O programa ZFM é nocivo ou benigno à economia do Brasil?

Wilson Périco(*)
[email protected]

A crise mundial provocada pelo Covid-19, o novo Coronavírus, surpreendeu a todos e nos obrigou a deixar a zona do conforto para assegurar nossa sobrevivência. As lições do evento são bem maiores que seus efeitos e sustos. E o maior antídoto é a promoção da unidade associada à humildade, ingredientes de extrema importância, sempre, principalmente num momento como este.

Precisamos, pois, de espírito público para evitar maiores riscos a vida das pessoas, deixar de lado as diferenças, muitas vezes fabricadas politicamente, para pensar nos problemas que devem nos unir. Esta é uma prova de fogo, um pesadelo universal, que podemos vencer, e vamos vencer, juntos!

Carnaval, axé e talentos

Vamos lembrar que o Brasil foi um dos países onde mais rapidamente se obteve o sequenciamento do genoma do coronavírus Covid-19, ponto de partida das vacinas e dos medicamentos.  Em menos de 48 horas, a contar da confirmação do primeiro caso no Brasil,  lideradas pela  cientista baiana Jaqueline Góes de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical da USP, as equipes do Instituto Adolpho Lutz e do Instituto de Medicina Tropical, em cooperação com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, conseguiram decodificar o RNA do vírus. A média em processos desse tipo é de 15 dias. Isso significa que além do Carnaval e do axé, o Brasil tem muito talento, faltam-nos recursos e vontade política e sobram-nos a maior biodiversidade do planeta, 1/5 dos princípios ativos globais habitam na Amazônia. Alguém duvida que os ativos para liquidar o coronavírus estão perdidos na floresta?

A maior província mineral da Terra

E aí vem a questão crucial: por que não pudemos investir nessa direção quando os militares atentaram para a emergência de integrar nossa região ao resto do país nos anos 60 com a criação da ZFM? Ali, quando foi instalado este programa de desenvolvimento regional, e integração nacional, logo tratamos de promover o mapeamento científico de nossas províncias minerais. As maiores do globo terrestre. Era o projeto Radam, de aerofotogrametria, que o visionário Eliezer Batista levou a cabo com decisiva colaboração da Aeronáutica. Em 70 grossos volumes, estão detalhados os acervos incalculáveis de riqueza geológica da Amazônia. Sabe o que o Brasil fez com isso, após a conclusão do levantamento? De concreto e a favor da brasilidade, praticamente nada.

Inventário da biodiversidade

Sequer atentamos para uma recomendação genial de nosso fundador do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, outro visionário e homem público, Mário Expedito Guerreiro: ele queria e, aos 100 anos de idade, ainda hoje insiste em que façamos o levantamento semelhante ao Radam, da biodiversidade Amazônia, onde borbulham as soluções bióticas para as demandas de alimentação integral, da cosmética da eterna juventude e das fórmulas medicinais para a saúde humana. Para além da política pequena, o Amazonas – que, em vez de prejuízo fiscal, é parte substantiva da salvação nacional – se oferece inteiro ao país, para aplicar as riquezas geradas pelo Polo Industrial de Manaus nas descobertas das soluções vitais para a Humanidade, de verdade, sem tardança nem alarde.

(*) Wilson é economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Artigos Relacionados

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.