar é um dos principais defensores da regulamentação do garimpo ilegal e aliado próximo do presidente. 

Ao justificar a proposta, Medeiros escreveu que o conflito na Ucrânia poderá prejudicar o abastecimento de fertilizantes, importados principalmente da Rússia. 

“Sem o insumo poderemos ir à completa bancarrota, na medida em que o agronegócio, principal sustentáculo da economia, não poderá se desenvolver de forma adequada”, argumentou.

Texto não prevê consulta a indígenas 

O regime de tramitação não prevê votação no plenário. Para ser aprovado, o texto precisará apenas do parecer de três comissões da Câmara: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Minas e Energia; e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Apresentado pelo autor no dia 13 de março, o PL foi encaminhado às comissões no começo de abril.

O texto não estabelece mecanismos de consulta prévia a povos tradicionais afetados pelos empreendimentos. Ao mencionar indígenas, o PL permite ao Executivo definir a “participação das comunidades no resultado da lavra”. 

Ainda de acordo com a proposta, o licenciamento ambiental dos projetos considerados de interesse nacional deverão ter “prioridade absoluta” na tramitação junto a órgãos ambientais. Caso os projetos ocorram em áreas privadas, os proprietários seriam indenizados.

Lira acelera projetos antiambientais

O presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), responsável por coordenar a tramitação dos projetos, tem acelerado as votações de iniciativas antiambientais consideradas prioritárias pelo governo federal. 

Um exemplo é o PL 191/2020, que autoriza a mineração e outros empreendimentos de grande impacto em terras indígenas. 

Alvo de protestos de ambientalistas, artistas e movimentos sociais, o texto é considerado inconstitucional por advogados da área ambiental e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Após a repercussão negativa, mineradoras com atuação no Brasil se posicionaram contra a tramitação do PL 191, e Lira desacelerou a tramitação, que é feita em regime de urgência.

Fonte: Brasil de Fato

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Congresso acelera debate sobre mineração em terras indígenas após decisão do STF

Decisão judicial expõe disputa entre interesses econômicos, direitos indígenas...

Entre impostos , dívidas e apostas, a renda encurta 

“O Brasil entrou em uma fase curiosa e preocupante...

A Amazônia diante de um mundo em ruptura

Geopolítica instável, economia sob pressão e inteligência artificial reconfiguram...

Nova enzima sustentável na indústria de papel promete corte de poluentes

Nova enzima sustentável na indústria de papel reduz químicos tóxicos e avança com solução baseada em resíduos agrícolas e bioeconomia.