5G e Zona Franca de Manaus: riscos ou oportunidades?

O maior risco de não aproveitar mais esta novidade, é um distanciamento ainda maior das sociedades mais desenvolvidas, porque estamos parados no tempo no que diz respeito à adoção de novas ferramentas que dependam do esforço local. Soluções em que os usuários tirem proveito das redes 4G ainda não são percebidas de maneira ampla, pois isso depende de profissionais letrados na engenharia e no software que comandam as telinhas dos usuários.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Todas as vezes em que surge uma inovação tecnológica em eletrônicos existem grandes oportunidades para a Zona Franca de Manaus (ZFM), por conta da demanda de mercado para os novos aparelhos. A típica ansiedade pelas novas tecnologias e todas as maravilhas prometidas trazem consigo oportunidades de investimentos, empregos, impostos e lucros. A tendência são as demandas expressivas e uma nova onda de aparelhos sendo produzidos.

A demanda por mais capacidade de transmissão, colocando cada vez mais o acesso à internet presente em todos os recantos, apresenta também a possibilidade de mudar a dinâmica da forma como as pessoas se conectam com a Internet e aos sistemas computacionais. Ter “a rede” disponível em todo o lugar, coberto por uma infraestrutura de telefonia começará a ser possível em breve. Em si, isso é uma grande oportunidade para uma transição tecnológica e identificação de novas aplicações antes não pensadas.

Por outro lado, novas linhas de produto sempre abrem o risco para a importação destes, a partir de locais mais competitivos, em especial com o momento atual onde existe o contínuo declínio de impostos de importação. Em nossa proteção está o câmbio muito desfavorável do Real frente ao Dólar, o que nos deixa mais competitivos para a industrialização. Entretanto, no lado das aplicações e uso desta nova possibilidade está a nossa fragilidade competitivas, o que pode ser o maior risco deste novo recurso. Como não temos tantos profissionais para construir esta nova estrutura poderemos perder o “boom” da novidade e uma adoção mais morna, como se deu na tecnologia 4G.

O maior risco de não aproveitar mais esta novidade, é um distanciamento ainda maior das sociedades mais desenvolvidas, porque estamos parados no tempo no que diz respeito à adoção de novas ferramentas que dependam do esforço local. Soluções em que os usuários tirem proveito das redes 4G ainda não são percebidas de maneira ampla, pois isso depende de profissionais letrados na engenharia e no software que comandam as telinhas dos usuários. Em tempo de tela, o Brasil é o segundo país do mundo a usar o celular, com mais de 10h ao dia, sendo superado apenas pelas Filipinas, o que em si pode ser bom. Mas a questão é o tipo de atividade feita nas telinhas.

A tecnologia celular saltará de 100Mbps para 10 ou 20Gbps, conforme o conjunto de padrões adotados. O principal desafio será ter aplicações úteis que façam uso desta capacidade de rede. Que existem, não há dúvida. A questão é como seremos produtores desta tecnologia e não apenas os eternos consumidores e que pagarão a conta dos produtores nos países mais desenvolvidos. O encantamento de uma área de produção de tecnologia é a criação. Se seguirmos a olhar para o assunto apenas como consumidores, seguiremos do lado errado do interesse econômico.

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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