Amazônia: a legítima e a distorcida

“O momento exige interlocução, transparência e cumplicidade cívica como vacinas essenciais . Assim, além de combater as mazelas das fakenews, estaremos contribuindo para uma aproximação construtiva e fraterna no combate às desigualdades imorais entre Norte e Sul do Brasil.”

Wilson Périco
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Há uma insinuação de oportunismo por parte das entidades da indústria do Amazonas na manchete da reportagem da Folha, publicada neste dia 25, sob o título “Empresários usam crise ambiental para preservar benefícios para Zona Franca de Manaus”. O curioso é que o teor da matéria vai em outra direção e é coerente com os propósitos das entidades da Indústria. Aliás, o repórter reconhece a determinação dos empresários de Manaus para diversificar a economia do estado. O que não agrega é a insistente orientação de determinados veiculos para difamar a economia do Amazonas. E não adianta solicitar direito de resposta pois será alegada a liberdade de expressão. Liberdade para confundir os leitores? Liberdade para satanizar os investimentos na região porque a Suframa utiliza apenas 8% de toda os chamados gastos fiscais do Brasil.

Por que os empresários de outras regiões não são objetos de difamação semelhante?. Por que há um silêncio obsequioso para encobrir o fato da região mais rica do país utilizar mais de 50% dos benefícios fiscais disponíveis? Como explicar o histórico de 73% das verbas do BNDES, um banco de fomento, para o Estado de São Paulo, enquanto o Norte, fica literalmente a ver navios. Por que não se comenta a sentença do STF, favorecendo a ZFM, contrariando os benefícios fiscais para tablets, utilizados por São Paulo.

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Wilson é economista,
empresário e presidente do CIEAM

Há investimentos na indústria paulista, por exemplo, equivalente três vezes o volume de investimentos na indústria de Manaus apenas para fornecer insumos para a ZFM. Essas indústrias tem isenção de 80% quando vendem para Manaus. É crime 8% de contrapartida fiscal para uma região remota como o Amazonas, sem rodovias, nem ferrovias? A matéria diz que os empresários alegam a geração de 500 mil empregos na ZFM, como se essa alegação fosse outro oportunismo. Os dados são da SUFRAMA, órgão ligado ao Ministério da Economia apurados pela Fundação Getulio Vargas/SP, e foram extraídos da RAIS e do IBGE. A FGV também publicou o mais completo estudo sobre ZFM Impactos, Efetividade e Oportunidades, disponível na web.
No jornal O Estado de São Paulo deste domingo, 23/08, a matéria de capa sobre Bioeconomia fala do outro sentido do termo “oportunismo”. As oportunidades que a indústria da ZFM estão oferecendo para centenas de startups que espalham/patrocinam empreendedores e empreendimentos sustentáveis pela floresta, utilizando recursos de pesquisa/desenvolvimento e inovação da Lei de Informática e das taxas da Suframa para criar uma rede amazônica de Bioeconomia, a economia do conhecimento e da floresta em pé.

Mais atenção com a pandemia da desinformação, senhores. O momento exige interlocução, transparência e cumplicidade cívica como vacinas essenciais. Assim, além de combater as mazelas das fakenews, estaremos contribuindo para uma aproximação construtiva e fraterna no combate às desigualdades imorais entre Norte e Sul.

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