Governo confunde consumidor de energia e eleva a bandeira vermelha em 52%

O ministro Bento das minas e energia falou em cadeia nacional na 2ª feira para pedir a todos que economizem água e energia. Ele citou, corretamente, que a crise hídrica é aguda no Sudeste e Centro-Oeste, mas não falou que a situação não é grave no Nordeste e que os amazônidas sofreram com enchentes históricas há pouco tempo.

O governo soltou uma medida provisória dando poderes para o ministro Bento gerir a crise. A medida provisória saiu na 2ª feira e, com ela, o ministro Bento passa a controlar as mais de 24.000 represas do Brasil, apesar de menos de 700 delas terem algum aproveitamento energético. Antes, a gestão das águas era compartilhada pela ANA (Agência Nacional de Águas) e o IBAMA – este último vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e o primeiro ao Ministério do Desenvolvimento Regional. A MP criou uma Câmara para gestão da crise presidida pelo ministro Bento. Nem a ANA, nem o IBAMA fazem parte da Câmara. As represas servem múltiplos usos e não só para a geração de eletricidade. Em tese, o abastecimento da população é prioridade e a geração disputa o uso das águas com a irrigação, indústria e criação animal. O ministro Bento é almirante e deve ter sentido falta de controlar os mares.

Como as térmicas fósseis precisarão ser acionadas e a energia delas é mais cara do que as das hidrelétricas, eólicas e fotovoltaicas, ontem a ANEEL aumentou o valor da bandeira vermelha 2 em mais de 50%.

No programa, ele repetiu uma narrativa enganadora. Ele e seu ministério estão dizendo que querem que pessoas e indústrias passem a consumir fora do horário de maior demanda. Só que consumir eletricidade esvazia reservatórios independentemente do horário. O horário de maior demanda é atendida pelo tamanho do sistema – a capacidade total de todas as usinas junto com todo o sistema de transmissão e distribuição. Por trás desta narrativa vem a falsa afirmação de que o país precisa de mais térmicas fósseis e nucleares.

O Globo trouxe a fala do ministro. A MP empoderando o ministro foi comentada na CNN. O aumento da tarifa saiu no Estadão e na Folha. A conexão da crise com o horário de maior demanda aparece em uma matéria do Valor, além da própria fala do ministro.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.