Movimento Brincar Sem Plástico propõe “desplastificar” a infância

O movimento brincar sem plástico é em primeiro lugar um convite ao brincar livre em contato com a natureza, e um alerta a sociedade a respeito dos impactos do consumo de brinquedos plásticos na saúde das crianças e do planeta.

A produção e o consumo desenfreado do plástico, bem como a poluição causada por ele, tornou-se um problema global e um dos maiores desafios ambientais para a humanidade. Os números são alarmantes. A população mundial produz algo em torno de 300 milhões de toneladas de plástico por ano, poluindo o solo, a água, e o ar.

Somos o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico, e ocupamos o 16º lugar num ranking de países que mais descartam resíduos plásticos no oceano. De acordo com a ONU Meio Ambiente, se a produção e o consumo desenfreado de materiais plásticos não diminuir, o mar poderá ter mais plástico do que peixes até 2050.

Lixo na praia de São Conrado (RJ)
Foto: IMU

Você já se deu conta que muitos utensílios infantis de uso diário são feitos desse material – mamadeiras, chupetas, copos, pratos e principalmente brinquedos?

No Brasil, o mercado de brinquedos gera um faturamento anual na ordem de R$ 10,5 bilhões. Somente em 2016, contou com mais de 9 mil modelos de brinquedos, atraindo a atenção do público infantil e instigando o desejo constante por novos brinquedos, por meio de estratégias de marketing que alimentam a insatisfação das crianças e seu comportamento consumista.

Sabe-se que 90% dos brinquedos fabricados no mundo são feitos de plástico e que nem todo tipo de plástico é adequado para a produção de brinquedos. Algumas substâncias utilizadas na fabricação desses produtos são potencialmente tóxicas, cancerígenas e causadoras de distúrbios hormonais nas crianças.

Brincar sem plástico – uma revolução

Neste mês está acontecendo a campanha global #JulhoSemPlastico que tem por objetivo diminuir o uso e o descarte de plástico no planeta. Esse movimento começou em 2011 por iniciativa da ONG australiana Plastic Free Foundation pedindo para as pessoas, durante o mês de julho, evitarem o uso de plásticos descartáveis, de uso único ou de curto prazo. O sucesso do movimento ganhou adeptos por todo o mundo.

Pegando carona nesse movimento, o Educando Tudo Muda propõe a reflexão sobre a presença do plástico no brincar da criança, o desafio de brincar sem plástico, e sugere algumas ações para diminuir a quantidade de brinquedos plásticos em casa e nas escolas.  

Por que aderir ao movimento brincar sem plástico?

menina campanha lixo plástico
Com apenas 10 anos, a menina Skye conseguiu resultados importantes na luta contra o lixo plástico. Foto: Hannah Neville

Em termos de estímulos sensoriais, o plástico é um material extremamente pobre para o desenvolvimento infantil – sem cheiro; é frio e liso ao tato; é leve, possui tamanho desproporcional ao peso; de cor forte e antinatural.

Sob o ponto de vista da imaginação e criatividade infantil, os brinquedos industrializados criam uma situação de passividade, reduzindo muitas vezes a criança a mera expectadora ou executora frente ao brinquedo.

Sabemos o quanto brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. Entretanto é preciso entender que a potência da atividade lúdica se encontra na própria criança e não nos brinquedos.

É necessário oferecer a criança tempo e espaços que favoreçam o brincar. E não existe lugar mais positivo para isso do que a natureza. Nela encontramos os estímulos mais ricos e completos para o desenvolvimento integral da criança.

Brincar em espaços verdes coloca a criança diante da vocação lúdica da natureza e expõe os pequenos à riqueza e diversidade dos elementos naturais. Assim, infinitas possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos se abrem para a criança – gravetos viram espadas, sementes e folhas se transformam em comidinhas, subir em árvores vira brincadeira desafiadora.

Se estivermos convictos dos benefícios do contato com a natureza, dos efeitos negativos do excesso de plástico na vida da criança e suas consequências para o meio ambiente, tenho certeza que será mais fácil dizer não para o próximo brinquedo de plástico.

12 ações para o Desafio do Brincar Sem Plástico

retomada aulas aprendizagem ar livre
Foto: Pixabay

1. Promova o brincar livre na natureza – no quintal de casa, jardim, praças ou parques públicos

2. Incentive as crianças na criação de seus próprios brinquedos, como faziam nossos antepassados, utilizando elementos naturais: gravetos, sementes, folhas, pedras. Vale também papelões, rolhas, tecidos, revistas e jornais

3. Opte por outros materiais ao adquirir brinquedos novos para as crianças, como os brinquedos artesanais – feitos de madeira de reflorestamento, feltros, bonecas de pano, etc

4. Reduza os brinquedos plásticos deixando disponíveis apenas aqueles com os quais a criança brinca com maior frequência

5. Dê um novo destino aos brinquedos mais velhos ou aqueles com os quais a criança não brinca mais, doando-os para instituições. Isso prolongará a vida útil do brinquedo, evitando o descarte

6. Faça os brinquedos circularem entre as crianças organizando feiras de trocas

7. Incentive o empréstimo de brinquedos entre amigos da escola, vizinhança e familiares

8. Adote a prática do brinquedo coletivo entre irmãos e primos, valorizando o acesso em detrimento da posse 

9. Leve os brinquedos quebrados aos hospitais de brinquedos para serem recuperados

10. Descarte adequadamente os brinquedos que não têm mais conserto e/ou cobre dos fabricantes a logística reversa

11. Comunique sua família e amigos sobre a sua decisão de reduzir o uso de brinquedos de plástico para obter apoio

12. Compartilhe fotos, vídeos e dicas de brinquedos feitos de outros materiais em suas redes sociais usando #brincarsemplastico para atrair mais adeptos.

Não eliminaremos o plástico de nossas vidas totalmente, mas podemos refletir sobre seu consumo ético. Podemos nos unir por um mundo com menos lixo e por infâncias com mais saúde. Adote o brincar sem plástico em sua casa e/ou em sua escola.

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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