5 notícias climáticas positivas para o planeta em 2024

Em meio a uma série de dados alarmantes, relembre notícias climáticas que anunciaram melhora na perspectiva ambiental do planeta

Revisitar as notícias climáticas e ambientais de 2024 evidencia que não foi um ano fácil para o planeta. Eventos climáticos extremos, aumento do nível dos mares, taxas de desmatamento em alta em vários biomas e uma corrida contra o tempo para impedir que o aumento da temperatura média global ultrapasse o 1,5°C máximo estabelecido marcaram presença nos debates entre lideranças políticas e no dia a dia da população.

O desafio pode parecer grande demais, mas alguns avanços conquistados para o clima e a natureza favorecem de forma significativa a vida no planeta. Selecionamos cinco delas para relembrar – e terminar o ano com a perspectiva do que ainda pode ser feito e o que deve ser mantido em 2025.

1- Pico global em energia verde

Créditos fiscais para energias renováveis e subsídios federais para veículos elétricos são algumas formas de investimento em descarbonização
Créditos fiscais para energias renováveis e subsídios federais para veículos elétricos são algumas formas de investimento em descarbonização | Foto: Jem Sanchez/Pexels

Fontes de energia renovável estão crescendo rapidamente ao redor do mundo. Em 2024, o Brasil seguiu a tendência e alcançou um marco importante na expansão de sua matriz elétrica: de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) divulgados em outubro, o país já instalou mais de 9 gigawatts (GW) em novas usinas, sendo 8,87 GW provenientes de fontes renováveis. Nos Estados Unidos, a geração de energia eólica atingiu um recorde em abril, superando a geração a carvão.

A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que o mundo adicionará 5.500 GW de capacidade de energia renovável entre agora e 2030, aumentando a capacidade global de renováveis 2,7 vezes em comparação a 2022, ficando um pouco abaixo da meta da ONU de triplicar essa capacidade até 2030. Até o final desta década, as fontes de energia renovável deverão atender a quase metade de toda a eletricidade.

2- Menor nível de desmatamento na Amazônia em nove anos

Segundo dados do Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia registrou uma redução de 30,6% no desmatamento entre agosto de 2023 e julho de 2024, totalizando 6.288 km² desmatados, a menor área desde 2015. O desmatamento caiu mesmo com o aumento dos incêndios na Amazônia brasileira em mais de 18 vezes, ocorrido durante o mesmo período após uma seca histórica. Já no Cerrado, a diminuição foi de 25,7%.

Parceria Brasil-China deve colocar o desmatamento no centro das atenções para 2030
Parceria Brasil-China deve colocar o desmatamento no centro das atenções para 2030 | Foto: Augusto Dauster/Ibama

3- Fim da energia a carvão no Reino Unido

O Reino Unido tornou-se a primeira economia rica a eliminar o uso de carvão para geração de energia – um marco histórico, considerando que foi o berço da primeira termelétrica, inaugurada em Londres em 1882. Agora, o país se prepara para desativar sua última planta, Ratcliffe-on-Soar, até o final da década, transformando-a em um centro de energia livre de carbono.

4- Estruturação de um sistema de carbono no Brasil

O chamado Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), lançado em 2024, cria um mercado nacional de carbono ao estabelecer limites de emissões para setores industriais de alto impacto e mecanismos de compensação ambiental no país. A iniciativa reflete o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e alinha-se às novas diretrizes globais aprovadas na COP29, realizadas no Azerbaijão, que padronizam o mercado internacional de carbono conforme o Acordo de Paris.

Busca-se promover uma transição para uma economia verde, investindo em descarbonização, de maneira mais inclusiva e abrangente
Busca-se promover uma transição para uma economia verde, de baixo carbono, de maneira mais inclusiva e abrangente | Foto: Freepik

5- Proteção oceânica em Portugal

Uma das notícias climáticas positivas na Europa gira em torno da criação de uma nova Área Marinha Protegida (AMP) no Atlântico Norte, anunciada pelos Açores, arquipélago português. Com uma extensão de 287 mil km², será a maior da região, protegendo 30% das águas ao redor das ilhas. Metade da área terá proteção total, sem atividades extrativas, enquanto a outra metade será altamente protegida. A AMP abrange ecossistemas únicos, como fontes hidrotermais e espécies de grande importância, incluindo 28 mamíferos marinhos e 560 espécies de peixes. Apesar do potencial dessas áreas para proteger a biodiversidade, atualmente apenas 2,8% dos oceanos globais são efetivamente protegidos.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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